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Campo Largo avança em debate estratégico para proteger e valorizar produção de louças por meio da Identificação Geográfica

Campo Largo avança em debate estratégico para proteger e  valorizar produção de louças por meio da Identificação Geográfica

Campo Largo deu mais um passo para consolidar uma das suas principais identidades econômica e cultural. Em lançamento oficial do projeto realizada na última quinta-feira (19), na Câmara Municipal, representantes do poder público, setor produtivo e entidades discutiram a criação de uma Indicação Geográfica (IG) para as louças produzidas no município, uma iniciativa considerada estratégica para proteger a origem, agregar valor e ampliar mercados.
A proposta, construída em parceria entre Prefeitura, Sebrae, setor industrial e entidades locais, busca obter junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) um selo que reconheça oficialmente o vínculo histórico e produtivo da cidade com a cerâmica. Mais do que um reconhecimento simbólico, o projeto é tratado como uma política de desenvolvimento econômico de médio e longo prazo. Durante a audiência, a gerente do Sebrae, Michele Tesser, destacou que a Indicação Geográfica representa um instrumento consolidado de valorização territorial, mas que depende da articulação entre diferentes setores. “O ponto principal é entender que estamos falando de uma cultura centenária, com reputação já estabelecida. Mas não adianta apenas o poder público querer esse reconhecimento. Isso precisa ser um desejo do setor produtivo e da sociedade civil, porque os benefícios acontecem no médio e longo prazo.”
Segundo ela, a certificação permite não apenas proteger a identidade local, mas também posicionar o produto em novos mercados, com maior valor agregado. “Um dos principais diferenciais é como acessamos mercados a partir desse reconhecimento, como agregamos valor e como podemos precificar melhor um produto que tem vínculo com seu território. Quando se pergunta qual é o prato típico de Campo Largo, a resposta pode ser o próprio prato. É a louça que sustenta todos os outros produtos. Isso é identidade, isso é cultura e isso tem impacto direto no desenvolvimento econômico.”

Impacto econômico positivo para os campo-larguenses
O prefeito Maurício Rivabem afirmou que a iniciativa representa um passo importante na valorização da identidade do município e na consolidação da marca local. “A louça é o nosso maior símbolo, mas temos muitos outros produtos que também podem ser valorizados no futuro. Sempre fomos conhecidos pela louça. Hoje também somos reconhecidos pela saúde, mas precisamos reforçar nossas origens. Esse projeto é um grande passo nesse sentido. A ideia é começar pela louça, que é o que nos marca, e depois avançar para outros produtos, criando uma identidade forte para tudo que é produzido aqui.”
Já o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Pedro Parolin Teixeira, ressaltou que o projeto da Indicação Geográfica é resultado de uma construção coletiva e de uma estratégia mais ampla de valorização do que já é produzido no município. “Nós temos brigado muito pela valorização do que é nosso. Claro que queremos atrair novas empresas, mas também precisamos cuidar daquilo que já temos. Somos a capital da louça há muitos anos e já nos consideramos capital nacional. Agora, com a Indicação Geográfica, vamos dar mais um passo nessa consolidação”, disse.
Ele também destacou o papel da união entre diferentes setores para viabilizar o projeto. “Desenvolvimento econômico não é só crescimento financeiro. Ele envolve indicadores sociais, culturais e políticos. Não existe desenvolvimento sem cultura, sem turismo e sem a união entre o público, o privado e a sociedade. Os vereadores se uniram para destinar recursos a esse projeto. Isso mostra um alinhamento que nunca vimos antes na cidade. É um trabalho conjunto que fortalece Campo Largo”, ressaltou.
O presidente da Câmara Municipal, Alexandre Guimarães, enfatizou que o debate sobre a Indicação Geográfica vai além do reconhecimento cultural e se insere no campo das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento. “Quando falamos em política pública, muitos pensam apenas em saúde, educação e assistência. Mas fortalecer a economia local também é política pública essencial. É isso que gera emprego, renda e sustenta as demais áreas. A louça sempre foi o carro-chefe da nossa economia. Construir mecanismos para valorizar isso é fortalecer a nossa identidade. Esse processo que estamos iniciando é histórico e vai ter impacto no futuro da cidade.”

Processo é longo e exige organização do setor
A especialista do Sebrae em Indicação Geográfica, Aline Galete, explicou que o processo de certificação é técnico e pode levar anos até a concessão final pelo INPI. Segundo ela, Campo Largo já possui um diferencial importante, que é justamente o reconhecimento espontâneo da população e do mercado. “O diagnóstico positivo para a Indicação Geográfica já existe há cerca de oito anos. Isso significa que a notoriedade do produto já está consolidada. O que estamos iniciando agora é a estruturação formal desse processo”, explicou.

Foto: Comunicação Prefeitura de Campo Largo

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