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Quinta-feira | 19 de Outubro de 2017 10:45

Cirurgia com o paciente acordado pode se tornar realidade no Hospital do Rocio

Paciente acordado, com o crânio aberto, enquanto está sendo realizada uma cirurgia bastante complexa para retirada de tumor no cérebro. Essa pode se tornar uma realidade no Hospital do Rocio para reduzir os riscos da cirurgia em casos de tumores que estão em áreas que controlam a fala, a visão e movimentos do corpo.

Por: Danielli Artigas de Oliveira

Paciente acordado, com o crânio aberto, enquanto está sendo realizada uma cirurgia bastante complexa para retirada de tumor no cérebro. Essa pode se tornar uma realidade no Hospital do Rocio para reduzir os riscos da cirurgia em casos de tumores que estão em áreas que controlam a fala, a visão e movimentos do corpo. Quem auxilia o paciente a ter menos sequelas é o próprio paciente.

Hoje o Rocio é referência no Brasil em Neurocirurgia, com atendimento de mais de 1.500 pacientes ao mês. O neurocirurgião Dr. Samir Ale Bark, chefe do setor no Hospital do Rocio, quer implantar técnicas avançadas de Medicina, novos tratamentos de saúde que agregam no resultado para o paciente. Para isso, convidou o neurocirurgião Dr. Gustavo Rassier Isolan para dar uma palestra à equipe do Rocio na segunda-feira (08) e possivelmente para em breve treinar os médicos desta especialidade. A mesma aula foi dada em New Orleans, nos Estados Unidos, e será ministrada na Turquia.

No Brasil, apenas quatro ou cinco médicos operam em regiões nobres na cabeça com o paciente acordado. Na rede pública de saúde, segundo o Dr. Samir, ainda não há conhecimento de algum profissional com esta conduta.

Dr. Gustavo possui 15 anos de experiência e explanou sua visão pessoal de como deve ser a formação do neurocirurgião. Ele é professor permanente da pós-graduação em Cirurgia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e diretor científico do Centro Avançado de Neurologia e Neurolocirurgia – Ceanne. O especialista frisou na importância do conhecimento profundo de anatomia e de saber quando usar a tecnologia como monitorização neurofisiológica intraoperatória a favor. Mostrou a necessidade de estrutura do Hospital e do trabalho multidisciplinar.

Segundo ele, em cirurgia no cérebro um cirurgião trabalha com poucos milímetros entre os nervos e artérias e se não conhece a anatomia acaba causando lesão no paciente. “Podemos ter diferentes abordagens e muitas vezes nem tirar todo o tumor e sim dar condições de vida para o paciente”, explica Dr. Gustavo. Para conseguir bons resultados, estimula o treinamento em laboratório, estudo de casos, abordagens cirúrgicas e técnicas de imagem.

A palestra marcou o primeiro dia da 3ª Semana de Enfermagem (de 08 a 12 de maio) e 2ª Semana Interna de Prevenção de Acidente de Trabalho, com coordenação da chefe de Enfermagem, Lídia Maria Ferreira.

Além da anatomia
Somente o conhecimento da anatomia não é suficiente, é preciso ir além, usando a Neurofisiologia Intraoperatória com o paciente acordado. De 900 pacientes operados com tumor no cérebro pelo Dr. Gustavo e equipe, 45 estavam acordados na cirurgia. Historicamente, na literatura neurocirúrgica, pacientes ficam com sequelas após cirurgias de tumor, mas nas realizadas com essa nova conduta nenhum sofreu algum déficit.

Ele comenta que, além destes números, também foram contraindicadas muitas cirurgias. “O mais importante é não agregar déficit para o paciente e ele sair sem sequela”, ressalta. Um dos exemplos é uma jovem de apenas 24 anos e que sofria com crises epiléticas, mas que com essa cirurgia conseguiu se curar e ficou sem nenhuma sequela, saiu conversando normalmente.

Essa nova conduta é vista como uma arte na Neurocirurgia moderna. É o paciente que diz onde o médico está. O especialista explica que o paciente precisa falar durante a cirurgia e é estimulado a dizer cores, objetos, fazer cálculos, entre outros. Se o paciente para de falar já se sabe que não pode prosseguir, pois começaria a mexer em uma área que deixaria sequelas no paciente. O procedimento é feito também com estímulo elétrico até nas fibras mais profundas, para que se consiga ressecar todo o tumor.

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Sua Opinião





  • Por alceu renato amaral wolff - 21 Maio 2017 | 01h14min

    Dr samir operou minha esposa em 16/3/2004 ela perdeu todos movimentos ate hoje,sera com essa nova tecnica de cirurgia ela voltace a movimentar pelo menos os braços ultimo contato com dr samir foi por telefone.foi a 4 anos no consultorio da 7 de setembro marquei consulta mais quem atendeu foi uma doutora que nao sabia de nada sobre minha esposa nao tinha nem o prontuario sera que temos a ultima chance de ter a palavra final do Dr samir em uma consulta

  • Por maverick - 18 Maio 2017 | 17h59min

    Essa matéria é boa para aqueles que acreditam que os médicos são mercenários, que são prepotentes, não são pessoas humildes, que só querem saber de lucros. O problema é que ninguém reconhece o tempo, dedicação e investimento financeiro que fazem em suas próprias carreiras para chegar ao nível de conhecimento relatado nesta matéria. Nada é de graça, tudo é conseguido com muito esforço, muitas vezes com privação de vida social e em família.