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Quarta-feira | 22 de Novembro de 2017 23:43

Prova de Redação surpreendeu até mesmo os professores de Língua Portuguesa

Com um tema bastante específico, pertinente dentro da sociedade e que merece atenção. Professora comenta a prova e dá dicas para quem ainda irá realizar provas de Redação para vestibulares

Por: Caroline Paulart

A Redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado no primeiro dia de provas (05), surpreendeu alunos e professores de Língua Portuguesa/Redação, mas trouxe um tema pertinente dentro da sociedade e que merece atenção.

Segundo a professora de Língua Portuguesa/Redação, Angela Fernandes, que também é especialista em Educação Inclusiva, o tema é bastante humano, urgente e necessário em nossa sociedade. “O tema segue a tendência do Enem de abordar em seus exames os temas sociais que exigem uma visão humana e empática, exigindo dos candidatos o colocar-se no lugar do outro a fim de sentir ou vislumbrar seus problemas e dificuldades. O que mais surpreendeu no tema foi a sua especificidade. Estamos acostumados a trabalhar e discutir questões de inclusão, mas o tema exigia que o candidato se posicionasse em relação a um grupo específico, pensando nas possíveis limitações que impedem a inclusão efetiva desses sujeitos.”

Os comentários por parte dos alunos da professora Angela não poderiam ser outros, se não a surpresa e a especificidade do tema abordado na prova. Para fazer uma boa prova, a saída, segundo a professora, seria utilizar os textos bases oferecidos na prova, mas de forma mais crítica, o que emanaria um certo tempo para análise e constatação dos argumentos necessários para apresentar na prova. A conclusão deveria ter uma “solução”, que deve sempre aparecer em textos da modalidade dissertativa/argumentativa. Ali, devem ser apontados o agente interventor, que pode ser o governo, a família ou a sociedade, trazendo ideias a serem aplicadas, como seriam feitas e quais os reflexos que ela causaria na sociedade.

A Redação sempre foi uma das provas mais temidas pelos alunos que irão fazer Enem, vestibulares e até para o público de concurso, mas a professora dá uma justificativa para esse temor: “Os alunos, em sua maioria, acreditam que os textos são estruturas prontas, “caixinhas” onde as ideias devem ser encaixadas. É claro que cada gênero textual possui uma estrutura própria que deve ser utilizada e respeitada, porém o mais importante são as ideias, o que se defende. Nenhuma estrutura, por mais fechada que seja, será bem avaliada se os argumentos não forem. A grande dificuldade dos alunos está em ter o que dizer. Escrever pressupõe raciocínio lógico e crítico, seleção de ideias, poder de argumentação e leitura de mundo sobre aquilo que se está escrevendo”.

Mudanças na Redação

Esse ano o Ministério da Educação realizou algumas mudanças em quesitos de avaliação da prova de Redação. A professora Angela explica que a maior mudança foi não obrigatoriedade de propor uma intervenção que respeitasse os direitos humanos sob pena de receber zero na redação, autorizando o aluno a propor soluções pouco humanistas. “É um retrocesso muito grande em todo um caminho da educação no sentido de uma formação humana, integral e emancipatória do indivíduo. A proposta do Enem, porém, continuava trazendo a orientação para que se respeitassem os direitos humanos e penso que nesse tema, havia possibilidades nulas de propor qualquer ação que desrespeitasse o direito do surdo, visto que o primeiro texto de apoio já era a lei que garante o direito à educação para essa população”, comenta.

Provas à vista

Embora o Enem tenha passado, ainda há pela frente alguns vestibulares, inclusive a segunda fase da Universidade Federal do Paraná, que acontecerá no próximo dia 26 para as provas de Redação e 27 para conhecimento específico. Para que os alunos façam uma boa prova de Redação só há um caminho a seguir: manter-se atualizado, ler bastante e conhecer as estruturas textuais.

Refazer provas anteriores também é um ótimo exercício para saber como os temas são tratados.

“No dia da prova, procurar compreender muito bem a proposta, ler os textos de apoio, levantando ideias e argumentos que possam ser utilizados. O que ajuda ainda é elaborar uma espécie de esquema (com as ideias gerais) do que vai se explorado na introdução, no desenvolvimento e na conclusão. Escrita é treino, é trabalho. Não se pode esperar por inspiração ou uma espécie de ‘iluminação mágica’ na hora da prova”, aconselha.

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Sua Opinião





  • Por Periferia - 13 Novembro 2017 | 11h35min

    São palavras vazias quando as ações não condizem com suas falas, sou de escola de periferia mas não favelado não.