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Quarta-feira | 22 de Novembro de 2017 23:37

Casos de sífilis têm aumento preocupante e casos graves podem levar à morte

No ano passado, o sífilis congênito subiu 345,3%, chegando a 2.066 pessoas contaminadas; já o adquirido, em cinco anos teve um aumento de 1.231%, contaminando 5.393 pessoas. Especialista explica o que é a doença, seus sintomas e como tratá-la

Por: Caroline Paulart

A Secretaria de Estado da Saúde divulgou na última semana dados alarmantes que mostram um grande crescimento nos casos de sífilis em todo o Paraná. No ano passado, o sífilis congênito subiu 345,3%, chegando a 2.066 pessoas contaminadas; já o adquirido, em cinco anos teve um aumento de 1.231%, contaminando 5.393 pessoas. Apesar dos dados serem referentes a 2016, é preciso se preocupar e combater essa doença para evitar uma projeção ainda maior para 2018.

A médica ginecologista e obstetra Liane Glinka Bernert traz o que é a doença e explica quais os seus estágios: “A Sífilis é uma doença sexualmente transmissível causada por uma bactéria, o Treponema pallidum, e também é chamada de cancro duro. O principal sintoma na fase inicial é o aparecimento nos genitais de uma úlcera de fundo brilhante e bordas endurecidas que não dói, não coça, não arde e não tem pus. Essa lesão desaparece espontaneamente em no máximo seis semanas. Se não for feito um diagnóstico, a doença pode evoluir para o que chamamos de Sífilis Secundária, que se caracteriza por manchas vermelhas na palma das mãos ou na sola dos pés. Isso ocorre semanas ou meses depois que a úlcera desapareceu dos genitais. Se ainda assim não for tratado, a doença fica latente por vários anos e chama-se Sífilis Terciária. Esta é uma forma grave da doença onde ocorre acometimento da pele, coração, ossos, e cérebro, podendo levar o indivíduo à morte”.

Segundo a médica, esse é um assunto que muito tem preocupado bastante os médicos nos últimos anos. Por se tratar de uma doença transmitida sexualmente, é imprescindível o uso de preservativo para preveni-la. Liane salienta ainda a importância de procurar um médico assim que perceber os primeiros sintomas da doença. O diagnóstico deve ser feito “com testes sanguíneos denominados VDRL, para rastreamento da doença e outro FTA-ABS para confirmação da mesma”.

“A Sífilis é uma doença curável e o tratamento, na maioria dos casos, é com Penicilina Benzatina em altas doses. A taxa de cura é maior que 95%, no entanto, os exames sorológicos não mais ficarão negativos, pois é como se houvesse uma cicatriz imunológica no sangue. Se o paciente fez o tratamento correto e se curou da Sífilis, não há risco da doença voltar sozinha. Mas é importante salientar que a Sífilis não gera imunidade, então a pessoa pode se contaminar novamente com o Treponema pallidum mais de uma vez na vida. Basta voltar a ter relações sexuais com alguém contaminado. Sabe-se que 45% dos brasileiros sexualmente ativos dispensam o preservativo na hora do sexo”, explica a Dra Liane.

Sífilis e a gravidez

A sífilis pode ser adquirida ou congênita. Quando o caso é a doença adquirida, a pessoa foi contaminada pela bactéria pelo ato sexual sem o uso de preservativo. Já quando o caso é congênito, a contaminação é feita pela bactéria durante a gravidez, que de acordo com a médica, consegue atravessar a placenta e infectar a criança. “A doença pode causar abortamentos, trabalho de parto prematuro, malformações cerebrais (microcefalia), alterações ósseas, cegueira, lábio leporino e pode até levar o feto a óbito no final da gravidez, portanto é imprescindível o acompanhamento de Pré-Natal durante toda a gravidez, com a realização de todos os exames que podem expor a mãe ou a criança a algum risco”, finaliza.

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