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Inovação e startups impulsionam novos negócios e ajudam Campo Largo a reter talentos

Com a criação da Incubadora Tecnológica Águeda Maria Schmidt, a cidade dá mais um passo na construção de um ecossistema voltado ao empreendedorismo e às startups

Inovação e startups impulsionam novos negócios e ajudam Campo Largo a reter talentos

Durante muito tempo, abrir uma empresa inovadora parecia uma realidade restrita aos grandes centros tecnológicos do país, mas esse cenário começa a mudar e direcionar os planejamentos para Campo Largo. Com o lançamento da Incubadora Tecnológica Águeda Maria Schmidt, uma iniciativa da Prefeitura de Campo Largo em parceria com o Instituto Federal do Paraná (IFPR), Sebrae e Associação Comercial e Industrial de Campo Largo (Acicla), o município dá um passo importante para estimular o surgimento de startups e consolidar um ecossistema local de inovação.
O momento acompanha uma tendência nacional, conforme mostram os dados do Observatório Sebrae Startups, que informam que o Brasil ultrapassou a marca de 20 mil startups ativas, registrando crescimento superior a 30% em apenas um ano, entre 2024 e 2025. O levantamento também aponta que quase metade dessas empresas já utiliza inteligência artificial de forma avançada, demonstrando que inovação e tecnologia deixaram de ser conceitos distantes para se tornarem ferramentas concretas de desenvolvimento econômico.
Em Campo Largo, essa transformação já começou a ganhar rostos e histórias, e a Folha de Campo Largo conheceu uma delas. A Four Xplore, startup criada por jovens que passaram pelo IFPR, é uma empresa que nasceu dentro de uma sala de aula, aliando trabalho, inovação e internet. 
Os fundadores da Four Xplore, Bernardo Novaski Vidal de Almeida, Emanuele de Paula Marinho de Oliveira, Bruno Henrique Ribeiro Vieira e Suelen Gabriela da Silva Wilsek, comentam que compartilham algo em comum além da amizade, todos tiveram contato com ações de empreendedorismo e inovação promovidas pelo IFPR ao longo de sua formação.
Segundo Bernardo, a cultura empreendedora esteve presente desde os primeiros anos dentro da instituição. “Desde sempre o instituto vem incentivando a gente nesse nicho de inovação e empreendedorismo. Participamos de palestras, projetos e programas voltados para esse tema. Isso nos ajudou a pensar fora da caixa e entender como a inovação pode gerar impacto social e econômico”, relata.
O grupo participou de diversas edições do Startup Garage, programa desenvolvido em parceria com o Sebrae que oferece capacitação em empreendedorismo, modelagem de negócios e desenvolvimento de soluções inovadoras. Contam que antes da Four Xplore, os jovens chegaram a estruturar outro projeto chamado “Mão na Roda”, uma plataforma digital para conectar profissionais autônomos a pessoas que precisavam de serviços domésticos ou manutenção. Embora a proposta tenha avançado em estudos de mercado, planejamento estratégico e validação, o grupo percebeu que o desenvolvimento tecnológico exigiria investimentos e conhecimentos técnicos que ainda não possuíam e, ao invés de desistir, decidiram recomeçar.
Foi então da observação do mercado local que surgiu a Four Xplore, uma startup que nasceu como uma agência de marketing voltada ao turismo regional, com a proposta de divulgar atrações, experiências e empreendimentos muitas vezes desconhecidos pela própria população. “Percebemos que existem muitos lugares interessantes na região que as pessoas não conhecem. Queremos incentivar as pessoas a saírem de casa, explorarem novos espaços e descobrirem oportunidades de lazer que estão muito mais próximas do que imaginam”, explica Bernardo.
A ideia não é atuar como agência de viagens tradicional, mas funcionar como uma ponte entre empreendedores, atrativos turísticos e o público. Inicialmente, o foco está na produção de conteúdo e divulgação de locais gratuitos ou de fácil acesso, mas revelam que os planos futuros incluem parcerias com empreendimentos turísticos, guias, transportadores e organizadores de passeios. “Nosso objetivo é conectar pessoas e ajudar outros empreendedores também. Queremos fortalecer essa economia local e criar uma rede onde todos possam crescer juntos”, afirmam.

