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Insanos Moto Clube de Campo Largo transforma paixão pelo motociclismo em uma corrente de solidariedade e união

Insanos Moto Clube de Campo Largo transforma paixão  pelo motociclismo em uma corrente de solidariedade e união

O ronco de dezenas de motocicletas costuma chamar atenção por onde passa e para muitos, a imagem de homens usando coletes de couro ainda desperta curiosidade e, não raro, preconceitos construídos ao longo dos anos por filmes e estereótipos ligados ao universo dos motoclubes. Mas basta alguns minutos de conversa com os integrantes do Insanos Moto Clube, que possui uma sede em Campo Largo, para perceber que, por trás das motos, existe uma organização estruturada, pautada pela disciplina, pelo companheirismo e, principalmente, pela solidariedade.

Em Campo Largo, a regional do grupo reúne atualmente cerca de 97 integrantes distribuídos em sete divisões, abrangendo também o município de Campo Magro. Apesar da paixão compartilhada pelo motociclismo, o que realmente une os membros é um propósito maior, como a promoção de ações sociais e construir uma rede permanente de apoio entre os integrantes e a comunidade. “O motociclismo nos aproxima, mas o que mantém todo mundo aqui é o social. Se você perguntar para qualquer integrante por que entrou no clube, a maioria absoluta vai responder que foi pelas ações sociais”, resume o diretor regional Ricardo Alexandre Costa Santana, conhecido simplesmente como Santana dentro da organização.

Hoje considerado o maior motoclube do mundo, o Insanos surgiu há cerca de 11 anos na cidade de Osasco, no estado de São Paulo, inicialmente com apenas sete integrantes. Desde então, o crescimento foi exponencial. Atualmente, a organização reúne mais de 25 mil integrantes espalhados por mais de 70 países. Somente em Curitiba e Região Metropolitana são cerca de 900 participantes. No Paraná, o número se aproxima de dois mil integrantes distribuídos em quatro comandos.

A regional de Campo Largo integra o Comando 41 e é composta por sete divisões, sendo elas Campo Largo Norte, Sul, Leste e Oeste, além de Campo Magro Norte, Sul e Leste. Segundo Santana, a regional foi criada há aproximadamente um ano e meio, quando o grupo atingiu maturidade suficiente para caminhar de forma independente. “Uma regional só nasce quando existe estrutura e pessoas preparadas para assumir essa responsabilidade. Hoje vivemos um dos melhores momentos da nossa regional”, explica.

Muito além das motos
Embora a motocicleta seja o elo que aproxima os integrantes, Santana faz questão de destacar que ela nunca foi o objetivo principal. “O amor pelo motociclismo existe, claro. Nós viajamos, participamos de encontros, fazemos grandes eventos. Mas isso sozinho não sustenta um grupo desse tamanho. O que sustenta é o propósito e esse propósito está diretamente ligado às ações sociais”, diz. 

O regimento interno determina que cada divisão realize pelo menos uma ação social por mês. Considerando todas as divisões existentes no Brasil, isso representa centenas de iniciativas mensais.

Na prática, porém, esse número costuma ser muito maior. “Essa é nossa diretriz e nós estamos aqui para isso. Em 2025 realizamos mais de 25 mil ações sociais em todo o Brasil. E esse número é maior porque dificilmente uma divisão faz apenas uma ação por mês”, comenta.

As iniciativas são variadas e vão desde a arrecadação e distribuição de alimentos, roupas, brinquedos, cobertores, cadeiras de rodas, muletas, campanhas beneficentes e apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. “Chegamos muitas vezes onde ninguém vê. Se alguém conhece uma família precisando de ajuda, nós verificamos a situação e fazemos o possível para atender”, retrata.

As campanhas maiores costumam acontecer na Páscoa, Dia das Crianças e Natal, quando o grupo mobiliza supermercados, empresas parceiras e a própria comunidade para arrecadar alimentos e brinquedos. Segundo Santana, Campo Largo demonstra uma receptividade que impressiona e sempre estão dispostos a ajudar. 

