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Respeitando o desenvolvimento infantil! 16/10/2014


Por: Michele

16/10/2014

Depois de duas longas séries sobre as fases do desenvolvimento infantil (por Jean Piaget e Freud), hoje veremos uma linha que vai de encontro aos estudos que realizamos anteriormente. São dos autores russos Lev Semenovich Vygotsky (1896-1934) e Alexander Råmanovich Luria (1902-1977) que trazem questões e discussões contemporâneas sobre o processo histórico de construção do comportamento humano. Esses autores mencionam que comportamento humano pode ser explicado a partir da história de vida de cada ser humano. Destaca-se que a diferença entre os povos primitivos e culturais encontra-se no desenvolvimento social e não no desenvolvimento biológico. Bem diferente do que vimos até agora não é mesmo?

Em relação ao desenvolvimento infantil. Os autores consideram que a criança ao se desenvolver torna-se reequipada. Neste sentido, as obras desses autores são de extrema importância para os estudos do desenvolvimento humano e infantil!

No início do século XX, Vygotsky, e seus colaboradores Leontiev e Luria, pesquisavam os processos do pensamento, linguagem, comportamento e aprendizagem. Estudavam os textos de outros pesquisadores alemães, franceses, ingleses, americanos, além de suas próprias pesquisas. Com tanto estudo, chegaram a conclusão de que não existe uma natureza humana apartada do meio; negando, portanto, a interação entre a natureza humana e o meio social. Vygotsky menciona que as origens das formas superiores de comportamento consciente deveriam ser achadas nas relações sociais que o indivíduo mantém com o mundo exterior” (LURIA, 2006, p. 25) como um agente ativo sobre o ambiente e cultura em que vive, não absorvendo as informações passivamente e, sim, pensando sobre elas, atribuindo-lhes significação singular na heterogeneidade humana. Você concorda com tudo isso? Não acha que, pelo meio em que vivem, as crianças de hoje têm um desenvolvimento diferente das crianças de outras gerações?

Para a neurociência, a aprendizagem é a aquisição de informações, das conexões entre os neurônios por conta da utilização do cérebro, ou seja, a experiência é a base da aprendizagem, pois a cada experiência o cérebro responde diferentemente com relação à experiência anterior. Dessa forma, para aprender o indivíduo conta com as suas estruturas física, psicológica e cognitiva e é preciso que haja uma integração dos fatores emocionais, neurológicos, relacionais (ambiente social) e ambientais. Qualquer outro fator que influencie negativamente um dos anteriores afetará o processo de aprendizagem.

E depois dessas informações você deve estar se perguntando se tudo que vimos até agora foi inútil. Se quiser a minha opinião, eu digo, obviamente, que não, pois é nítido que as crianças passam pelas fases do desenvolvimento que foram até agora mencionadas por Piaget e Freud. Porém cada uma deve ser reverenciada em seu tempo e trajetória de vida, tornando-se um sujeito bio-psico-social a partir do meio em que vive. Isso significa respeitar a criança e o ser humano.

REFERÊNCIAS
LURIA, A.R. A Construção da Mente. São Paulo: Ícone, 1992.
LURIA, A.R. Desenvolvimento Cognitivo. 6ª ed. São Paulo: Ícone, 2010.
LURIA, A.R. Linguagem, Desenvolvimento e Aprendizagem. In: VYGOTSKY, L.S.; LURIA, A.R.; LEONTIEV, A.N. O Desenvolvimento da Escrita na Criança.10ª ed. São Paulo: Ícone, 2006.
LURIA, A.R. Pensamento e Linguagem: as últimas conferências de Luria. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986.
VIGOTSKI, L. S.; LURIA, A. R. Estudos sobre a história do comportamento: símios, homem primitivo e criança. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
VIGOTSKII, L.S.; LURIA, A.R.; Leontiev, A.N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. SP, Ícone/EDUSP, 1988.
 

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