Geral

Campo-larguense reúne relíquias de mais de um século de história da Seleção Brasileira

Campo-larguense reúne relíquias de mais de um século de história da Seleção Brasileira

Entrar na casa do campo-larguense Elvis Sabim, mais conhecido como Chapolin, é literalmente como fazer uma viagem pela história da Seleção Brasileira. Entre bolas oficiais de Copas do Mundo desde a década de 1970, álbuns de figurinhas completos, revistas antigas, livros raros e objetos ligados aos maiores ídolos do futebol nacional, o colecionador transformou a paixão pelo esporte em um acervo que traz a história e muitas curiosidades.
O interesse nasceu na infância, alimentado pelo sonho de vestir a camisa da Seleção, que até hoje move milhões de brasileiros. “A paixão começou quando eu era criança, que sonhava em ser jogador de futebol. Como não deu certo, fui me aproximando da Seleção de outras formas. Em 1990, quando a Panini lançou o primeiro álbum da Copa do Mundo no Brasil, comecei a colecionar oficialmente. Daí em diante nunca mais parei.”
Mais de três décadas depois, o hobby se transformou em uma coleção impressionante. Apenas de álbuns, entre edições de Copas do Mundo, Olimpíadas e Seleção Brasileira, Chapolim reúne dezenas de exemplares completos.
A busca pelos itens raros é facilitada por uma rede de colecionadores espalhada pelo país. Segundo ele, a troca de peças e informações acontece diariamente entre apaixonados pelo tema. “Participamos de grupos com colecionadores do Brasil inteiro. Muitas vezes aquilo que não interessa mais para um acaba completando a coleção de outro. É assim que conseguimos encontrar peças que seriam praticamente impossíveis de localizar sozinhos”, explica.

Bolas contam a evolução do futebol
Entre os itens que mais chamam a atenção estão as bolas oficiais das Copas do Mundo. Organizadas lado a lado, elas permitem observar, inclusive, a transformação tecnológica do futebol ao longo das décadas. 
Chapolin destaca a diferença entre os modelos utilizados nos anos 1970 e as versões mais recentes. “Se você comparar uma bola da Copa de 1970 com uma atual, a diferença é enorme. As antigas tinham 36 gomos e eram muito mais pesadas. Hoje as bolas são mais leves, rápidas e precisas. Isso faz a gente admirar ainda mais o que aqueles jogadores conseguiam fazer naquela época”, afirma.
Grande parte das peças foi adquirida por meio de trocas com outros colecionadores. Já os modelos mais recentes foram comprados diretamente em lojas especializadas. Além das bolas, parte de sua coleção de camisas históricas da Seleção Brasileira está atualmente em exposição na cidade de Joinville, em Santa Catarina. Entre as peças estão os exemplares que remetem a diferentes períodos da história do futebol nacional, incluindo referências ao primeiro jogo disputado pela Seleção Brasileira, em 1914.

Livro Joias do Rei
Entre tantos objetos, existe um que ocupa um lugar especial. O colecionador guarda com muito carinho uma edição limitada do livro “As Joias do Rei”, obra dedicada a Pelé e autografada pelo próprio jogador. “Já tentaram comprar várias vezes, mas esse não tem preço para mim. É o meu maior xodó da coleção”, afirma.
Segundo Chapolin, a obra foi produzida em uma tiragem bem pequena e teve parte de sua história ligada a ações beneficentes em favor do Hospital Pequeno Príncipe, localizado em Curitiba. Além do livro, ele reúne revistas históricas, itens relacionados às conquistas mundiais da Seleção e materiais ligados ao maior jogador da história do futebol brasileiro.
Apesar da extensa coleção, Chapolin afirma que ainda busca uma peça considerada especial para completar o conjunto de itens relacionados aos títulos mundiais do Brasil. O colecionador conta que sonha em adquirir uma réplica da medalha conquistada pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970, no México. Segundo ele, o item é difícil de encontrar e possui alto valor entre os colecionadores, mas segue na lista de objetivos para os próximos anos.
Para ele, o valor da coleção vai além da raridade ou do aspecto financeiro. “Cada item conta uma parte da história da Seleção Brasileira. Quando a gente olha para essas peças, está olhando também para momentos que marcaram gerações de brasileiros”, resume.

De colecionador a escritor
A dedicação ao tema chegou a um ponto em que o campo-larguense decidiu transformar anos de pesquisa em um livro. A obra, que está em fase de elaboração, reunirá curiosidades sobre a história das Copas do Mundo, da Seleção Brasileira e dos bastidores do futebol nacional.
“São histórias que fui reunindo ao longo dos anos. Quero contar curiosidades que muita gente não conhece, desde a criação da Copa do Mundo até fatos ligados à Seleção Brasileira e ao futebol brasileiro”, finaliza.



Curiosidades da Seleção Brasileira contadas pelo Chapolin

Primeiro jogo da Seleção foi em 1914
A Seleção Brasileira entrou em campo pela primeira vez em 21 de julho de 1914, no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. A equipe venceu o Exeter City, da Inglaterra, por 2 a 0. Os autores dos primeiros gols da história da Seleção foram Oswaldo Gomes e Osman.

A camisa amarela nasceu após o Maracanaço
Até a Copa de 1950, o Brasil utilizava uniforme branco. Após a derrota para o Uruguai na final disputada no Maracanã, foi realizado um concurso para definir uma nova camisa. A vencedora foi a amarela, que se tornaria a famosa “Canarinho”.

O Brasil já foi campeão vestindo azul
Na final da Copa de 1958, na Suécia, os dois finalistas usavam uniforme amarelo. Sem uma segunda camisa oficial, a delegação brasileira providenciou uniformes azuis às pressas. O Brasil venceu por 5 a 2 e conquistou seu primeiro título mundial.

Jogadores viajavam de navio
para disputar a Copa
Nas primeiras décadas dos Mundiais, as delegações cruzavam oceanos de navio. Em algumas viagens, os atletas passavam cerca de 20 dias embarcados antes de chegar ao país-sede da competição.

Jabulani: o “terror” dos goleiros
Utilizada na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, a bola Jabulani ficou famosa pelas trajetórias imprevisíveis. Muitos goleiros reclamaram da dificuldade para defender os chutes devido à leveza do modelo.

 

Foto: Franklin de Freitas

Compartilhar esta notícia: