Por uma vida, todo sacrifício é dever
29/06/2012
O título é o lema do Corpo de Bombeiros, corporação da Defesa Civil ligada à Polícia Militar, que no Brasil foi criado em 2 de julho de 1856. Em comemoração ao Dia do Bombeiro, a Folha traz um pouco como é a rotina destes profissionais. A reportagem já começou tendo um bom exemplo, pois logo no início foi interrompida. Alarme toca, bombeiros em ação, sirene da ambulância, saída em pronto atendimento e a reportagem acompanha.
Não existe hora certa. A qualquer momento pode acontecer uma ocorrência e o bombeiro precisa estar sempre atento. E diferente do que muitas pessoas pensam, a função não é apenas apagar incêndios. São pessoas preparadas para fazer resgates, salvar em afogamentos, em acidentes, desaparecimentos, desabamentos.
Há 23 anos no Corpo de Bombeiros, o cabo Samoel, balsa-novense, atualmente atuando em Campo Largo, diz que ser bombeiro é “uma paixão, um amor; tirando Deus e a família, realizar essa função é tudo, um amor mesmo”. Ele estudou na Escola de Bombeiros em Piraquara e seu trabalho teve início em São José dos Pinhais. Depois foi para o Quartel Central em Curitiba, onde ficou por 16 anos. Neste período também trabalhou como Salva Vidas na praia durante as temporadas – trabalhou nas três subáreas. Há cinco anos, ele pediu transferência para Campo Largo.
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Ele conta que em Curitiba era um trabalho muito intenso, de muitos atendimentos. Segundo ele, o que acontecia em um dia na capital é o que acontece em um mês em Campo Largo. Diz que felizmente são poucas ocorrências aqui no município. “É raro um capotamento como o de hoje, dentro da cidade”, declarou, sobre a ocorrência que foi atender no momento da entrevista. A maioria dos acidentes de trânsito é envolvendo motociclistas e outro motivo mais comum de serem acionados é quando idosos sofrem uma queda.
Para ele, é um orgulhoso saber que é útil à sociedade. “Somos considerados heróis, as pessoas sabem que de um jeito ou de outro chegaremos ao local da ocorrência. Nos sentimos honrados com isso”, declara.
Relatos
O Cabo Samoel conta que o atendimento que mais o marcou foi na BR-376, em São José dos Pinhais. Um acidente de trânsito em que um carro bateu de frente com um caminhão. “Quando fomos nos aproximando, íamos encontrando roupas de crianças pelo caminho, de adultos. O veículo capotou várias vezes e o motorista chegou a sair do banco. A família inteira estava morta, três gerações. Eram os dois avós, um casal de filhos e um neto. Com o susto que devem ter levado, estavam todos com os olhos abertos. Um deles teve fratura na perna e o fêmur estava apontado para fora. Não sai esta cena da minha cabeça”, lamenta ele.
Momentos que mais o emocionaram em toda sua profissão foi quando teve que fazer partos com o Samu, porque a mulher não aguentava chegar ao hospital. Mas teve um caso bem grave, em que o pai já tinha cortado o cordão umbilical e o deixou solto; com isso tanto a mãe quanto a criança foram perdendo muito sangue. Quando o socorro chegou, o bebê já estava sem oxigênio, então o aqueceram e levaram ao Hospital.
Os piores acidentes para atender, segundo ele, é quando envolve criança, em que se lamenta mais, e por não saberem dizer o que sentem, choram muito. Quando perdem alguma vítima, Samoel conta que “é um sentimento de impotência”. Um segundo vale muito. Às vezes isso acontece porque o atendimento do Corpo de Bombeiros é limitado, não entra na área médica, é pré-hospitalar.
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