A democracia se fortalece quando há participação, responsabilidade e liberdade para discordar, inclusive quando a escolha da maioria não corresponde à nossa
A defesa de mais segurança pública, menos impostos, liberdade para empreender e oportunidades de crescimento está entre os argumentos apresentados por quem apoia Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República. Para esses eleitores, o país precisa de mudanças na condução da economia, no combate à criminalidade e na relação entre o Estado e os cidadãos. Do outro lado, os apoiadores de Lula apontam a importância da manutenção de políticas sociais, da proteção de direitos e da preservação das instituições democráticas. Entre as preocupações manifestadas estão os possíveis retrocessos em áreas sociais, a concentração de poder e os posicionamentos defendidos por integrantes da família Bolsonaro.
As críticas, no entanto, não se restringem a um único campo político, pois há opositores de Lula questionando os resultados econômicos de seu governo e cobrando respostas para problemas como impostos e custo de vida, críticos de Flávio Bolsonaro levantam questionamentos sobre sua trajetória e as questões que marcaram sua atuação pública.
Essa diversidade de argumentos ficou evidente nas publicações da Folha de Campo Largo sobre o tema, que foram realizadas nesta semana, reta final da campanha. Os conteúdos relacionados ao PT e ao PL, no Instagram e no Facebook, somaram 272.809 visualizações, 5.298 curtidas e 4.531 comentários. Os números demonstram a dimensão da discussão provocada pelo assunto e como a disputa política mobiliza diferentes grupos, sem representar, necessariamente uma pesquisa de opinião.
Mais do que a quantidade de interações, chama a atenção o tom de parte das manifestações, onde, entre argumentos sobre economia, segurança, religião e políticas públicas, também aparecem ofensas, acusações e generalizações sobre quem pensa diferente, de esquerda e de direita. Quando a divergência deixa de ser uma discussão sobre ideias e passa a atacar a dignidade do interlocutor, perde-se uma oportunidade de construir um debate que contribua para a compreensão dos problemas do país.
A escolha de um candidato envolve valores, experiências pessoais, expectativas e avaliações sobre os rumos do Brasil. É natural que pessoas que vivem na mesma cidade, compartilham espaços de trabalho e convivem diariamente tenham visões políticas distintas, mas é importante lembrar que nenhum posicionamento partidário, por si só, torna alguém mais ou menos digno de respeito.
Em Campo Largo, assim como no restante do país, a convivência entre diferentes posicionamentos continuará sendo necessária independentemente do resultado das urnas. A escolha da maioria deve ser respeitada, sem que isso impeça a fiscalização, a crítica ou a cobrança por resultados. A democracia se fortalece quando há participação, responsabilidade e liberdade para discordar, inclusive quando a escolha da maioria não corresponde à nossa.