Na regional de Campo Largo são distribuídas, em média, entre 30 e 35 cestas básicas por mês, cada uma com aproximadamente 13 quilos de alimentos. Além disso, os integrantes arrecadam roupas, cobertores, cadeiras de rodas, muletas e diversos equipamentos destinados a pessoas que necessitam de auxílio.
Uma das histórias lembradas por Santana envolve a busca por uma cadeira de rodas especial para uma criança, equipamento avaliado em mais de R$ 20 mil. “O universo acaba encaixando as coisas. Conhecemos muita gente e alguém tinha exatamente aquela cadeira. Ela foi disponibilizada na hora. São situações que emocionam”, relembra.

Outra lembrança marcante aconteceu durante uma ação de Natal, quando crianças receberam doces distribuídos pelo grupo. “Uma criança voltou para a fila e quando ofereceram mais doces, ela respondeu que já tinha recebido o seu e queria apenas pegar um para o irmão. São lições que fazem todo o esforço valer a pena”, diz.

Organização e disciplina
Quem imagina que um motoclube funciona apenas de forma espontânea encontra uma realidade bastante diferente. Santana explica que o Insanos possui um regimento interno, funções administrativas definidas e uma estrutura padronizada em todas as unidades, onde cada divisão conta com diretor, subdiretor, responsável pelo setor social e administrador. A regional também possui coordenação operacional, comunicação, administrativo e área social. “É uma organização muito bem estruturada, e por exemplo, um diretor regional é diretor regional em qualquer lugar do mundo. Seguimos o mesmo padrão.”

Além da organização administrativa, existe uma rígida disciplina de conduta. “Para entrar aqui, a pessoa precisa ser alguém do bem. Não existe espaço para quem quer viver de maneira irresponsável. O colete representa muito mais do que uma peça de roupa. Quando você veste as cores do clube, passa a representar uma entidade enorme”, ressalta.

Por isso, situações como consumo excessivo de álcool, atitudes inadequadas em público ou comportamentos incompatíveis com os princípios do grupo podem resultar em advertências e até expulsão, após avaliação realizada pela direção nacional.

Ao contrário do que muitos imaginam, tornar-se integrante pleno do clube leva tempo, pois o novo participante inicia sua trajetória usando apenas a camiseta da organização, na condição de “próspero”. Ao longo dos meses, sua participação é avaliada. 


Em uma primeira etapa, recebe a parte superior do colete. Depois de um novo período de avaliação, conquista a parte central e, por fim, o brasão principal, conhecido como “caveira”. Somente então torna-se um integrante de “colete fechado”.

Outro aspecto destacado por Santana é o caráter inclusivo do motoclube. No Insanos não existe exigência quanto à marca, cilindrada ou valor da motocicleta e a diversidade também aparece nas profissões, uma vez que fazem parte do clube advogados, engenheiros, enfermeiros, empresários, motoboys. O grupo também abraça causas relacionadas ao autismo e às pessoas com deficiência. 
Embora o quadro oficial de integrantes seja masculino, as famílias ocupam papel fundamental na rotina do grupo, então as esposas, filhos e familiares acompanham viagens, encontros e eventos, sendo que um dos maiores diferenciais está justamente no ambiente seguro construído pelos próprios integrantes.

Recentemente, Campo Largo sediou um dos eventos mais importantes do calendário do Comando 41, que foi a cerimônia de entrega de coletes. Realizado no Polentão, o encontro reuniu aproximadamente 600 a 700 pessoas e contou com integrantes de quatro regionais, quando foram entregues 73 novos coletes. O evento também marcou a primeira visita do presidente nacional do Insanos Moto Clube ao município. Mesmo com chuva intensa, cerca de cem motocicletas participaram da programação.



Como fazer parte
Quem deseja ingressar no Insanos deve, inicialmente, frequentar os encontros, conhecer os integrantes e participar das atividades. Após uma conversa com a diretoria, o candidato pode iniciar sua caminhada como integrante em formação. Existe uma mensalidade de R$ 75 destinada à manutenção da estrutura nacional da organização.
A evolução dentro do clube acontece naturalmente, conforme o comprometimento e a participação nas ações. “O mais importante não é a moto. É querer fazer parte, estar disposto a ajudar e compartilhar os mesmos valores”, diz. 
Com a sede estruturada e a regional consolidada, o próximo objetivo é expandir a atuação social para outras localidades, como Ferraria e Balsa Nova. A intenção é ampliar o número de ações e aproveitar o conhecimento dos próprios integrantes para oferecer novos tipos de auxílio à comunidade, como orientações jurídicas, apoio na área da saúde e projetos sociais permanentes.

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