Quinta-feira às 05 de Marco de 2026 às 06:32:54
Policial

Apreensão milionária de crack em Campo Largo pode estar por trás de investigação contra nove PMs

Apreensão milionária de crack em Campo Largo pode estar por trás de investigação contra nove PMs

Nove policiais militares do Paraná são investigados por suspeita de envolvimento no desaparecimento de parte de uma grande apreensão de drogas. O caso pode estar relacionado a disputas no tráfico, um falso sequestro e homicídios registrados em Curitiba e na Região Metropolitana. As informações são da Ric RECORD.

Três dos policiais já aparecem formalmente afastados. Eles perderam, inclusive, o direito ao porte de arma. A suspeita é de que parte das drogas apreendidas em operações não teria sido apresentada oficialmente, o que teria alimentado disputas internas no tráfico e desencadeado uma sequência de crimes violentos.

 

Suspeita de desvio de 300 kg de crack

Uma apreensão realizada em outubro do ano passado, em Campo Largo, teria totalizado 300 quilos de crack. No entanto, apenas 30 quilos da droga teriam sido oficialmente apresentados pelas equipes responsáveis.

A diferença — cerca de 270 quilos — levantou suspeitas internas e deu origem a uma investigação conduzida por setores de inteligência da própria corporação. O valor estimado da carga completa seria de aproximadamente R$ 45 milhões.

Os policiais citados na apuração atuavam no 33º Batalhão da Polícia Militar, na região central de Curitiba, e integravam a ROTAM (Rondas Ostensivas Tático Móvel). Os três já foram afastados das funções e perderam o direito ao porte de arma.

Outros policiais também estariam na lista de investigados pela Corregedoria da PM, totalizando nove nomes.

 

Sequestro com falsos agentes do Gaeco

Outro ponto central do caso envolve o sequestro e morte de Lucas Joaquim, ocorrido em novembro, no bairro Sítio Cercado, em Curitiba. Segundo as informações homens armados se apresentaram como agentes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) para retirar a vítima de casa. Horas depois, o corpo foi encontrado na Cidade Industrial de Curitiba.

O principal suspeito é Douglas Hartkoff, conhecido como “Anão”, apontado como uma liderança no tráfico de drogas na capital. A suspeita é de que o grupo tenha simulado uma operação oficial para sequestrar, torturar e matar a vítima.

Em entrevista ao repórter Ricardo Vilches, da Ric RECORD, o delegado responsável pelo caso, Diego Valim, explicou como teria ocorrido o caso.

“Testemunhas relataram que eles queriam informação de um quarto indivíduo que não estaria entre os três ocupantes lá, os três indivíduos que estavam na residência. Então eles levaram essas pessoas para uma área de mata, torturaram essas pessoas com intuito de obter essas informações a respeito do desvio dessa carga de drogas, de armas e de onde estaria esse outro indivíduo”, afirmou o delegado.

Segundo os depoimentos colhidos dos sobreviventes, os criminosos questionavam sobre o paradeiro de uma carga de drogas que teria desaparecido após a apreensão.

 

Caminhonete com placa clonada e confronto em Araucária

Os suspeitos utilizaram uma caminhonete preta no sequestro. O veículo foi identificado por radares em Curitiba e localizado em uma residência no bairro Capela Velha, em Araucária. A placa seria clonada de um carro roubado em Santa Catarina.

Durante a ação policial no local, um homem identificado como Yuri Lobo teria reagido e morreu em confronto com a PM. Dentro do imóvel, foram encontrados balaclavas, rádios comunicadores e pistolas, que teriam sido utilizados na simulação da falsa operação.

Os depoimentos de dois sobreviventes do sequestro teriam sido determinantes para que a polícia chegasse ao endereço.

 

Abordagem na BR-369 amplia investigação

Outro episódio envolve uma abordagem na BR-369. Um caminhão-cegonha que saiu de Cascavel em direção a Juranda foi parado por homens armados que buscavam cocaína supostamente transportada na carga.

Como nada foi encontrado, o motorista foi liberado e acionou a Polícia Rodoviária Federal. Horas depois, o carro utilizado na abordagem — um Cruze vermelho — foi interceptado.

Dentro do veículo estavam quatro homens, entre eles Lucas Joaquim, antes de ser sequestrado e morto. Dois dos ocupantes eram policiais militares da 1ª Companhia do 13º Batalhão, no bairro Portão, em Curitiba. Eles também estariam na lista de investigados pela Corregedoria da PM.

 

Defesa e andamento das investigações

A defesa dos três policiais da Rotan citados informou, em nota à Ric RECORD:

“Em respeito ao sigilo que recai sobre a investigação e ao processo e as garantias ao devido processo legal, o escritório Chiquini Advogados não vai se manifestar perante a imprensa do caso.”

Os policiais mencionados permanecem afastados das funções e sem porte de arma.

As investigações seguem em andamento sob responsabilidade da Corregedoria da Polícia Militar e demais órgãos competentes. A apuração busca esclarecer o possível desvio da droga, a relação entre agentes públicos e integrantes do tráfico e a eventual conexão com homicídios registrados recentemente em Curitiba e na Região Metropolitana.

 

Caso é exibido em série especial do Balanço Geral

As informações divulgadas integram na série especial de reportagens Rota 33, exibida no programa Balanço Geral, da Ric RECORD, que detalha as investigações sobre a suspeita de desvio de drogas e a possível relação entre agentes públicos e integrantes do tráfico na Grande Curitiba.

Novas reportagens devem aprofundar a apuração dos fatos e trazer outros desdobramentos do caso.

 

04/03/2026