Opinião

Corrente do bem sem fronteiras

Corrente do bem sem fronteiras

Há momentos em que as manchetes deixam de ser apenas notícias e passam a ser um convite à reflexão. Nestes últimos dias, enquanto boa parte do mundo volta seus olhos para a Copa do Mundo e celebra o esporte, milhares de famílias venezuelanas enfrentam uma realidade devastadora. O terremoto que atingiu o país já provocou mais de dois mil mortos, deixou mais de 11 mil feridos e transformou lares, bairros e histórias em escombros. Em meio a esse cenário de dor, uma certeza também se fortaleceu, de que a solidariedade continua sendo uma das maiores virtudes humanas.
A campanha de arrecadação organizada em Campo Largo para auxiliar as vítimas encontrou uma resposta que merece ser destacada. Foram várias mensagens, compartilhamentos e doações efetivas; somente em nosso perfil no Instagram, a publicação alcançou quase 40 mil pessoas, e mais do que os números, o que chama atenção é a disposição das pessoas em perguntar como ajudar, onde entregar as doações e de que forma poderiam contribuir.
Talvez isso aconteça porque as imagens vindas da Venezuela nos lembrem que tragédias naturais não escolhem endereço. Entre os escombros estão famílias inteiras, casais que partiram juntos, crianças que perderam seus pais, pessoas que não têm mais uma casa para voltar e comunidades inteiras tentando reconstruir a própria vida, tornando  impossível assistir a essas cenas sem ser tocado. E, para muitos venezuelanos que hoje vivem em Campo Largo, a dor tem um peso ainda maior. Além da preocupação com parentes e amigos que permaneceram em seu país, revive-se a lembrança de tudo o que precisaram deixar para trás em busca de uma oportunidade de recomeçar.
Talvez convivamos diariamente com esses vizinhos sem conhecer suas histórias; encontramos eles no comércio, nas empresas, nas escolas, nas igrejas e nas ruas da cidade, mas raramente perguntamos de onde vieram, quais dificuldades enfrentaram ou quais sonhos carregam consigo. Exercitar esse olhar mais atento também é uma forma de solidariedade. Campo Largo já demonstrou esse espírito em outras ocasiões. Em 2024, quando as enchentes castigaram o Rio Grande do Sul e atingiram milhões de pessoas, nossa população respondeu prontamente às campanhas de arrecadação, mostrando que a distância geográfica nunca foi obstáculo para quem deseja estender a mão ao próximo. Agora, mais uma vez, vemos esse sentimento florescer diante de uma tragédia que ultrapassa fronteiras e idiomas.
Existe também uma recompensa silenciosa em ajudar. Quem dedica um pouco do seu tempo, doa um alimento, uma peça de roupa ou simplesmente se dispõe a ouvir alguém descobre que a solidariedade transforma não apenas quem recebe, mas também quem oferece. Conhecer histórias de superação, compreender diferentes realidades e perceber que pequenas atitudes podem aliviar grandes sofrimentos nos torna pessoas mais humanas e uma sociedade mais forte.

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