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Campo Largo atualiza plano de contingência e reforça prevenção diante de eventos climáticos severos

Com as previsões relacionadas ao El Niño 2026/2027, a Prefeitura reforça o planejamento para situações como chuvas intensas, tempestades, vendavais, granizo, alagamentos, enxurradas, elevação de rios e c

Campo Largo atualiza plano de contingência e reforça prevenção diante de eventos climáticos severos

A preparação de Campo Largo para o período de maior ocorrência de eventos climáticos severos envolve o mapeamento de áreas vulneráveis, a organização das equipes de atendimento e a definição de medidas preventivas e de resposta a emergências. Com as previsões relacionadas ao El Niño 2026/2027, a Prefeitura reforça o planejamento para situações como chuvas intensas, tempestades, vendavais, granizo, alagamentos, enxurradas, elevação de rios e córregos e movimentos de massa.
O trabalho envolve a Secretaria Municipal de Ordem Pública, por meio da Defesa Civil Municipal, a Guarda Municipal, as demais secretarias da Prefeitura e o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), em articulação com os órgãos estaduais responsáveis pelo monitoramento e pela resposta a situações de emergência foi apresentado à imprensa campo-larguense em reunião realizada no Gabinete Municipal na tarde desta quarta-feira (14).
O secretário municipal de Ordem Pública, João Freita, destacou que a preparação precisa considerar tanto os eventos climáticos mais frequentes quanto ocorrências de maior proporção, cujos impactos podem exigir anos de recuperação. O secretário citou como exemplo os estragos provocados por eventos extremos em outros municípios e ressaltou que o trabalho da Defesa Civil não termina quando a emergência é controlada. “O trabalho começa antes da ocorrência, com planejamento, identificação e monitoramento de áreas de risco, organização de equipes, definição de procedimentos, preparação de abrigos, orientação da população e articulação com os demais órgãos públicos”, destaca.
A atuação municipal foi reorganizada com a atualização da legislação de proteção e defesa civil. A Lei Municipal nº 4.049, de 6 de agosto de 2026, instituiu a Política Municipal de Proteção e Defesa Civil, dispôs sobre o Sistema Municipal de Proteção e Defesa Civil, reorganizou a Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil e criou o Fundo Municipal de Proteção e Defesa Civil.
De acordo com o secretário, a legislação anterior, de 1996, tinha uma abordagem mais voltada à reação diante dos desastres. A reformulação busca ampliar a atuação preventiva, para que o município intervenha nas situações de vulnerabilidade antes que elas resultem em emergências. “A Defesa Civil é toda a Prefeitura Municipal atuando em conjunto. Ainda há trabalho a ser desenvolvido, como junto às associações de moradores, que é algo que já está nos nossos planos”, explicou o secretário.
Com a atualização, foram iniciados treinamentos, incluindo a preparação de brigadas e de servidores envolvidos nas ações de emergência. As secretarias municipais também passaram a participar do planejamento, com a definição das responsabilidades de cada setor e o levantamento dos recursos disponíveis.
O município realizou, ainda, um levantamento de equipamentos e estruturas que podem ser necessários em situações críticas, como máquinas, geradores de energia e pontos de acesso à internet. O planejamento também estabelece locais de encontro, procedimentos para acionamento das equipes e responsabilidades pela ativação do plano de contingência.
Outra mudança é a previsão de revisão anual do documento. Segundo o secretário, o planejamento anterior estava sem atualização desde 2016. A proposta é reunir periodicamente as secretarias para avaliar as ações já realizadas, identificar as medidas ainda necessárias e verificar quais intervenções podem ser executadas dentro do orçamento municipal.

Município identifica áreas mais vulneráveis
Em 2026, a atuação preventiva também avançou com a elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), desenvolvido desde dezembro de 2025. O documento reúne diagnóstico técnico das áreas vulneráveis e propostas para reduzir os riscos de desastres. A Prefeitura promoveu oficinas comunitárias em diferentes regiões para apresentar o diagnóstico e ouvir moradores sobre situações de alagamentos, enchentes e deslizamentos observadas no cotidiano.
Durante a coletiva, o secretário informou que o estudo identificou cerca de 15 áreas com maior probabilidade de ocorrência de eventos climáticos, considerando as características e as condições de vulnerabilidade de cada local. Entre as regiões citadas estão Cercadinho e Bateias, com atenção para alagamentos, e o Jardim Santa Ana, onde também há risco relacionado a deslizamentos. O planejamento municipal considera ainda áreas como Campina, Jardim Itaqui, Jardim Lise, Jardim Social, Rondinha, Dona Fina, Vila Cilka, Centro, Três Rios e Jardim Carmela.
A identificação dessas áreas é baseada em estudos técnicos, e não apenas em registros de ocorrências anteriores. Isso permite considerar locais que já apresentam vulnerabilidades, mesmo quando ainda não foram atingidos por um evento de grande proporção.
A Prefeitura também informou que já foram realizadas intervenções em regiões vulneráveis. Entre as medidas mencionadas estão ações de desassoreamento de rios no Jardim Três Rios e no Jardim Itaqui, além de intervenções na região de Afonso Aleixo, na Ferraria. Segundo o secretário, outras ações estão em andamento ou previstas para reduzir os impactos das chuvas.
Freitas explicou que a execução de intervenções em cursos d'água no município enfrentava restrições relacionadas às Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e à necessidade de autorização dos órgãos competentes. De acordo com ele, o município conseguiu autorizações para realizar determinadas ações e avançar com os trabalhos nessas regiões.
O secretário também mencionou a atuação conjunta com outras secretarias e com os responsáveis por obras e serviços de infraestrutura. Quando são identificados problemas como entupimento de bueiros ou necessidade de alterações no manilhamento, a Defesa Civil comunica os setores responsáveis para que as providências sejam avaliadas e executadas.

