Quarta-feira às 11 de Marco de 2026 às 03:20:12
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Nova regra do Imposto de Renda amplia isenção e aumenta salário líquido a partir de 2026

Nova regra do Imposto de Renda amplia isenção e aumenta salário líquido a partir de 2026

A nova tabela do Imposto de Renda (IR) de 2026, em vigor desde 1º de janeiro, trouxe mudanças que impactam milhões de trabalhadores em todo o país. A principal novidade é a isenção total para quem ganha até R$ 5 mil por mês, além da redução gradual do imposto para rendas de até R$ 7.350. O benefício foi instituído por meio de lei sancionada em 26 de novembro de 2025, que ampliou a faixa de isenção do tributo.
A Folha conversou com o contador Joelson Bortolozo Coldebella, que explicou quem são os beneficiados pela mudança. “Quem recebe até R$ 5 mil por mês em rendimentos tributáveis, como salário, aposentadoria, honorários e aluguéis, não tem mais Imposto de Renda retido na fonte desde janeiro de 2026. Ou seja, o imposto que era descontado do salário ou de outros rendimentos deixa de existir nessa faixa salarial. Essa mudança foi criada para reduzir a carga tributária sobre a maior parte dos trabalhadores e contribuintes com renda baixa ou média”, afirma.
Ele explica ainda que, para quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 por mês, haverá um desconto gradual no imposto, com alíquota menor do que a atual, até que se chegue à faixa normal de tributação. As novas regras já estão em vigor desde 1º de janeiro de 2026, o que significa que os rendimentos recebidos a partir dessa data já são calculados com base na nova isenção e nos eventuais descontos na fonte, como ocorre no contracheque.
“A declaração anual do Imposto de Renda referente ao ano-base 2026 será entregue em 2027, quando essas regras serão refletidas no ajuste anual. Antes disso, para rendimentos de 2025, por exemplo, as regras atuais continuam valendo normalmente, tanto para os cálculos quanto para a declaração entregue em 2026”, completa o contador.
Segundo Coldebella, o impacto principal é o aumento direto do salário líquido, ou seja, mais dinheiro no bolso do trabalhador todos os meses. “Antes de 2026, quem ganhava acima de cerca de R$ 2.640 já tinha Imposto de Renda descontado do salário. O tipo de economia que uma pessoa pode ter ao longo do ano vai depender da renda mensal. Um trabalhador que recebe R$ 4 mil por mês, por exemplo, antes de 2026 tinha um desconto médio de IR de R$ 133 mensais. Como não haverá esse desconto em 2026, o ganho anual será de aproximadamente R$ 1.596 a mais no salário”, explica.
Para quem ganha acima de R$ 5 mil e até cerca de R$ 7 mil por mês, o Imposto de Renda não deixa de ser cobrado de forma imediata, mas passa a ser reduzido gradualmente. Quanto mais próximo de R$ 7 mil estiver o salário, menor será o desconto aplicado e maior será o imposto devido. A partir de aproximadamente R$ 7 mil mensais, volta a valer a tabela normal do Imposto de Renda, sem qualquer benefício adicional.

Haverá mudanças na Declaração do Imposto de Renda?
Questionado sobre possíveis mudanças na entrega da declaração, o contador esclarece que, mesmo com a ampliação da isenção, a obrigação de declarar não desaparece automaticamente. “Em 2026, continuará obrigado a entregar a declaração quem, em 2025, ano-base, teve rendimentos tributáveis acima do limite anual definido pela Receita Federal, que ainda não publicou a instrução normativa com regras e valores; recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados na fonte acima do limite anual; teve ganho de capital, como na venda de imóveis ou outros bens; realizou operações em bolsa de valores; possuía bens e direitos acima do valor mínimo exigido; passou à condição de residente no Brasil em qualquer mês do ano; ou exerceu atividade rural com receita acima do limite ou deseja compensar prejuízos”, orienta. Segundo ele, ganhar até R$ 5 mil por mês não elimina automaticamente a obrigação de declarar, caso o contribuinte se enquadre em algum desses critérios.
Coldebella ressalta que poderão ficar dispensadas da declaração as pessoas que, ao mesmo tempo, recebam até R$ 5 mil por mês em rendimentos tributáveis, não tenham outras rendas relevantes, como aluguéis, investimentos ou ganhos de capital, não possuam bens acima do limite definido pela Receita Federal, não realizem operações em bolsa e não se enquadrem em nenhuma outra regra de obrigatoriedade. Nesses casos, além de não pagar Imposto de Renda, a pessoa também pode ficar dispensada de entregar a declaração anual.

Ponto de atenção importante
“A isenção do imposto não é a mesma coisa que isenção da declaração. Muitos contribuintes continuarão declarando mesmo sem imposto a pagar, especialmente para manter o CPF regular, comprovar renda, atualizar o patrimônio ou solicitar crédito e financiamentos. A declaração do Imposto de Renda exercício 2026, ano-calendário 2025, não está incluída dentro da regra de isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Essa mudança da lei só terá aplicabilidade na declaração entregue em 2027”, diz.

Tributação mínima para altas rendas
Joelson explica que a tributação mínima para altas rendas é uma nova regra criada para garantir que pessoas com rendimentos muito elevados paguem um percentual mínimo de Imposto de Renda, mesmo que hoje utilizem isenções, benefícios ou rendas pouco tributadas. “A regra atinge pessoas físicas com renda anual total elevada, a partir de aproximadamente R$ 600 mil por ano. Quanto maior a renda, maior pode ser a alíquota mínima, chegando a até 10% para rendimentos muito altos. Ou seja, não afeta a maioria da população, mas sim contribuintes de alta renda”, conclui.
Para verificar se o imposto mínimo foi atingido, entram no cálculo praticamente todas as fontes de renda, inclusive aquelas que hoje pagam pouco ou nenhum imposto, como salários e pró-labore, lucros e dividendos, rendimentos de aplicações financeiras, aluguéis, ganhos de capital (como venda de imóveis ou participações) e outros rendimentos hoje isentos.