Impressos
Meningite Meningocócica mata estudante
09-03-2010
Thalia Michelli Barbosa, uma estudante de 12 anos, da 7ª Série do Colégio Estadual Sagrada Família, turma da Manhã, faleceu na manhã desta segunda-feira (08), no Hospital Nossa Senhora do Rocio, onde estava internada desde o último sábado (06), com Meningite. Ela residia na Rua José Antonio Puppi, Vila Anchieta, e seu sepultamento será realizado na manhã desta terça-feira (09).
A menina, que completaria 13 anos de idade no próximo dia 19, teve os primeiros sintomas da doença na sexta-feira (05), uma dor de cabeça súbita e mal estar geral. Como o quadro se agravou, no sábado seus pais a levaram ao Hospital Nossa Senhora do Rocio. O médico que a atendeu receitou remédio para dor de cabeça e a liberou. No sábado à noite ela teve o seu estado agravado e a família retornou ao hospital quando, então, ela ficou internada. A menina teve uma parada cardio-respiratória ainda no sábado e foi levada para a UTI. As informnações são de que ela não apresentava rigidez na nuca, uma das características da Meningite, mas apenas febre e vômito e, por isso, foi medicada e ficou em observação. No domingo teve mais duas paradas e, na manhã desta segunda-feira, faleceu.
Grave
De janeiro a março de 2010, seis casos suspeitos de Meningite foram registrados em Campo Largo, segundo Hugo Cezar Trembescki, coordenador de Vigilância em Saúde da Prefeitura Municipal de Campo Largo. Desses seis casos, de acordo com suas informações, três eram de fora, de pessoas que foram internadas nos hospitais da cidade para tratamento e três eram de pessoas daqui, dos quais dois tiveram resultado negativo, nos exames, e um, o caso fatal da pequena Thalia.
A evolução rápida da doença, é uma das características da Meningite, uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o encéfalo e a medula espinhal. Pode ser causada por vírus ou por bactéria, a qual é a mais comum. No caso da menina Thalia, trata-se de Meningite bacteriana.
A Meningite Meningocócica é causada pela bactéria Neisseria meningitidis ou Neisseria intracelullaris. O meningococo é uma bactéria do tipo diplococo que só causa a doença no homem, não infectando outros animais. A transmissão é feita através de contato direto com secreções da garganta ou do nariz de pessoas portadoras ou convalescentes. Estas pessoas liberam os agentes etiológicos no ar que podem ser inspirados por outros indivíduos e causar a doença. Felizmente, os meningococos não sobrevivem muito tempo na atmosfera, o tempo varia de meia a duas horas.
O período de incubação é dois a dez dias. A doença meningocócica evolui em três etapas: nasofaríngea, septicêmica ou meningococcêmica e meningítica. A fase nasofaríngea é normalmente pouco sintomática mas é o ponto de partida para as formas evolutivas da doença. Os sinais gerais são: febre, mal estar, falta de apetite, náuseas e vômitos.
A fase septicêmica ou miningococcêmica caracteriza-se pelo aparecimento de febre, calafrios, dores musculares e toxemia. Geralmente aparecem lesões cutâneas purpúricas.
O último estágio evolutivo da infecção é a meningite meningocócica, em que ocorre inflamação das meninges, com fortes dores de cabeça, dores no pescoço e nas costas, rigidez na nuca, confusão mental, etc. O corpo assume posturas de defesa contra a dor, para evitar o estiramento doloroso dos nervos que saem da medula espinhal. Pode ocorrer ainda aumento ou diminuição do ritmo cardiorrespiratório.
Prevenção
As principais medidas profiláticas que devem ser tomadas são: utilização de pratos, talheres e copos bem lavados; dar preferência a utensílios descartáveis; evitar ambientes abafados onde os vários tipos meningocócicos incluem os A, B, C, D, X, Y, Z, e W135. O meningococos infecta pessoas saudáveis e é transmitido por intermédio de um contacto muito próximo entre pessoas através de secreções respiratórias, ao tossir, e secreções salivares. Embora muitas pessoas transportem a bactéria no nariz e garganta sem qualquer tipo de problemas, podem transmiti-la aos outros, provocando a doença.
Mal entra nas vias respiratórias a bactéria, pode espalhar-se para outras áreas do corpo através da circulação sanguínea até atingir o líquido da coluna vertebral atingindo a meninge. Aí começa a evoluir rapidamente, não possibilitando as defesas do organismo.
O risco de contaminação é muito grande, na primeira semana de contacto e o período de incubação é de 2-10 dias até os sintomas começarem a aparecer. Deve-se evitar aglomerações de pessoas e o isolamento dos doentes em hospitais especializados.
Escola
Hugo Trembescki disse que não há motivo para alarmes ou pânico, nem mesmo é necessária a suspensão das aulas, no Sagrada Família, apenas a observação e tratamento preventivo das crianças que sentavam diretamente na frente, atrás e dos lados da menina Thalia. Também os familiares e todas as pessoas que tinham contato muito próximos com ela, estão sendo acompanhados.
Segundo Hugo, não há, como nos casos de Gripe A H1N1, a necessidade de sepultamento com caixão lacrado. Segundo ele, não há perigo de contágio nos velórios, porque a transmissão acontece basicamente através de gotículas da saliva das pessoas infectadas. Uma das recomendações do profissional é que se mantenham as janelas abertas e os ambientes ventilados.
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