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Fábula de Páscoa transforma o tempo de espera no Hospital Infantil que atende todo o Paraná

Fábula de Páscoa transforma o tempo de espera  no Hospital Infantil que atende todo o Paraná

Nos corredores de um hospital, o tempo costuma ter um peso diferente. Para as crianças, cada minuto na sala de espera pode parecer uma eternidade; para as mães, um exercício de paciência e ansiedade. No entanto, o projeto Medicando Alegria mostra que arte pode ressignificar o ambiente clínico e, com foco na Páscoa, traz a história da "Dona Galinha e o Ovo de Páscoa".

A encenação, que percorreu as recepções e as alas do Hospital Infantil Waldemar Monastier (HIWM), em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, utiliza a figura da Dona Galinha para ensinar sobre o cuidado, a dedicação e a beleza da vida que surge no momento certo. Mas, para além do roteiro, a verdadeira história de renascimento aconteceu nos olhos de quem assistia.

Assim como a Dona Galinha da fábula, que cuida do seu ovo com zelo até que a vida rompa a casca, as mães que frequentam o hospital vivem ciclos de espera. Carolina Schmidt de Lima, moradora de Campo Largo, conhece bem essa rotina. Há dois meses acompanhando a filha em consultas com a nutróloga, ela viu o ambiente se transformar através da arte. "Acho bastante interessante porque traz uma alegria à vida das crianças. Às vezes, elas ficam entediadas com a espera, que demora, mas essa alegria faz com que se sintam melhor", relata Carolina. Ela comenta de quando a filha, contagiada pela narrativa, deixou de ser apenas uma espectadora. "Minha filha falou: 'Mamãe, eu quero ficar ali para ver'. O rapaz a chamou para participar e vi que ela ficou bem feliz", conta a mãe.

Enquanto muitos neste período focam no consumo, a Dona Galinha do Medicando Alegria trouxe um novo sabor para a data: o acolhimento. A dinâmica lúdica de chocar o ovo de Páscoa diante das crianças serviu como uma metáfora poderosa para o próprio tratamento de saúde, um processo que exige tempo, cuidado e, acima de tudo, esperança.

Para os profissionais de saúde e familiares, o impacto é visível. Quando a arte entra em cena, o hospital deixa de ser apenas um lugar de dor para se tornar um espaço de vida. A história da Dona Galinha lembra a todos que, mesmo nos momentos de maior espera, algo novo e alegre pode estar prestes a nascer.

A experiência de Carolina não é apenas como espectadora, ela já trabalhou com instituições semelhantes e entende o valor social e emocional desse trabalho. Segundo ela, para as mães, ver o filho sorrir em um momento de dor ou desconforto é um alívio imensurável. "Para a gente, como mãe, que às vezes vê a criança chorando, é excelente. Eles recebem uma atenção especial e se sentem especiais naquele momento", relata.

Criado pelo artista Toto Lopes, que atua há 15 anos como voluntário dentro do hospital infantil, o projeto já alcançou cerca de 160 mil pessoas em todo o Paraná desde o início das atividades. O projeto Medicando Alegria é realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Caterpillar, Cimento Itambé, e realização de Toto Lopes, Ministério da Cultura e Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.

Fotos: Lucas Rachinski

 

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