Saúde

Centro de treinamento em cirurgia robótica destaca recorde mundial reconhecido pelo Guinness Book

Centro de treinamento em cirurgia robótica destaca recorde mundial reconhecido pelo Guinness Book

A Scolla Centro de Treinamento, referência latino-americana na formação de médicos em cirurgia robótica, abriu as portas de sua estrutura em Campo Largo na tarde desta terça-feira (07) para receber representantes da imprensa, autoridades estaduais e profissionais da área da saúde. Durante a visita, os convidados conheceram o laboratório, simuladores e robôs utilizados na formação de cirurgiões, além dos projetos que colocaram o Paraná em posição de destaque no cenário internacional.

Durante a apresentação, um dos principais destaques foi o reconhecimento internacional conquistado pela instituição. A Scolla foi responsável pela realização da telecirurgia robótica de maior distância já registrada no mundo, um feito homologado pelo Guinness World Records.

Segundo o sócio-fundador da instituição, Dr. Marcelo Loureiro, o procedimento conectou um robô instalado no Paraná a um cirurgião localizado no Kuwait, país localizado no Oriente Médio. "Fizemos a telecirurgia mais distante realizada até hoje no mundo. Foram aproximadamente 12 mil quilômetros de distância entre o cirurgião e o paciente. Esse recorde foi registrado no Guinness Book e mostrou que é possível levar medicina de ponta para qualquer lugar.”

Criada há quatro anos, a Scolla é dedicada exclusivamente à educação médica continuada, oferecendo cursos de pós-graduação e treinamento prático para médicos, principalmente cirurgiões. Atualmente, a instituição conta com oito cursos de pós-graduação voltados à cirurgia robótica e recebe, semanalmente, estudantes de diversas regiões do Brasil e do exterior. Ao longo de sua trajetória, já capacitou médicos de mais de 15 países, consolidando-se como uma referência internacional na formação de profissionais da área.

De acordo com Dr. Marcelo, mais de quatro mil profissionais passaram pela instituição. "O cirurgião precisa desenvolver habilidades práticas durante toda a vida profissional. A Scolla nasceu justamente para oferecer esse treinamento e preparar os médicos para as novas tecnologias. Já treinamos mais de quatro mil médicos e provavelmente somos hoje o maior centro de treinamento da América Latina", comenta.

O fundador explicou que os cursos utilizam equipamentos de última geração, simuladores e robôs cirúrgicos, permitindo que os alunos desenvolvam técnicas antes de aplicá-las em pacientes.

Embora a estrutura atenda profissionais de todo o Brasil, a escolha por Campo Largo aconteceu por acaso, segundo Dr. Marcel. "Eu precisava de um espaço fora de Curitiba por questões regulatórias. Campo Largo foi o segundo lugar que visitei e me apaixonei pela cidade. O acesso é fácil, as pessoas são muito parceiras e isso fez toda a diferença para o desenvolvimento da escola."

Paraná quer ampliar ensino de cirurgia robótica

Durante o encontro também foi apresentado um projeto para construção junto ao Governo do Paraná com a intenção de ampliar o ensino da cirurgia robótica nas universidades estaduais. A proposta prevê a instalação de consoles de treinamento em instituições de ensino superior, permitindo que estudantes iniciem o contato com a tecnologia ainda durante a graduação.

Dentro desta proposta está a ampliação de um modelo que já começou a ser desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Atualmente, residentes e estudantes já utilizam consoles instalados em Cascavel para realizar treinamentos remotos conectados à estrutura da Scolla, em Campo Largo. A intenção é expandir essa rede para outras universidades estaduais, permitindo que acadêmicos tenham contato com a cirurgia robótica ainda durante a graduação.

Segundo o Dr. Marcelo Loureiro, a intenção é democratizar o acesso à formação em cirurgia robótica. "Queremos transformar essa tecnologia em algo acessível para toda a população. A ideia é democratizar aquilo que existe de mais moderno na medicina e fazer com que isso chegue também ao SUS", destaca.

O médico explicou que atualmente o processo para formação de um cirurgião robótico é longo e envolve cursos, certificações e acompanhamento de diversos procedimentos. Com a criação da rede de ensino, esse tempo poderá ser reduzido.

O secretário estadual da Saúde, que também é médico cirurgião, Dr. César Neves, afirmou que acompanhar a evolução tecnológica é uma responsabilidade da gestão pública. "O Paraná tem a responsabilidade de permanecer na vanguarda. Precisamos dialogar com o Governo Federal para que essas tecnologias tenham financiamento sustentável e possam beneficiar cada vez mais pacientes."

Já o deputado federal e pré-candidato ao governo do Paraná, Sandro Alex, destacou que Campo Largo passa a ser referência internacional em uma área estratégica da medicina. "O mundo está observando o que está sendo feito aqui. É um centro de formação reconhecido internacionalmente, que une ciência, tecnologia e educação. Isso representa uma oportunidade para que procedimentos robóticos estejam cada vez mais presentes no SUS."

Durante a visita, Sandro Alex sinalizou apoio à expansão do projeto no Paraná. Segundo ele, o Estado trabalha para que equipamentos de cirurgia robótica também sejam incorporados às universidades estaduais, permitindo que estudantes de Medicina tenham contato com a tecnologia ainda durante a graduação.

CRM-PR acompanha o processo

O secretário-geral do Conselho Regional de Medicina do Paraná, Dr. Christian Gonçalves Cordeiro, explicou que a primeira telecirurgia exigiu a criação de um fluxo inédito dentro do próprio conselho. "Não existia um protocolo para esse tipo de procedimento. Tivemos que avaliar toda a parte ética e legal. Como havia estrutura hospitalar adequada e um profissional ao lado do paciente para qualquer eventualidade, entendemos que o procedimento era seguro."

Segundo ele, o Paraná passou a ser pioneiro também na regulamentação desse tipo de cirurgia. "Foi uma novidade inclusive para o Conselho Federal de Medicina. O CRM do Paraná acabou criando esse novo fluxo e continuaremos sendo pioneiros nas próximas etapas", completa.

Cirurgia robótica reduz invasão e amplia precisão

Coordenador da pós-graduação em Bariátrica Minimamente Invasiva Robótica da Scolla, o Dr. Paulo Nassif explicou que a cirurgia robótica representa uma evolução da videolaparoscopia.

Ele participou da primeira telecirurgia bariátrica robótica realizada pela escola, conectando Campo Largo a um paciente em João Pessoa, na Paraíba. "Foi uma preparação de meses. O robô elimina o tremor das mãos, oferece movimentos mais precisos e melhor visualização dos tecidos. É uma tecnologia que veio para ficar."

Segundo ele, além da bariátrica, a instituição já participou de procedimentos robóticos nas áreas cardíaca, urológica e ginecológica. Os médicos formados na Scolla continuam recebendo acompanhamento após a conclusão dos cursos. "Os alunos ainda passam por uma curva de aprendizado. A escola acompanha esse processo e oferece suporte também nas cidades onde eles passam a atuar", conclui.

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