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Campanha para ajudar vítimas de terremotos na Venezuela é ampliada em Campo Largo

Campanha para ajudar vítimas de terremotos na Venezuela é ampliada em Campo Largo

A mobilização para ajudar as vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela ganhou ainda mais força em Campo Largo. A campanha, idealizada pela venezuelana Estefanía Carolina Guillén Rodríguez, agora conta com o apoio da Fundação Irmandade Sem Fronteiras, da qual ela passou a ser representante no município, ampliando a rede de arrecadação de donativos destinados às regiões devastadas.
Segundo Estefanía, os dois pontos de coleta continuam recebendo doações, sendo eles o Colégio Cívico-Militar Macedo Soares e o Instituto Federal do Paraná (IFPR) – Campus Campo Largo. 
A iniciativa nasceu da angústia vivida por Estefanía ao acompanhar, à distância, a tragédia em seu país de origem. Ela conta que percebeu que algo grave havia acontecido enquanto se preparava para assistir a um jogo do Brasil na Copa do Mundo. Durante uma ligação para a avó, que mora na Venezuela, a comunicação foi interrompida repentinamente. “Na hora não dei muita atenção, mas depois comecei a ver nos status de vários amigos venezuelanos a palavra ‘temblor’. Fiquei desesperada porque minha avó mora em uma cidade com grandes represas e eu não sabia onde tinha acontecido o terremoto. Também temos um familiar que é policial e trabalha em várias regiões do país. Foram momentos de muita angústia até conseguirmos notícias de que eles estavam bem.”
Apesar do alívio por seus familiares estarem seguros, os dias seguintes foram marcados pela preocupação. Ela conta que chegou a frequentar a faculdade, mas não conseguia esconder a tristeza. Na volta para casa, já à noite, passou a acompanhar imagens das áreas atingidas. “Comecei a ver as notícias mais pesadas, mostrando crianças, famílias inteiras vítimas do terremoto. Eu só chorava e pedia para Deus me mostrar como poderia ajudar. Na Venezuela me formei em Licenciatura em Administração e Gestão de Riscos, uma área que atua justamente em situações de desastres. Eu queria estar lá ajudando, mas não podia, então acho que foi Deus quem colocou essa ideia no meu coração”, relembra.
Ainda durante a madrugada, ela começou a entrar em contato com colegas de faculdade e professores em busca de apoio para organizar uma campanha de arrecadação. Procurou também a direção do Colégio Cívico-Militar Macedo Soares, que aceitou prontamente se tornar um ponto de coleta e posteriormente, a iniciativa também foi abraçada pelo IFPR.
A repercussão nas redes sociais fez com que Estefanía entrasse em contato com um influenciador, que a colocou em contato com integrantes da Fundação Irmandade Sem Fronteiras, organização humanitária sediada em Curitiba. Após conhecer o trabalho desenvolvido pela instituição, ela foi convidada para representar a fundação em Campo Largo.
“Não imaginava que a campanha tomaria essa proporção e hoje faço parte de algo muito maior. Recebi orientações sobre quais são as necessidades mais urgentes. As roupas e calçados já estão sendo atendidos, mas ainda há uma grande demanda por medicamentos, materiais para curativos, pomadas para queimaduras, medicamentos infantis, álcool, gazes, ataduras, além de ferramentas e equipamentos de proteção individual para as equipes que trabalham nos resgates”, explica.
Entre os itens prioritários estão alimentos não perecíveis, água potável, leite em pó, fórmulas infantis, produtos de higiene pessoal, fraldas, medicamentos básicos, kits de primeiros socorros, além de luvas, capacetes, óculos de proteção, pás, picaretas, lanternas, baterias portáteis e outros equipamentos utilizados nas operações de busca e salvamento.

História marcada pela imigração
A tragédia também despertou lembranças da própria trajetória de Estefanía. Ela chegou ao Brasil em 2021, durante a pandemia da Covid-19, em busca de melhores condições de vida para a filha. “Foi muito difícil chegar ao Brasil. Como tudo estava fechado, praticamente cruzamos a fronteira a pé, pegamos caronas em caminhões, enfrentamos chuva, passamos fome e ficamos mais de quinze dias dormindo nas ruas da região da fronteira, junto com milhares de venezuelanos”, conta.
Ela relembra que muitos compatriotas que haviam deixado o Brasil recentemente para retornar à Venezuela, acreditando em uma melhora da situação política e econômica do país, acabaram sendo vítimas da tragédia. “Sei de histórias de pessoas que voltaram e infelizmente faleceram nesta tragédia. Outras perderam familiares ou perderam tudo o que tinham. Eu sinto a dor dos meus irmãos porque somos da mesma terra e o povo venezuelano é muito unido. Sou muito grata por toda a solidariedade que estamos recebendo, principalmente do Brasil e do Governo do Paraná, que responderam rapidamente para ajudar.”

Desastre já soma mais de 2,2 mil mortes
Os dois terremotos que atingiram a Venezuela no dia 24 de junho provocaram uma das maiores tragédias da história recente do país. Segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira (1º) pelo presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, o número de mortos chegou a 2.295 pessoas.
Além disso, 11.267 pessoas ficaram feridas ou desabrigadas, enquanto as equipes de resgate seguem atuando nas áreas afetadas. Mais de 4 mil socorristas internacionais trabalham em conjunto com cerca de 26 mil profissionais venezuelanos nas operações de busca. Desde o desastre, já foram registradas 782 réplicas sísmicas, mantendo o risco para moradores e dificultando os trabalhos de resgate.
A Agência da ONU para Refugiados (Acnur), responsável pela coordenação das ações de proteção e abrigo, alertou que a situação humanitária continua se agravando. Segundo o organismo, as regiões atingidas enfrentam grave escassez de alimentos, colapso dos serviços básicos e aumento dos riscos para a população deslocada.
A campanha em Campo Largo permanece aberta à participação da comunidade. Segundo Estefanía, qualquer contribuição representa esperança para milhares de famílias que agora precisam reconstruir suas vidas após a tragédia. Mais informações ou dúvidas, ou se alguém quiser disponibilizar um ponto de coleta pode entrar em contato diretamente com a Estefanía pelo WhatsApp (41) 99109-7441.

Foto: Médico Sem Fronteiras

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