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Muito além dos problemas salariais

Uma carreata com centenas de viaturas da Polícia Civil deu início, na tarde de segunda-feira (24), à semana de protestos mar­cada pelas entidades sindicais dos servidores estaduais. A ma­nifestação chamou a atenção nas principais ruas de Curitiba, entre o Parque Barigui e o Centro Cívico.

Uma carreata com centenas de viaturas da Polícia Civil deu início, na tarde de segunda-feira (24), à semana de protestos mar­cada pelas entidades sindicais dos servidores estaduais. A ma­nifestação chamou a atenção nas principais ruas de Curitiba, entre o Parque Barigui e o Centro Cívico. O funcionalismo esta­dual reivindica a retomada do pagamento da data-base, suspen­sa há três anos.

Para os servidores das forças da Segurança Pública, po­rém, a adesão ao movimento vai além das questões salariais. As Polícias Civil, Militar e Científica e os agentes penitenciários do Paraná têm enfrentado dificuldades e graves problemas nas condições de trabalho e falta de pessoal. Os dirigentes sindicais apontam que a situação chegou ao extremo nos últimos anos.

Para expor essa situação, os policiais civis, em ato simbóli­co, deixaram em frente do Palácio Iguaçu algumas viaturas pa­radas nas Delegacias por falta de manutenção ou por estarem sucateadas. Há duas semanas, escrevi neste espaço sobre a falta de pessoal nos quadros das forças de segurança. Só para lembrar, a Polícia Científica, que deveria ter 1,5 mil servidores, conta hoje com menos de 500.

É preciso deixar claro que a situação chegou a este ponto por falta de investimentos e planejamento que não são realiza­dos há décadas. Não se trata, portanto, de dificuldades criadas recentemente. São problemas que vêm se acumulando ao lon­go dos anos e que devem ser revertidos com máxima urgência.

Um exemplo gritante é a superlotação de presos em Dele­gacias, que ocorre por falta de investimentos na construção de casas de custódia, como presídios e penitenciárias. Também é gravíssima a falta de estrutu­ra da Polícia Civil no interior do Estado. Dos 399 municípios, mais de 270 não possuem um policial civil sequer. Delega­dos, dessa forma, são força­dos a dar plantão em mais de um município.

Muitos são os problemas e não posso deixar de apoiar os servidores das forças de segurança. Eles deixaram cla­ro que não haverá paralisação dos serviços, mas apenas o cumprimento do horário de trabalho de 40 horas semanais. Isto porque, normalmente, as jornadas dos policiais vão muito além do previsto.

Também me solidarizo com a retomada do pagamento da data-base, ainda que de forma parcelada. É certo que o governo enfrenta problemas de caixa e possui limitações legais para fo­lha de pagamentos. Mas é preciso observar que as perdas acu­muladas nos últimos três anos chegam a 17%.

As perdas passarão de 20% caso não ocorra o pagamento em 2020. Tenho a certeza – e confio – que o governador Carlos Massa Ratinho Junior deverá manter negociações para apresen­tar uma proposta conciliatória.

*Rubens Recalcatti é Deputado Estadual pelo PSD

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