O voto que você colocará na urna neste domingo (04), ultrapassa os limites daquela cabine e do próprio local de votação. As eleições brasileiras despertam atenção dentro e fora do país, porque o Brasil é uma das maiores democracias do planeta, possui um dos maiores eleitorados do mundo e realiza uma eleição nacional em escala continental por meio de um sistema eletrônico capaz de permitir a divulgação dos resultados ainda no mesmo dia. Se você leitor ainda não sabe, em 2026 pelo menos sete organizações internacionais foram credenciadas para acompanhar diferentes etapas do processo eleitoral.
Isso mostra para nós que há algo de grandioso nisso, mas também "profundamente simples". Por trás de toda essa estrutura, de toda a tecnologia, dos debates, das campanhas, das pesquisas, dos candidatos e das disputas partidárias existe uma decisão individual, que está em cada eleitor, que vive na cidade ou no interior; que é analfabeto ou possui pós-doutorado. Todos os votos com o mesmo peso. É justamente por isso que não deveríamos tratar o domingo como apenas mais uma data do calendário, tampouco como um espetáculo político para ser acompanhado a distância, como se o resultado dissesse respeito somente aos candidatos ou aos partidos, quando na verdade ele diz respeito a todos nós.
Importante você ter consciência que a eleição não é um concurso de popularidade, não deveria ser reduzida a torcidas e paixões, nem mesmo ao medo provocado pelo adversário ou à reprodução quase automática de opiniões das redes sociais. O voto é, antes de tudo, uma transferência temporária de poder, que pode gerar êxito ou consequências, compreendendo na prática que o Estado não é uma instituição distante, mas bem presente, dentro do bolso de cada um de nós no aspecto econômico, no momento em que precisamos utilizar serviços públicos, desde a rua em frente de casa até nos remédios disponíveis em hospitais de alta complexidade via SUS.
Por isso, o eleitor não deveria perguntar apenas o que um candidato promete entregar, mas quem pagará as suas promessas, quais serão as consequências, quanto poder será concentrado nas mãos do Estado e quanto espaço permanecerá para a liberdade individual, para as famílias, para as empresas, para as comunidades e para a sociedade civil. É legítimo desejar um Estado que cumpra suas funções essenciais sem tentar ocupar todos os espaços da vida privada, assim como é legítimo defender responsabilidade fiscal porque a conta pública não desaparece quando muda o governo, considerar segurança pública uma obrigação fundamental do poder público, defender a liberdade de expressão, o direito à propriedade, o empreendedorismo e a autonomia das famílias.
Democracia não significa que todos devem pensar da mesma maneira. Significa justamente que pessoas diferentes precisam encontrar uma forma institucional de decidir juntas sobre o futuro de um país que pertence a todas elas. Talvez essa seja a parte mais difícil da maturidade democrática. Neste domingo, portanto, a pergunta mais importante não é simplesmente “quem vai ganhar?”, mas o que vem antes disso tudo, sobre “o que eu considero fundamental para o meu país, para o meu estado”; reflita sobre isso e lembre-se que o voto é secreto, mas a escolha final impacta o coletivo.