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Quarta-feira | 22 de Novembro de 2017 23:31

Sindimovec: Um ano das ocupações dos estudantes paranaenses


Por: Sindimovec

“O processo de qualificação da classe trabalhadora está diretamente ligado à educação. A renovação política da nossa cidade, também. Situação que nos dá esperança de transformação numa Campo Largo até então repleta de conservadorismo”, explica Adriano Carlesso, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos (Sindimovec). O Sindicato se solidariza com a nova geração e faz questão de lembrar que, após um ano, o resultado das ocupações nas principais escolas campolarguenses foi positivo. “Foi uma ação corajosa e importante. Os militantes do movimento estudantil vêm se mostrando futuros líderes”, completa Carlesso.

Para Leonardo Costa, 18 anos, morador de Campo Largo, estudante no curso pré-vestibular do Dinâmico, em Curitiba, as ocupações fizeram com que ele se sentisse parte da escola. “Quem organizava o colégio éramos nós, quem limpava o colégio éramos nós, quem fazia comida no colégio éramos nós. Isso criou um amadurecimento nos estudantes”, recorda. Leonardo pretende estudar história, hoje é Diretor de Grêmios da União Campolarguense de Estudantes Secundarista (UCES) e Diretor de Comunicação da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES).

Um ano das ocupações

Em Campo Largo, a primeira ocupação foi no Colégio Estadual Macedo Soares. Depois vieram as adesões do Centro de Atendimento Integrado à Criança (CAIC), do Colégio Estadual João Ferreira Kuster e do Colégio Estadual 1º Centenário. No total, foram dez colégios ocupados e dois colégios paralisados pelos estudantes. Leonardo comenta que foi visitar uma ocupação pra ver como era. “Eu, até então, era contra. Mas fui às escolas pra ver como era. Foi aí que comecei a entrar nas ocupações”, explica.

De acordo com o estudante, há uma história bacana de que o Colégio Macedo Soares ocupou seis minutos antes do CAIC, uma ação simultânea. “Foi um negócio muito ´massa´. Foi praticamente ao mesmo tempo!”, recorda. Leonardo explica ainda que aproximadamente 200 pessoas, entre estudantes, professores e simpatizantes, participaram das ações em Campo Largo.

Um ano depois... “Hoje eu vejo que aquilo foi um empoderamento do movimento estudantil. Agora eu pauto minha vida nesse movimento e as ocupações me ajudaram muito nisso”, revela Leonardo. Acrescenta ainda que, em Campo Largo, após as ocupações, foi criada a UCES, que defende uma escola pública de qualidade e tem o objetivo de levantar diversos debates junto aos estudantes, como é o caso da luta do movimento negro e das mulheres.

Resgate

No dia 03 de outubro de 2016 um grupo de estudantes começou a ocupar escolas em São Jose dos Pinhais. Seis dias depois, com quase 100 colégios ocupados no Paraná, era a vez de Campo Largo. Estudantes começaram a se organizar, conversar com a direção, pais, professores e explicar o motivo das ações: a PEC 241 (que depois se tornou 55). O Projeto tinha como objetivo congelar investimentos na saúde, educação, segurança pública e assistência social, por 20 anos. Outro motivo era a MP 746, ou: a reforma no ensino médio. A Medida tirava várias matérias importantes do currículo escolar, como: sociologia, filosofia, educação física e artes.

Segue relato dos estudantes Leonardo Costa e Welington Tiago (diretor e presidente da União Campolarguense dos Estudantes Secundaristas):

Foram 20 dias de muita resistência dos estudantes, que enfrentaram pais contra as ocupações, diretores que tentaram boicotá-las a todo instante e perseguições policiais. Recebemos até mesmo uma convocação do juiz de Campo Largo, pedindo que todas as lideranças das ocupações comparecessem ao Fórum. Naquele momento, de forma estratégica, nós, estudantes, pedimos para que a UPES (União Paranaense dos Estudantes Secundaristas) mandasse um diretor em nosso nome. Juntamente com a UPES, a nosso pedido, foram dois advogados, do coletivo “Advogados e Advogadas Pela Democracia”.

Após 20 dias de ocupações a justiça determinou a reintegração de posse a todas as escolas, acabando com as mais de 850 ocupações no Paraná. Ao fim, muitos perguntaram: qual foi o resultado? Para nós o resultado foi o maior movimento de estudantes da América Latina, onde definimos e apresentamos qual é o modelo de escola publica que queremos: uma escola em que prevaleça o respeito, onde nós não nos cansamos por estar dentro dela e sim nos sintamos peça fundamental para o seu desenvolvimento.

Parabéns a nós estudantes que ocupamos as escolas, que passamos fome, frio e medo. Persistimos até o fim, somando, ainda mais, ao verdadeiro movimento estudantil. Este que está nas ruas desde sempre, em busca de uma educação pública e de qualidade. Não fugiremos da luta.

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Sua Opinião





  • Por fernando - 18 Novembro 2017 | 18h11min

    Só pode ser brincadeira uma matéria desta... teria vergonha. Foram professores e alunos que não tinha o que fazer deixaram de herança e lembrança da destruição, porque estas pessoas não vão pagar o vandalismo e o furto que a ocupação fizeram no colégio Djalma Marinho. Saquearam a cantina, cadeira da deficiente destruída, botijão de gás, merenda dos alunos destruída. perda de 955 reais por dia (REALIZAÇÃO DO ENEM) sem contar que 350 pessoas da comunidade foram impedida de realizar o ENEM naquele colégio. Após um ano ainda me sinto envergonha por não ver nada de bom que a ocupação deixou, só destruiu, quer foto do que fizeram lá eu mando....

  • Por corredorx - 25 Outubro 2017 | 16h27min

    Um movimento de invasão e não de ocupação !, Um estágio para fazer parte do MST, impedindo o direito de professores sérios de darem aulas, olha que é colocado: "diretores que tentaram boicotá-las a todo instante e perseguições policiais ...", agora o errado é o certo, querem fazer algum protesto digno ? , vão estudar mais !