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Quarta-feira | 21 de Fevereiro de 2018 11:41

Casos de DST na terceira idade sobem e preocupam os especialistas


Por: Caroline Paulart

Não é de hoje que os idosos têm se mostrado mais ativos. Hoje eles fazem atividades físicas com frequência, viajam, encontram outros parceiros e mantêm uma vida sexual cada vez mais ativa. Hoje cerca de 80% da população que tem entre 50 e 90 anos é sexualmente ativa. Entretanto, apesar dos benefícios que essa prática pode trazer à saúde, o Ministério da Saúde se mostra cada vez mais preocupado com o aumento das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) em idosos.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, casos de presença do vírus HIV em pessoas acima dos 65 anos aumentaram 103%, isso significa que entre 4% e 5% dessa população está infectada.

Para a médica ginecologista e obstetra Carolina Andrade, não é só o HIV que merece atenção. “DST não escolhe idade. Todos estão sujeitos a serem infectados por outros vírus que provocam doenças, como sífilis, gonorreia, clamídia, HPV, entre outras. Por isso a indicação do uso de preservativos, por exemplo, camisinha masculina, independente da idade. O condom além de evitar uma gestação - que não é o caso nesta idade avançada - é principalmente usado para prevenir doenças sexualmente transmissíveis.”

Mas há um obstáculo cultural no uso do preservativo pela população dessa idade, inclusive notado até mesmo pelo Ministério da Saúde. Há algumas décadas, o uso do preservativo não era tão difundido quanto hoje e muitos dos idosos ainda não criaram essa consciência. “No passado, não se falava tanto da importância da prevenção. Muitos idosos não aceitam o uso do condom, pois anteriormente em sua vida sexual não havia a necessidade de usar. Muitas vezes não existia mais o risco de uma gestação não programada, em muitos casos a parceira havia realizado a laqueadura tubária, ou o homem a vasectomia. Porém muitos ficaram viúvos, se divorciaram, estão solteiros, e com a troca do parceiro a prevenção de DST deve ser priorizada”, enfatiza.

A médica segue explicando que algumas comorbidades presentes na terceira idade, como diabetes e hipertensão, podem complicar alguns sintomas de algumas DST. Também diz que algumas doenças sexualmente transmissíveis podem gerar complicações graves, tais como o vírus HPV pode causar o câncer de colo de útero, a sífilis pode complicar e se transformar em neurossífilis, HIV – que possui inúmeras complicações – causa principalmente a diminuição da imunidade da pessoa afetada.

Exames e prevenção

Dra. Carolina indica que a avaliação médica deve ser seguida por mulheres de todas as idades, com frequência determinada pelo médico de sua confiança, mas a visita deve acontecer pelo menos uma vez por ano. “Os exames de rotina para as mulheres acima de 60 anos são a coleta de preventivo - principalmente se houver novo parceiro sexual - mamografia, ecografia de mamas, ecografia transvaginal, densitometria óssea - quando tiver indicação -, exames laboratoriais que apontam a dosagem do colesterol, glicemia de jejum, TSH, para avaliar a tireoide e, em último caso, sorologias para investigar as DST”, recomenda.

Homens também devem estar sempre com seus exames em dia e procurar o médico em caso de dúvidas ou aparecimento de sintoma. Em caso de diagnóstico de alguma DST, os tratamentos serão indicados pelo médico, mas irão ser ministrados da mesma forma como acontece em jovens adultos.

“A ida ao médico deve sempre ser respeitada, mas é preciso procurá-lo com urgência caso apareçam sintomas como corrimento vaginal esverdeado, purulento, dor em baixo ventre, úlceras genitais, sangramento vaginal, dor na relação sexual, verrugas genitais, alteração do preventivo. O relacionamento sexual é importante e faz bem para a saúde física e mental, deve ser praticado com responsabilidade para se evitar uma DST e até mesmo uma complicação maior como câncer de colo de útero e pênis”, finaliza.

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