21/09/2012
Segundo informações do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Curitiba e região, 212 agências foram fechadas em Curitiba e região metropolitana devido à greve nacional dos bancários, além dos 13 centros administrativos. Mais de 12.500 bancários da base do Sindicato estão na luta por melhores condições de trabalho e remuneração justa.
Para evitar transtornos, os clientes que precisam de serviços bancários podem recorrer aos meios eletrônicos. Operações como pagamentos, consulta a saldo/extrato e transferências podem ser feito em caixas eletrônicos, banco 24 horas, pela internet e até por aplicativo no celular. Pagamentos e alguns depósitos também podem ser feitos em caixas lotéricas.
A greve teve início na manhã de terça-feira (18) e não tem prazo para terminar. Tudo vai depender da negociação entre os trabalhadores e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Eles lutam por aumento salarial de 10,25% (aumento real de 5%), mas até agora os bancos ofereceram apenas um aumento de 6% (aumento real de 0,58%)
Segundo Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores - Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários, “os bancos, apesar de formarem o setor mais sólido e lucrativo da economia, não apresentaram até agora uma proposta decente que contemple as reivindicações da categoria. Os seis maiores bancos, que empregam mais de 90% da categoria, lucraram R$ 25,2 bilhões somente no primeiro semestre. E ainda provisionaram R$ 39,15 bilhões para devedores duvidosos (PDD), 64,3% a mais que o lucro líquido. É um disparatado truque contábil para uma inadimplência que cresceu apenas 0,7 pontos percentuais no mesmo período”.
As instituições financeiras apresentaram proposta para reduzir a PLR e, em contrapartida, os bancários reivindicam um novo cálculo da PLR, equivalente a três salários mais R$ 4.961 fixos, o que está sendo rejeitado.
“Ao também negarem reajuste decente no piso, os bancos mais uma vez demonstram ganância excessiva e falta de respeito em relação àqueles que produzem os seus resultados fantásticos. Ao contrário desse tratamento de arrocho para com os trabalhadores, os bancos aumentam de forma desproporcional a remuneração já milionária de seus altos executivos. É uma premiação àqueles encarregados de promover a redução de custos com enxugamentos de salário e emprego, de fixar as metas abusivas, incentivar o assédio moral e investir pouco em segurança”, afirma Carlos Cordeiro.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Contraf-CUT, o piso salarial dos bancários brasileiros é um dos mais baixos no continente. “É essa diferença de tratamento entre a base e o topo da pirâmide social que dá ao Brasil papel de destaque em um vergonhoso ranking: é um dos 12 países mais desiguais do planeta e o quarto com a pior distribuição de renda na América Latina”, reclama.