05h39 - 22 de Dezembro de 2014

Geral

Porcelanas Schmidt

20-08-2010

Uma história de mais de 70 anos da maior indústria de louça e porcelana da América Latina, a Porcelanas Schmidt, pode mudar radicalmente, nos próximos dias.     Em Recuperação Judicial há um ano, paralisada há um mês em meio a uma grave crise financeira, com dificuldades para pagar os salários dos funcionários e os fornecedores de insumos, a Schmidt vive um paradigma, e para quebrá-lo, ou se reinventa, ou pode desaparecer.
    O paradigma é: "Sempre foi assim, não se pode mudar", mas a mudança se apresenta como única solução capaz de transformar, para melhor, o futuro não só da Schmidt, mas de toda a indústria cerâmica brasileira. Dona do maior forno linear do mundo, a Schmidt tornou-se gigante graças à habilidade da sua mão-de-obra e à qualidade dos seus produtos, reconhecida no mundo inteiro. E esta qualidade pode e deve ser preservada, qualquer que seja a solução, pois nela também está uma parte do nome de Campo Largo como Capital Nacional da Louça.
    Campo Largo
    A história da cerâmica em Campo Largo, é bem mais antiga do que a história da Porcelanas Schmidt, mas ambas se entrelaçaram na década de 50, e nesses quase 60 anos se confundem e unem três municípios, um de Santa Catarina (Pomerode), um do Paraná (Campo Largo) e um de São Paulo (Mauá).
    Campo Largo já era, no início do século passado, o maior pólo cerâmico do Estado. Aqui já funcionavam, naquela época, várias indústrias cerâmicas de grande porte, dentre as quais a Cerâmica Brasileira, cuja produção destacava-se pela qualidade e beleza. Adquirida pela Schmidt em 1956, a Cerâmica Brasileira passou a denominar-se Porcelana Esteatita.
    A Schmidt, fundada em 1945 em Pomerode, já havia adquirido, em 1948, o controle da Porcelana Real, fundada em 1943 na cidade de Mauá, São Paulo. De 1956 a 1972, as três empresas funcionaram independentemente mas, nesse ano, o patriarca da família, Fritz Herving Schmidt e os demais controladores do grupo, resolveram efetuar a fusão, com o nome de Porcelana Schmidt S/A.
    Gigante
    A Schmidt tornou-se gigante, conquistando o mercado nacional e exportando grande parte da sua produção, para países da Europa e Estados Unidos, chegando até outros continentes como a Oceania. Em 1973, a Diretoria da Schmidt iniciou a construção do maior forno de porcelana do mundo, na unidade de Campo Largo.     Medindo 134 metros de comprimento, em túnel contínuo, o gigantesco forno teve sua construção concluída três anos depois, em 1976, quando foi aceso e nunca mais foi desligado. Hoje ele é considerado o "coração" da empresa, não pode ser apagado, sob pena de se auto-destruir. Sua temperatura, que pode chegar a cerca de 1.800 graus, é mantida em 1.350 graus, em média, e não pode sofrer resfriamento a menos de 1.100 graus.
    Desde fevereiro último, quando a crise se tornou mais aguda, uma das preocupações é a manutenção do forno "vivo". Mesmo com os funcionários dispensados, em casa, um grupo de trabalhadores foi acionado para manter o forno funcionando. Depende dele o futuro da empresa.
    Manifestação
    Sem saber quando vão receber seus salários, cerca de 300 dos 500 trabalhadores da unidade de Campo Largo, foram para a frente da fábrica, protestar, na última segunda-feira. Queimaram pneus, fizeram passeata pela Avenida Porcelanas, foram até à pista Sul da BR-277, onde, no final da tarde, ergueram barricada, queimaram pneus, paralisaram o tráfego por mais de 40 minutos, causando grandes transtornos aos usuários da rodovia.
    Eles queriam a presença da mídia nacional, para denunciar a situação na qual estão, mas não conseguiram. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores, Paulo Andrade foi, então, ao Ministério do Trabalho (Delegacia de Curitiba), e protocolou denuncia contra a empresa, na terça-feira, dia 16. Na quarta-feira, o Sindicato protocolou nova ação no Ministério Público do Trabalho, denunciando a Diretoria da empresa, pelo não pagamento dos salários e pela apropriação indébita dos recursos do PIS, repassados pela Caixa Econômica e não pagos aos trabalhadores.
    Um grupo de trabalhadores entrou com pedido de Rescisão Indireta, para cobrar o que lhes é de direito e ficar com a Carteira de Trabalho livre, para procurar outro emprego. Ele não recebeu mais nenhuma informação de São Paulo, nem mesmo uma nova promessa de pagamento que, como as demais, não sabe se seria cumprida.
    Solução
    A Diretoria da Unidade de Campo Largo, não faz contato com o Sindicato dos Trabalhadores, há mais de uma semana. Sabe-se que os diretores da unidade campo-larguense teriam ido para São Paulo, mas as informações não são oficiais. Na semana passada, os trabalhadores se reuniram com o prefeito Edson Basso, pedindo a sua intervenção, mas o prefeito disse que nas suas mãos só estava a possibilidade de parcelamento das contas de luz e a possibilidade, junto ao Governo do Estado, do parcelamento da conta de gás. Se a Diretoria da empresa solicitasse.
    Sabe-se que a Diretoria conseguiu equacionar a questão do gás, que hoje mantém "vivo" o forno.
Informações que circulam entre os funcionários dão conta de que, na próxima semana, a Diretoria da empresa deverá se reunir em São Paulo ou em Curitiba, quando uma solução para a continuidade do funcionamento da Schmidt deverá ser discutida, e que esta solução estaria na injeção de capital novo. É possível que a centralização da administração das três unidades da empresa, promovida por Fritz Herving Schmidt, em 1972, seja modificada e cada unidade passe a funcionar com maior autonomia, com administrações independentes. Essa é uma das soluções defendidas pela maioria dos funcionários da empresa, principalmente os mais antigos.

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Por rosane em 16/10/2013 às 21:17:
quero ver as peças pois amo louças e sei que vcs são bom no que fazem abraços rosane

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