Empreender enquanto se constrói uma carreira
Como acontece com muitas startups em estágio inicial, a principal dificuldade enfrentada pelos jovens não está na falta de ideias, mas na gestão do tempo. Todos os integrantes trabalham e possuem rotinas distintas, o que torna difícil conciliar reuniões, gravações, produção de conteúdo e planejamento do negócio. “A maior dificuldade é encontrar horários que coincidam. Muitas vezes precisamos gravar ou editar vídeos e cada um tem uma disponibilidade diferente. É um desafio constante”, relatam os integrantes.
A falta de estrutura física também aparece entre os obstáculos, então as reuniões improvisadas acontecem em cafeterias, casas de amigos e espaços públicos, então ressaltam que é justamente nesse ponto que a incubadora passa a ter papel estratégico.
Coordenador do Núcleo de Inovação e Tecnologia do IFPR Campo Largo, o professor Antônio Ribeiro acompanha de perto a trajetória dos estudantes e acredita que a incubadora representa um novo estágio para o desenvolvimento de negócios inovadores no município. Segundo ele, programas como o Startup Garage cumprem um papel importante na formação empreendedora, mas a incubação oferece um suporte muito mais aprofundado.
“O Garage ajuda o participante a entender conceitos como validação de ideias, criação de MVP e elaboração de pitch, porém a incubadora vai além. Ela oferece estrutura física, mentorias, conexões com o mercado e orientação para que o negócio seja desenvolvido de forma mais profissional”, explica.
Para participar do programa, os candidatos precisam apresentar um plano de negócios estruturado, demonstrando aspectos como viabilidade financeira, missão, visão, estratégias de crescimento e potencial inovador, segundo informações do professor. “O objetivo é justamente identificar quais projetos possuem condições de evoluir e gerar impacto econômico e social, então não basta ter uma boa ideia, mas é preciso mostrar que ela pode se transformar em um negócio sustentável”, afirma.
Sem participar da incubadora, que ainda está em processo de edital, os criadores da Four Xplore comentam que a startup já conseguiu colocar sua proposta em prática, quando foi a responsável pela divulgação local do festival internacional Pint of Science, realizado em Campo Largo, servindo como primeiro contato dos jovens com empresários locais.

Inovação como estratégia de desenvolvimento
A criação da Incubadora Tecnológica Águeda Maria Schmidt faz parte de uma estratégia mais ampla para fortalecer a inovação no município. Atualmente, cerca de 30 projetos já participam da fase de pré-incubação, recebendo apoio para modelagem de negócios, validação de ideias e desenvolvimento de produtos mínimos viáveis.
Com o edital lançado ainda no mês de maio, cinco empresas formalizadas serão selecionadas para a etapa de incubação, recebendo suporte técnico especializado, mentorias, orientação jurídica e administrativa, além de acesso à estrutura física instalada no CESTEC.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Pedro Parolin Teixeira, a iniciativa representa uma mudança importante na forma como Campo Largo estimula o empreendedorismo. “A incubadora representa um marco importante para Campo Largo porque cria condições reais para que novos empreendedores consigam desenvolver seus negócios de forma estruturada e sustentável. Estamos falando de inovação aplicada, geração de oportunidades, fortalecimento da economia local e incentivo a empresas com alto potencial de crescimento, especialmente na área de tecnologia e serviços inovadores.”
Segundo o secretário, um dos principais objetivos é reduzir as barreiras enfrentadas por quem deseja empreender. “Muitas ideias deixam de sair do papel por falta de estrutura, orientação ou apoio técnico. A incubadora surge justamente para preencher essa lacuna e criar um ambiente favorável para que essas empresas amadureçam, cresçam e contribuam diretamente para a geração de empregos e para o desenvolvimento econômico de Campo Largo”, afirma.
O secretário reforça ainda que a expansão das startups não representa apenas uma tendência passageira, mas uma mudança estrutural na economia atual. “Negócios inovadores têm ganhado espaço justamente pela capacidade de identificar problemas, criar soluções escaláveis e responder rapidamente às transformações do mercado. Iniciativas como essas, da incubadora e suporte a esses projetos, ajudam a reter talentos locais, estimular a qualificação profissional e diversificar a economia”, finaliza.

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