A chinesa DFM vai estrar no Brasil em agosto deste ano, durante o Festival Interlagos 2026, conforme Autoesporte contou em primeira mão no mês de abril. Para deixar o anúncio ainda mais marcante, a operação da fabricante, que na China se chama originalmente Dongfeng, corre para tentar iniciar suas vendas no país já tendo a confirmação de produção local nos próximos anos.
A reportagem entende que ainda há negociações abertas com a Nissan para compartilhar a fábrica de Resende (RJ), conforme apurado pela CNN Brasil. Entretanto, a Stellantis entrou na conversa com força para tentar puxar para si uma parceria de produção conjunta com a DFM no Brasil no lugar da rival japonesa.
No programa CBN Autoesporte de 15 de maio, o diretor de operações da DFM no Brasil, Felipe Amaral, já havia indicado uma negociação aberta tanto com a Nissan quanto com a Stellantis, para compartilhar a fábrica de Porto (RJ).
"As duas parcerias mais exitosas [da Dongfeng] na China são com Nissan e PSA [antiga Peugeot-Citroën, atual Stellantis]. Então, naturalmente, esses parceiros já são quase que globais. Essa conversa entre as duas sempre vai existir. Não está cravado, mas sim, uma das opções é a Nissan. [Porto Real] é uma das opções que a gente já olhou também", explicou.
Mais recentemente, no início de junho, o presidente da Stellantis na América do Sul, Hernarder Zola, admitiu em entrevista coletiva a jornalistas que existem conversas entre sua empresa e a DFM para produzir veículos em conjunto no Brasil.
“Sob o ponto de vista de desenvolvimento de produtos, entendemos que, se existir a competitividade adequada, poderemos trazer estes veículos [feitos por Stellantis e Dongfeng em conjunto na China] para o Brasil. São projetos globais, nada específico para o mercado brasileiro”, disse, sem mencionar especificamente a fábrica de Porto Real ou qualquer outra.
Agora, Autoesporte pode afirmar que o namoro entre DFM e Stellantis não se resume a Porto Real, complexo que atualmente produz três carros da Citroën — C3, Basalt e Aircross —, e que vai passar neste mês a produzir também o Jeep Avenger. Este complexo é o ponto central das negociações, visto que o futuro da marca Citroën ainda é incerto no mercado brasileiro em médio prazo e ter uma produção compartilhada ajudaria a manter a fábrica em atividade.
Entretanto, nossa reportagem apurou que a Stellantis negocia também a venda do complexo de Campo Largo para a Dongfeng. O local, desativado em 2022, operou por quase 15 anos como uma fábrica de motores da Fiat, mas atualmente é um espaço sem uso. Fontes familiarizadas com o projeto no estado do Paraná afirmam que reuniões entre representantes das duas montadoras e do governo paranaense vêm sendo realizadas constantemente a esse respeito.
Ainda não está claro se a DFM aproveitaria o local ainda como uma fábrica de motores ou se o renovaria completamente para torná-la uma linha de montagem de automóveis. Também não sabemos, ainda, se a DFM vai fechar só a compra de Campo Largo ou se faria um "combo" com a produção compartilhada também em Porto Real.
De qualquer forma, Autoesporte pode afirmar que a fabricante chinesa não descarta a hipótese de ter parcerias produtivas tanto com Nissan quanto com Stellantis no Brasil, em vez de escolher apenas uma delas. Afinal, esta é também uma decisão política, que envolve dois parceiros estratégicos da matriz da na China. Seja como for, o martelo deve ser batido até o fim de agosto, para que o anúncio da marca no Festival Interlagos ocorra já com a fábrica definida.