Com 34 anos dedicados à espiritualidade e à preservação das tradições do Candomblé, o Babalorixá Adriano de Xangô construiu uma trajetória marcada pela fé, acolhimento e compromisso com a religião de matriz africana em Campo Largo. Adriano faleceu no mês de maio, causando grande comoção entre familiares, amigos e membros da comunidade.
Iniciado em agosto de 1992, em Salvador, Bahia, Adriano de Xangô teve sua trajetória religiosa registrada junto à Federação do Culto Afro Brasileiro (FENACAB). Desde então, manteve firme sua missão espiritual à frente do Ilê Axé Obá Inã, no Bom Jesus, onde dedicou décadas ao cuidado espiritual de filhos de santo, amigos e frequentadores da casa.
Reconhecido pelo coração generoso e pela disposição em ajudar quem o procurava, Adriano deixa um legado que ultrapassa os limites da espiritualidade. Para aqueles que conviveram com ele, ficam as lembranças da alegria, serenidade, força de vontade e ensinamentos transmitidos.
Na tradição das religiões de matriz africana, a partida de um Pai de Santo representa um momento de profunda transformação espiritual. É entendida como a passagem para o Orun, o mundo espiritual, onde o líder religioso passa a ocupar o lugar de ancestral, mantendo viva sua presença através da memória, fé e ensinamentos deixados à comunidade. “Sua história já está escrita na eternidade. Estaremos sempre levando em frente sua luz, sua história, seu amor pela vida e pela religião. Obá Kaô Kabecilê!”, finaliza a homenagem.