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Sexta-feira | 22 de Setembro de 2017 05:12

Alimentação saudável no combate ao câncer


Por: Ana Lúcia

A alimentação e a nutrição inadequadas são classificadas como a segunda causa de cân­cer que pode ser prevenida. São responsáveis por até 20% dos casos de câncer nos países em desenvolvimento, como o Brasil, e por aproximadamente 35% das mortes pela doença.

Uma alimentação rica em frutas, legumes, verduras, ce­reais integrais, feijões e outras leguminosas, e pobre em ali­mentos ultraprocessados, como aqueles prontos para consumo ou prontos para aquecer e bebi­das açucaradas, podem prevenir de 3 a 4 milhões de casos novos de câncer a cada ano no mundo.

Caso a população adotas­se uma alimentação saudável e a prática regular de atividade física, mantendo o peso corporal adequado, aproximadamente um em cada três casos dos tipos de câncer mais comuns poderiam ser evitados. Ou seja, para cada 100 pessoas com câncer, 33 ca­sos poderiam ser prevenidos.

Pessoas que superaram o câncer também devem seguir essas recomendações. Neste momento, cuidar da alimentação, praticar atividade física e buscar manter o peso adequado é es­sencial para recuperar a saúde e prevenir recidivas. As informa­ções são baseadas nos relatórios do Fundo Mundial para Pesquisa contra o Câncer (WCRF) e do Instituto Americano de Pesquisa em Câncer (AICR), entre outras pesquisas.

Não podemos atribuir a ne­nhum alimento específico “poder de cura” . A alimentação saudá­vel deve ser variada e composta por diferentes tipos de alimentos protetores, como frutas, legu­mes, verduras, feijões e outras leguminosas, cereais integrais, castanhas e outras oleaginosas. Existem evidências claras que uma alimentação saudável auxi­lia na prevenção e no tratamento do câncer. A recomendação é consumir, no mínimo, cinco por­ções, ou seja, 400g por dia de vegetais, sendo duas porções de frutas e três porções de legu­mes sem amido (como cenoura, couve-flor, berinjela, tomate) e verduras. Cada porção equivale a uma quantidade que caiba na palma da sua mão (80g), do pro­duto picado ou inteiro. Consuma alimentos de diferentes cores, como vermelha, verde, amarela, branca, roxa e laranja. Quanto mais colorida for sua refeição, melhor.

Existem evidências de que os benefícios da ingestão de frutas, legumes e verduras na prevenção do câncer superam os malefícios do consumo des­ses alimentos com resíduos de agrotóxicos. Nos vegetais são encontradas vitaminas, minerais, fibras e fitoquímicos que pre­vinem contra diversos tipos de câncer. Optar por alimentos de base agroecológica ou orgânicos é sempre o ideal, pois além de contribuir para a preservação do meio ambiente e para a agricul­tura familiar, são mais saudáveis. Entretanto, se não for possível adquiri-los, não podemos abrir mão desses alimentos proteto­res, pois estudos indicam que a redução no seu consumo pode aumentar consideravelmente o número de casos de câncer. Vale lembrar que os resíduos de agrotóxicos podem também estar presentes nos alimentos ultraprocessados, como biscoi­tos, salgadinhos, pães, cereais matinais, lasanhas, pizza e ou­tros, que têm como ingredientes o trigo, o milho, a cana-de-açúcar e a soja, por exemplo.

O aquecimento de recipien­tes plásticos contendo alimentos pode liberar substâncias nocivas com potencial de causar câncer, como a dioxina, o bisfenol A (BPA) e os fitalatos. Visto que não há como ter segurança quanto à presença ou não dessas subs­tâncias nos recipientes utilizados, o recomendável é nunca aquecer alimentos em recipientes plás­ticos, inclusive mamadeiras. O melhor é transferir a comida para vasilhas de vidro temperado ou de porcelana que suportem o calor. Essa cautela se aplica tam­bém para as bandejas de espu­ma em que são acondicionadas lasanhas e outras massas, por exemplo. O filme plástico utiliza­do para proteger e cobrir alimen­tos também deve ser evitado, pois o vapor condensado pode respingar substâncias perigosas no alimento. É mais seguro usar papel toalha, pano de prato ou saco de papel. Tais cuidados são simples e podem evitar danos à saúde.

Comer um tipo de carne ver­melha nas refeições principais é costume da maioria das famílias brasileiras. As carnes contêm proteínas, ferro, zinco e vitamina B. No entanto, quando consumi­das em excesso, podem facilitar o desenvolvimento de câncer no intestino (cólon e reto), uma vez que possuem grandes quanti­dades de ferro heme, nutriente essencial ao corpo, mas que, em excesso, pode ter efeito tóxico sobre as células. Por isso, o seu consumo deve ser limitado.

(Texto extraído do INCA-www.inca.gov.br )

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