Opinião

Tarifaço prejudica economia e trabalhadores de Campo Largo

Nova ordem mundial atinge “Capital da Louça”, que enfrenta cenário econômico desafiador. Para o Sindimovec, atual situação é a mais preocupante das últimas décadas

Tarifaço prejudica economia e trabalhadores de Campo Largo


Sobretaxas impostas pelos Estados Unidos à produtos brasileiros gera prejuízo na indústria local. Para o Sindicato dos Metalúrgicos de Campo Largo (Sindimovec), a medida tem atingido desde a cadeia de suprimentos da linha amarela até o histórico setor cerâmico da cidade. 
No geral, o tarifaço é um pacote que prevê a imposição de alíquotas de 50% sobre quase toda a pauta exportadora brasileira, atingindo tanto bens industriais quanto produtos do agronegócio.
De acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Campo Largo está entre as 10 cidades brasileiras mais afetadas pelas novas barreiras comerciais norte-americanas. 
“Isso é um alerta e os números estão aí para provar. Uma cidade como a nossa jamais pode defender ou apoiar uma perversidade dessa. Uma política prejudicial ao trabalhador”, diz Sergio Domingos, presidente do Sindimovec.
 A dependência de exportações diretas e indiretas para o mercado norte-americano colocou as duas maiores forças industriais do município na linha de frente dos prejuízos:

Indústria de Cerâmica e de Louças: 
Tarifa de 50% imposta ao setor cerâmico impactou na competitividade de produtos brasileiros no mercado internacional. De acordo com dados da Anfacer (Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos), as exportações do setor para os EUA despencaram quase 50% em volume e receita no primeiro semestre de 2026 comparado ao ano anterior. 

Indústria de Peças e Máquinas
(Caterpillar e fornecedores): 
O ambiente global de retração da demanda, somado às tarifas cruzadas de insumos e maquinários, pressionou os volumes operacionais de grandes plantas como a Caterpillar. A desaceleração atinge diretamente a rede de fornecedores locais de autopeças e componentes usinados.

Impacto direto nos trabalhadores
e no comércio local
Por trás dos números estão milhares de famílias campolarguenses. Para Sérgio, a consequência da política de Trump tem conexão imediata no dia a dia de Campo Largo: “há uma série de consequências, queda nos empregos e na renda; redução de horas extras nos locais de trabalho; férias coletivas forçadas e risco iminente de demissões em massa nas fábricas; sem contar as contratações previstas para os próximos meses que foram suspensas por tempo indeterminado”. 
É neste cenário que o mundo global se encontra com a economia regional, pois o comércio de bairro é impactado com a diminuição da massa salarial, o que faz com que a população reduza os gastos, o que afeta restaurantes, lojas, mercados e prestadores de serviços. “Perdem os trabalhadores da indústria local, perde o comércio local. É o efeito cascata”, explica Sergio. Além disso, o município sofre com a queda do faturamento das indústrias e redução na arrecadação de impostos, o que pressiona para baixo os investimentos em serviços públicos locais. 
Para o presidente do Sindimovec a população precisa ficar atenta, principalmente por ser ano eleitoral: “precisamos observar quem é favorável ao tarifaço e quem não é, pois essa ação, que vem de fora, prejudica nosso município”.
O atual governo federal e a indústria brasileira negociam medidas de suporte emergencial — como linhas de crédito direcionadas do Plano Brasil Soberano — além da abertura de conversas bilaterais para tentar revisar a política tarifária norte-americana. 
Paralelamente, os fabricantes de Campo Largo buscam acelerar a diversificação de mercados, focando em outros países da América Latina e no fortalecimento do consumo doméstico.

Para a população local, contudo o momento é de apreensão, mas também de mobilização. “Precisamos deixar claro que somos contra a sobretaxa. O tarifaço aplicado pelos EUA tem o objetivo de piorar a economia brasileira em virtude de um viés político. O que prejudica fortemente a nossa cidade”, conclui Sérgio Domingos.

Por Sindicato dos Metalúrgicos de Campo Largo

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