Levantamento realizado pela Folha de Campo Largo em três supermercados da cidade, identificados como A, B e C, revelou variações nos preços de ovos de Páscoa e chocolates neste ano. A pesquisa foi feita na manhã de terça-feira (17), em cerca de uma hora, considerando marcas, gramaturas e valores praticados nos estabelecimentos. Os preços podem sofrer alterações ao longo dos próximos dias.
A comparação mostra que o consumidor pode economizar ao pesquisar antes de comprar. Esse comportamento, inclusive, aparece entre os próprios leitores da Folha. Em enquete realizada nas redes sociais, 66% dos participantes afirmaram que costumam fazer pesquisa de preços antes de ir às compras de Páscoa. Outros 27% disseram que não pesquisam e 7% responderam que já compram sempre em um local específico.
Ferrero e Kinder têm diferenças relevantes
Entre os produtos avaliados, os ovos da marca Ferrero Rocher registraram diferenças expressivas. A versão de 225g foi encontrada por R$ 114,99 no mercado A, R$ 108 no mercado B e R$ 109,99 no mercado C. Já o modelo Collection, de 354g, variou de R$ 129 no mercado B a R$ 139,99 no mercado C.
Nos produtos da linha Kinder, bastante procurados por famílias com crianças, o ovo de 150g custava R$ 104,99 no mercado A, enquanto era vendido por R$ 99 no mercado B e R$ 99,99 no mercado C. A versão de 100g também apresentou oscilação: R$ 84,89 no mercado A, R$ 79 no mercado B e R$ 79,99 no mercado C.
Os dados dialogam com outra percepção apontada pelos seguidores da Folha. Quando questionados sobre o hábito de compra na Páscoa, 36% disseram que compram chocolates apenas para as crianças da família. Outros 28% afirmaram que sempre compram, enquanto o mesmo percentual, 28%, respondeu que dificilmente faz esse tipo de compra. Já 8% disseram preferir chocolates artesanais.
Diferenças em marcas populares
Entre os ovos da Lacta, a variação também chamou atenção. O ovo ao leite de 157g foi encontrado por R$ 49,90 no mercado A e por R$ 59,98 nos mercados B e C. Já o Diamante Negro e Laka, com cerca de 160g, chegaram a custar R$ 49,99 no mercado C, enquanto no mercado B estavam em R$ 59,98.
Nos modelos maiores, com aproximadamente 500g, os preços ficaram mais próximos, variando entre R$ 114,90 e R$ 119,99. Já os ovos infantis com brindes tiveram oscilações mais expressivas, indo de R$ 69 a R$ 89,98, dependendo do personagem e do estabelecimento.
A marca Garoto também apresentou diferenças. O ovo Talento, de 350g, foi encontrado por R$ 92,99 no mercado A e por R$ 86,98 no mercado B. Já opções como Serenata, Caribe e Crocante variaram entre R$ 56,98 e R$ 66,90, conforme o local.
Nos ovos da Nestlé, o Alpino, com cerca de 349g, foi encontrado por R$ 92,99 no mercado A, R$ 89,00 no mercado B e R$ 89,99 no mercado C. Já o KitKat apareceu em dois mercados, com preços próximos de R$ 89. Outros sabores, como Prestígio, Charge e Crunch, também oscilaram, com valores entre R$ 62,00 e R$ 66,99. Em alguns casos, determinados produtos não estavam disponíveis em todos os estabelecimentos pesquisados.
Os itens menores, que costumam ser alternativa para quem quer economizar, também apresentaram variação. Barras de chocolate de 80g foradm encontradas por valores entre R$ 5,49 e R$ 9,96, enquanto caixas de bombom variaram de R$ 11,99 a R$ 13,99.
Mesmo com preços mais baixos em relação aos ovos de Páscoa, esses produtos também vêm sendo impactados pela alta dos custos e já não têm os mesmos valores de anos anteriores. Na enquete feita pela Folha, a maioria dos participantes disse pagar as compras à vista, somando 57% das respostas. Outros 33% afirmaram que parcelam sempre que possível, enquanto 10% disseram utilizar benefícios, como vale-alimentação.
De 2018 a 2026, preços chegam a mais que dobrar
A comparação entre levantamentos realizados pela Folha de Campo Largo em 2018, 2025 e 2026 mostra que os preços dos chocolates registraram alta expressiva ao longo dos anos, em muitos casos mais que dobrando de valor.
Em 2018, primeira matéria da série histórica, ovos de Páscoa de marcas tradicionais, com cerca de 200g a 300g, eram vendidos, em média, entre R$ 30 e R$ 50. Em 2025, esses mesmos produtos passaram para uma faixa entre R$ 50 e R$ 80, o que representa aumento aproximado de 60% a 70%. Já em 2026, os preços avançaram ainda mais, partindo de cerca de R$ 60 e ultrapassando os R$ 100 em alguns casos.
Outro exemplo é o ovo Ferrero Rocher de 365g. Em 2018, ele custava entre R$ 69,90 e R$ 78,58. Em 2025, passou para cerca de R$ 124,00 a R$ 129,00, uma alta próxima de 70%. Em 2026, chega a R$ 139,99, acumulando aumento superior a 90% no período analisado.
O Kinder de 150g, bastante procurado pelo público infantil, também apresentou aumento relevante. Em 2018, era vendido por cerca de R$ 53,00. Em 2025, foi encontrado entre R$ 88,00 e R$ 99,00. Agora, em 2026, ultrapassa os R$ 100 em alguns estabelecimentos, praticamente dobrando de valor.
A comparação considera produtos semelhantes em marca e faixa de peso, embora possam existir variações de gramatura e apresentação ao longo dos anos, conforme mudanças feitas pelas fabricantes. Ainda assim, os dados apontam uma tendência consistente de aumento nos preços.
Percepção do consumidor acompanha alta
A percepção dos consumidores também indica que o chocolate está mais caro e tem pesado no orçamento das famílias. Entre as mensagens enviadas à Folha após enquete nas redes sociais, leitores classificaram os preços como “fora da realidade salarial do brasileiro” e “absurdamente caros”. Outros apontaram ainda a redução de gramatura associada ao aumento dos valores cobrados.
O cenário ajuda a explicar o porquê tantos consumidores têm adotado estratégias como pesquisar preços, reduzir a quantidade comprada ou concentrar a compra apenas nas crianças da família.
Segundo o Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), em dados divulgados pelo Globo Rural, o encarecimento do chocolate no Brasil é um problema estrutural, que envolve desde a matéria-prima até custos com energia, frete e embalagens.
Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, indicam que chocolates em barra e bombons acumulam alta de 24,77% em 12 meses até janeiro de 2026, bem acima da inflação geral de 4,44%. Mesmo com a recente queda na cotação internacional do cacau, os preços seguem elevados, refletindo impactos em toda a cadeia produtiva. Apesar disso, a indústria brasileira de chocolates projeta crescimento para a Páscoa de 2026.