Maio chegou mais uma vez carregado de uma mensagem que não deveria se limitar a apenas um mês do calendário. O Maio Amarelo, movimento mundial de conscientização para a redução de acidentes e mortes no trânsito, traz em 2026 o tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas” e mais do que um slogan, a frase resume a necessidade urgente de recuperar a empatia em ruas, avenidas e rodovias, que estão cada vez mais marcadas pela pressa, imprudência e falta de atenção de todos nós, infelizmente.
Diariamente, a Folha de Campo Largo noticia acidentes que deixam feridos, famílias abaladas e, muitas vezes, vidas interrompidas precocemente. Em muitos desses casos, as causas são conhecidas e que podem facilmente ser evitadas, desde o uso do celular ao volante, excesso de velocidade, desrespeito à sinalização, ultrapassagens perigosas e a falsa sensação de que “nada vai acontecer”. O fato é que o trânsito cobra caro por segundos de distração, e isso não é novidade para ninguém. Os números reforçam a gravidade da situação. Somente em Campo Largo, foram registrados 1.235 acidentes em 2025 e apenas nos quatro primeiros meses deste ano, já são 345 ocorrências. Nas rodovias que cortam o nosso estado, sejam elas estaduais ou federais, centenas de pessoas continuam perdendo a vida todos os anos. São estatísticas frias no papel, mas que representam histórias interrompidas, sonhos desfeitos e famílias marcadas pela dor.
É preciso compreender que o trânsito não é formado apenas por veículos, mas por pessoas e que todos nós, em diferentes momentos do dia, ocupamos múltiplos papéis, pois somos motoristas, motociclistas, ciclistas, passageiros ou pedestres, e que justamente por isso, a responsabilidade deve ser compartilhada. Quem dirige precisa entender que suas escolhas afetam diretamente a vida do outro.
As campanhas educativas promovidas durante o Maio Amarelo são fundamentais para manter o debate vivo. Em Campo Largo, ações como palestras, programas educativos e iniciativas voltadas às crianças demonstram que a conscientização é um caminho possível e necessário, visto que educar desde cedo para um trânsito mais humano é, comprovadamente, uma das formas mais eficazes de construir um futuro mais seguro para a convivência em sociedade, inclusive no trânsito.
No entanto, a reflexão não pode desaparecer quando maio terminar, pois o respeito às leis de trânsito, à sinalização e à vida precisa ser exercido em junho, julho, agosto e em todos os dias do ano. Também é importante lembrar que segurança viária vai além da fiscalização, pois depende de paciência, gentileza e responsabilidade individual, onde as pequenas atitudes, como reduzir a velocidade, usar a seta, respeitar a faixa de pedestres, não dirigir distraído, têm potencial de salvar vidas diariamente.
O Maio Amarelo deve servir como alerta, mas também como compromisso coletivo, assinado por todos nós assim que saímos de casa. Um trânsito mais seguro não depende apenas do poder público ou das campanhas educativas, mas está nas mãos de quem assume um volante, atravessa uma rua ou conduz uma bicicleta e reconhece que toda vida importa.