Uma ocorrência iniciada em Campo Largo mobilizou equipes de resgate e segurança na manhã de quinta-feira (16) e se transformou em uma verdadeira corrida contra o tempo até Curitiba. O caso envolveu uma gestante em trabalho de parto avançado, cuja evolução rápida exigiu uma operação coordenada entre a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a concessionária Via Araucária.
De acordo com a PRF, a equipe realizava um comando de fiscalização eletrônica de velocidade na BR-277, em Campo Largo, quando um veículo se aproximou e parou junto aos agentes. Uma das ocupantes desceu em estado de aflição e pediu ajuda para uma gestante que permanecia no carro. A mulher já apresentava sinais claros de trabalho de parto, com a bolsa rompida e contrações intensas.
Diante da urgência, os policiais iniciaram imediatamente a escolta do veículo da família, onde estavam a parturiente, o marido e uma amiga, com destino ao Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU) da Via Araucária, estrutura mais próxima com suporte para primeiros atendimentos.
Atendimento emergencial na rodovia
O que inicialmente parecia um atendimento de suporte ganhou contornos ainda mais críticos ao chegar na base operacional da concessionária, localizada no km 108 da BR-277, já em Curitiba. A equipe de saúde, que organizava materiais no momento, foi surpreendida pela chegada da PRF em situação de emergência. “Sirene na base já é sinal de alerta. Quando saímos, a PRF já vinha correndo, batendo na porta. Na hora entendemos que era urgente”, relatou o médico Tiago Cabertsiebert.
Dentro do veículo, o cenário exigia ação imediata. A gestante já estava em trabalho de parto franco, com dilatação total, condição em que o nascimento pode ocorrer a qualquer momento. “Ela já estava em trabalho de parto avançado. Não havia tempo para espera”, explicou a enfermeira Juliana Tavares Moreira.
Sem informações completas sobre o histórico da gestação e sem confirmação sobre possíveis complicações, a equipe adotou um protocolo de máxima prontidão. A paciente foi acolhida, estabilizada e transferida para a ambulância da concessionária, já com preparação para a realização de um parto emergencial durante o trajeto, caso fosse necessário. “Sabíamos que havia risco de o bebê nascer no caminho, sem a estrutura adequada. Então preparamos tudo para agir dentro da ambulância, se fosse preciso”, acrescentou o médico.
Escolta até Curitiba e corrida contra o tempo
Com a evolução rápida do trabalho de parto e o trânsito intenso na rodovia, a PRF retomou a escolta, desta vez abrindo caminho para a ambulância até a maternidade em Curitiba onde a gestante realizava o pré-natal. O deslocamento, de aproximadamente 24 quilômetros, foi realizado em menos de 30 minutos.
Durante o trajeto, a equipe manteve monitoramento constante da paciente, em um ambiente de silêncio e concentração. “Mesmo com experiência, cada caso é único. Aquele momento exigia calma e agilidade ao mesmo tempo”, destacou Juliana.
Ao chegar ao hospital, a equipe confirmou que não havia mais tempo para aguardar. A gestante foi encaminhada diretamente ao centro cirúrgico obstétrico para a realização do parto.
O bebê, José, nasceu saudável, com 48 centímetros e 3,6 quilos. Um detalhe tornou o momento ainda mais especial, pois a mãe havia optado por não saber o sexo do bebê durante a gestação, deixando a descoberta para o nascimento.
A mãe, Genisis, de 33 anos, moradora de Campo Largo, descreveu a experiência como intensa e marcante. “Foi como um filme. Eles abriram caminho e fomos naquele comboio até o hospital. Parecia cena de aventura”, relatou.
Ao lado do esposo Alexandro e da amiga Daise, que também acompanhava o trajeto, ela fez questão de agradecer o atendimento recebido. “Fui acolhida com muito carinho. Só tenho gratidão a todos que ajudaram. Fizeram muito mais do que o esperado”, afirmou. José é o primeiro filho do casal.

Matéria atualizada em 20/04/2026 às 12h33