A ginasta Eloá Camille de Castro ficou em terceiro lugar na prova de fita do Torneio Regional Sul, realizado em Maringá, garantindo ao município o primeiro pódio em uma disputa dessa dimensão
A Ginástica Rítmica de Campo Largo conquistou, ainda no mês de agosto, um resultado inédito em uma competição que reúne atletas dos três estados do Sul. A ginasta Eloá Camille de Castro ficou em terceiro lugar na prova de fita do Torneio Regional Sul, realizado em Maringá, garantindo ao município o primeiro pódio em uma disputa dessa dimensão. A conquista ocorre em um momento de expansão da modalidade, que atualmente reúne cerca de 700 crianças e adolescentes e já registra procura por novas vagas.

O projeto de Ginástica Rítmica começou em Campo Largo em 2020 e, desde então, passou por um processo de ampliação tanto no número de participantes quanto na estrutura de treinamento das atletas. Atualmente, as ginastas são divididas de acordo com idade, tempo de prática, desenvolvimento técnico e maturidade, em grupos que vão da iniciação às equipes voltadas para competição.
Para Gabriela Gulin, diretora de Treinamento Esportivo e pós-graduada em Ginástica Rítmica, o resultado obtido em Maringá é consequência de um trabalho desenvolvido ao longo de anos. A medalha de Eloá também marca uma mudança no patamar competitivo alcançado pelas ginastas de Campo Largo. Nos últimos meses, os grupos de rendimento passaram a contar com treinamentos mais específicos e maior carga de preparação, além de planejamento das séries e participação em competições de nível técnico mais elevado.
A equipe agora trabalha para ampliar a presença em campeonatos estaduais e regionais e, gradualmente, buscar competições nacionais. A proposta, segundo Gabriela, é avançar sem antecipar etapas da formação. “Queremos consolidar Campo Largo entre as equipes competitivas do Paraná, buscar resultados cada vez mais expressivos em campeonatos estaduais e regionais e, gradativamente, abrir caminho para competições de nível nacional. Mas queremos fazer isso sem pular etapas”, explica a professora.
Da iniciação às competições
A formação das ginastas começa nas turmas de iniciação, onde são trabalhados elementos básicos da modalidade, como coordenação motora, musicalidade, flexibilidade e movimentos corporais. Conforme avançam, as participantes podem ser encaminhadas para os grupos intermediários, companhia e pré-equipe, até chegar à equipe de competição.
A passagem entre os níveis não ocorre apenas pela idade. O tempo de prática, o desenvolvimento técnico e a maturidade também são considerados para definir quando uma ginasta está preparada para assumir uma rotina mais exigente.
A preocupação com essa progressão é uma das características apontadas pela equipe responsável pelo projeto. A ideia é construir uma base antes de aumentar a cobrança por resultados. “Cada criança possui seu próprio tempo de desenvolvimento. Mais do que formar atletas, queremos que a experiência dentro da ginástica seja positiva desde o primeiro contato com a modalidade”, diz Gabriela.
Esse acompanhamento ao longo dos anos também permite que as professoras acompanhem de perto a evolução individual das participantes. Algumas ginastas permanecem no projeto desde a infância e passam por diferentes etapas até chegar aos grupos competitivos. “Não queremos somente descobrir uma atleta pronta. Queremos formar nossas ginastas dentro do próprio projeto, desde os primeiros passos na modalidade até os níveis mais altos que elas possam alcançar”, afirma.
Procura supera oferta em algumas turmas
O crescimento da modalidade também pode ser percebido pela procura pelas aulas. Atualmente, existem turmas com lista de espera, principalmente entre aquelas destinadas à iniciação. O número de crianças aguardando uma vaga muda ao longo do ano conforme ocorrem novas inscrições, desistências e abertura de espaços nas turmas. Por isso, a demanda é atualizada pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer.
Segundo Gabriela, o aumento da procura está relacionado, entre outros fatores, à maior visibilidade que a Ginástica Rítmica conquistou em Campo Largo nos últimos anos. “Existe uma demanda muito grande, o que demonstra o quanto a modalidade cresceu e também reforça a necessidade de continuarmos ampliando estrutura, horários e possibilidades de atendimento”, afirma.
Com aproximadamente 700 participantes, a modalidade está entre as que concentram o maior número de alunos nos projetos esportivos municipais.
Resultados que vão além das medalhas
Apesar do crescimento no cenário competitivo, a equipe responsável pelo projeto avalia que os efeitos da prática podem ser percebidos também fora das apresentações e competições. A Ginástica Rítmica exige repetição dos movimentos, concentração, disciplina, organização e capacidade de lidar com erros. Para as crianças que permanecem por mais tempo na modalidade, essas características acabam fazendo parte da rotina.
Gabriela relata que é comum acompanhar mudanças no comportamento das ginastas ao longo dos anos, especialmente em relação à confiança e à autonomia. “Muitas passam a se posicionar melhor, se comunicar mais, criar autonomia e entender a importância do compromisso com o grupo”, conta.
A convivência entre as atletas também é considerada parte da formação. Embora algumas provas sejam individuais, os treinamentos são realizados coletivamente, e as ginastas aprendem a acompanhar e apoiar o desempenho das colegas. “Elas aprendem a torcer umas pelas outras e a entender que, mesmo sendo um esporte que possui provas individuais, ninguém constrói resultados sozinho”, afirma.
Nesse contexto, o desempenho em competições é apenas um dos indicadores utilizados para avaliar a evolução das participantes. “Para nós, uma medalha é importante, mas perceber que aquela criança se tornou mais segura, responsável e confiante é um resultado tão importante quanto qualquer pódio”, acrescenta Gabriela.
Novo programa municipal
O crescimento da modalidade ocorre também em meio à aprovação, por unanimidade, pela Câmara Municipal, da criação do Programa Municipal de Ginástica Rítmica. A medida cria uma perspectiva de continuidade para o trabalho desenvolvido desde 2020 e pode permitir um planejamento de longo prazo para diferentes etapas da modalidade, da iniciação à preparação de atletas para competições de maior nível.
Na avaliação de Gabriela, a existência de um programa específico pode contribuir para a ampliação do atendimento, a organização dos diferentes níveis de formação, a capacitação dos profissionais e a identificação de novos talentos. “Quando existe um programa municipal instituído, conseguimos pensar a modalidade a longo prazo: desde a criança que está entrando hoje em uma turma de iniciação até aquela atleta que poderá representar Campo Largo em competições estaduais, regionais e nacionais daqui a alguns anos”, finaliza.