Quarta-feira às 11 de Marco de 2026 às 03:13:07
Política

Vereadores ouvem sociedade civil, cultura, indústria e comércio sobre feriado municipal

Vereadores ouvem sociedade civil, cultura, indústria e comércio sobre feriado municipal

A Câmara Municipal de Campo Largo realizou, no dia 5 de março de 2026, uma reunião para debater o Projeto de Lei do Legislativo nº 13/2026, que propõe instituir o dia 23 de fevereiro como feriado municipal, em comemoração à emancipação política do município.

A discussão foi convocada pelo autor do projeto, vereador Luiz Scervenski, e reuniu representantes da sociedade civil, da indústria, do comércio e da área cultural. O objetivo do encontro foi ouvir diferentes pontos de vista sobre os possíveis impactos e significados da criação do feriado. Atualmente, Campo Largo possui apenas um feriado municipal, celebrado no dia 2 de fevereiro, em homenagem à Padroeira do município.

Também acompanharam a reunião os vereadores André Gabardo, Ademir Tomazina, Rafael Freitas, Victor Bini, Polaco Preto, Rogério das Tintas, Júnior Andreassa, Athos Martinez e Rogério da Viação.

O projeto em análise estabelece que o dia 23 de fevereiro passe a ser feriado municipal em Campo Largo, em alusão à emancipação política da cidade.

Durante a reunião, a diretora do Departamento de Patrimônio e Espaços Culturais, Lindamir Maria Ivanoski, destacou a importância histórica da data, mas ponderou que as celebrações podem ocorrer independentemente da criação de um feriado. Segundo ela, o mais importante é valorizar a história local. “Considerando a emancipação política de Campo Largo, a data de 23 de fevereiro deve ser celebrada pelos cidadãos campo-larguenses, independentemente do feriado. Podem ser feitas diversas celebrações envolvendo todos os que querem conhecer e viver um pouco da história”, afirmou.

Representando o setor comercial, o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Campo Largo (ACICLA), Vinicius Spack, avaliou positivamente o debate e destacou que a data pode ser uma oportunidade de mobilização da cidade. “A gente vê com bons olhos a discussão a respeito de uma data tão importante para o município, uma data que precisa ser celebrada e reconhecida pela população de Campo Largo”, disse. Porém, caso a data se torne feriado, a tendência é que muitos empresários optem por fechar as portas para conceder a folga aos funcionários. Para Spack, o cenário ideal seria que o comércio estivesse aberto e movimentado, contribuindo para que a cidade celebre o aniversário. “A gente espera que as lojas possam participar com promoções, que a gastronomia celebre e que o comércio aberto ajude a transformar essa data em um momento para viver a cidade e valorizar Campo Largo.”

Já o presidente do SindiLouças, Fábio Germano, ressaltou as preocupações do setor industrial com os impactos econômicos de um novo feriado, especialmente no segmento cerâmico.

“Importante que todos os lados foram ouvidos. Quando a gente fala sobre nossas indústrias de cerâmica e porcelana, nossos fornos não podem parar, então um feriado vai causar um impacto”, explicou. Segundo ele, fevereiro já concentra outras datas que afetam o calendário produtivo. “No mês de fevereiro, que é um mês mais complexo, já temos o dia 2 de fevereiro, Dia da Padroeira, e o Carnaval. Sem dúvida nenhuma, um novo feriado vai gerar um impacto muito grande financeiramente e tira um pouco da nossa competitividade junto aos outros municípios.”

De acordo com Germano, levantamentos do setor indicam que a paralisação pode representar perdas significativas para a indústria local. “Para as indústrias da cerâmica e porcelana aqui da cidade, os nossos levantamentos apontam para cerca de R$ 6 milhões de prejuízo no faturamento.”

 

Aniversário da cidade

O pesquisador e artista plástico Renato Hundsdorfer também participou da reunião, trazendo o contexto histórico sobre a emancipação de Campo Largo. Além dele, a fisioterapeuta integrativa Fabíola Andrade Zanin, contou aos vereadores como surgiu a ideia de propor o reconhecimento da data. Segundo ela, a reflexão começou há cerca de quatro anos, durante encontros terapêuticos voltados à discussão sobre a identidade da cidade.

“A ideia surgiu porque durante os nossos encontros de Constelação Familiar, sempre se levantam temas relevantes que envolvem a questão social, o reconhecimento da terra e também questões políticas e religiosas. Então, surgiu a percepção de que muitas pessoas têm dúvidas sobre qual é a data oficial do aniversário da cidade. Quando a gente fala de uma data de reconhecimento, a gente está falando sobre pertencimento”, disse.

Ela explicou que a sugestão do feriado foi apresentada como uma forma de fortalecer esse reconhecimento coletivo.

“A sugestão de um feriado vem porque o feriado é considerado como um marco de reconhecimento de algo. Mas não necessariamente esperando que tivesse que ser um feriado. A ideia era retomar esse reconhecimento histórico, que fez com que todas as gerações hoje tivessem um pedacinho de terra aqui para viver e trabalhar”, afirmou.

A reunião teve caráter de escuta e debate, reunindo diferentes perspectivas sobre a proposta. O Projeto de Lei nº 13/2026 ainda deverá passar pelas etapas de análise legislativa, que definirão se irá ou não para votação em plenário.

Foto: Comunicação/Câmara Municipal