Plano de Contingência organiza a resposta
Campo Largo conta com o Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil (PLANCON), instrumento que estabelece diretrizes, procedimentos e responsabilidades para a preparação e resposta a desastres naturais e tecnológicos.
O documento organiza a atuação dos órgãos envolvidos desde o monitoramento das condições de risco até as ações de alerta, alarme, socorro, ajuda humanitária, isolamento de áreas, evacuação, acolhimento da população e recuperação dos locais atingidos.
O planejamento considera situações como o recebimento de alertas meteorológicos, a elevação dos níveis dos rios monitorados, a identificação de movimentos de massa e a ocorrência de chuvas, vendavais ou tempestades que provoquem pessoas desalojadas ou desabrigadas.
O Coordenador Operacional é responsável por organizar as primeiras ações de atendimento e articular os meios necessários para a resposta inicial, sob a coordenação do Gabinete Gestor de Desastre, já constituído. A ativação do PLANCON ocorre conforme a evolução do risco ou a dimensão de uma ocorrência.
O plano também prevê a organização dos abrigos que poderão receber moradores retirados de áreas de risco, além do levantamento dos recursos humanos e materiais disponíveis para atendimento. A definição prévia desses procedimentos permite que as equipes saibam como agir e quais estruturas acionar em uma situação emergencial.

Corpo de Bombeiros reforça preparação
O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná atua em Campo Largo em conjunto com a Defesa Civil Municipal e os demais órgãos envolvidos na proteção da população. Durante a coletiva, o tenente Piana, representante da corporação, destacou que a preparação para os eventos climáticos envolve treinamento, disponibilidade de equipamentos e articulação entre as estruturas municipal, estadual e federal e que as equipes estaduais e municipais vêm se preparando para o período de maior ocorrência de eventos climáticos severos.
Segundo ele, o Corpo de Bombeiros e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil iniciaram ações preparatórias ainda no primeiro semestre, com atenção às previsões meteorológicas, ao treinamento do efetivo e à disponibilidade de equipamentos para diferentes tipos de ocorrência.
O trabalho também considera o histórico de desastres na região e as características das áreas mais suscetíveis a inundações, enchentes e vendavais. Entre as medidas preventivas que podem ser adotadas pelo poder público estão o desassoreamento de rios e a limpeza de redes de drenagem e galerias pluviais.
A corporação conta com equipes e equipamentos para atendimentos emergenciais, incluindo botes e equipamentos de proteção individual específicos para determinadas ocorrências. Em situações que ultrapassem a capacidade de resposta local, também pode ser necessário o apoio de maquinário pesado e de serviços especializados para a retirada de árvores e a desobstrução de vias.

Orientações à população
O comportamento dos moradores também é determinante para reduzir os riscos. Em dias de alerta meteorológico, a orientação é evitar rios, cachoeiras e trilhas e não subestimar mudanças repentinas nas condições do tempo.
Se houver aumento rápido da vazão de um rio ou córrego, a pessoa deve sair imediatamente da água e procurar um local seguro. Durante tempestades e ventos fortes, é importante permanecer protegida, afastada de árvores, postes, janelas e estruturas que possam cair.
Manter calhas e sistemas de drenagem desobstruídos, não jogar resíduos em ruas, rios e córregos e retirar materiais que possam ser carregados pelo vento são medidas preventivas recomendadas. Em caso de emergência, a população não deve atravessar áreas alagadas, tentar resgatar objetos ou retornar a locais que tenham sido evacuados.
Para situações relacionadas a riscos e ocorrências de proteção, o contato é a Defesa Civil, pelo telefone 199. O Corpo de Bombeiros também pode ser acionado pelo telefone 193 em situações que demandem atendimento emergencial, como resgates, alagamentos graves, enxurradas, acidentes e outras ocorrências de risco imediato.
A orientação é que os moradores acompanhem os alertas e as informações divulgados pelos órgãos oficiais e evitem compartilhar informações não verificadas durante uma situação de emergência.

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