Nas últimas semanas, Campo Largo registrou diversas ocorrências de infarto e parada cardiorrespiratória. Em algumas situações, a rápida atuação do Corpo de Bombeiros garantiu o salvamento das vítimas; em outras, infelizmente, houve óbitos. Diante desse cenário, os bombeiros reforçam a importância de a população saber reconhecer os sinais e agir corretamente, já que os primeiros minutos podem ser decisivos entre a vida e a morte.
De acordo com o cabo Gilberto, socorrista do Corpo de Bombeiros de Campo Largo, os sintomas do infarto muitas vezes são confundidos com crises de ansiedade. “Por isso, a orientação é sempre considerar a pior hipótese. Na dúvida, trate como infarto e busque ajuda imediatamente.”
Entre os principais sinais ele destaca a dor ou aperto intenso no peito, dor irradiando para o braço esquerdo, mandíbula ou costas, formigamento, suor excessivo (sudorese), mal-estar e sensação de falta de ar; caso a pessoa esteja consciente, o ideal é levá-la imediatamente a uma unidade de saúde. Se houver perda de consciência, a situação se torna ainda mais grave e exige ação rápida.
Descreve que ao se deparar com uma pessoa caída, o primeiro passo é verificar se ela está consciente. Chame a vítima em voz alta e observe se há resposta. Se não houver reação, deve-se verificar a respiração utilizando a técnica do “ver, ouvir e sentir”, observando o movimento do tórax, ouvir a respiração e sentir o fluxo de ar. “Se a vítima não estiver respirando, já é possível iniciar as manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP). Antes de iniciar a RCP, é fundamental acionar o socorro. Peça para alguém ligar imediatamente para os números de emergência, 193 (Bombeiros) ou 192 (Samu) e, se possível, solicitar um Desfibrilador Externo Automático (DEA), equipamento presente em muitos ambientes comerciais, por exemplo”, instrui.
Como realizar o procedimento
O cabo Gilberto explica que no caso de vítimas adultas (a partir da puberdade, aproximadamente 12 anos), é necessário posicionar as mãos entrelaçadas no centro do tórax, sobre o osso esterno, mantenha os braços estendidos e utilize o peso do corpo, realize 30 compressões torácicas para duas ventilações (protocolo 30:2). As compressões devem ser feitas em ritmo contínuo, cerca de uma a duas por segundo.
Se não houver equipamento para ventilação, o mais importante é não interromper as compressões. O procedimento é cansativo e, se houver mais pessoas, o ideal é revezar a cada dois minutos para manter a eficácia. Uma dica simples para manter o ritmo correto é mentalizar a música “Stayin’ Alive”, dos Bee Gees, cujo compasso se aproxima da frequência ideal das compressões.
Porém, ele adverte para que tenha atenção à idade da vítima, pois o protocolo muda. No caso de lactentes (bebês até 1 ano), o protocolo é de 15 compressões para duas ventilações (15×2) e de crianças (1 ano até a puberdade) o protocolo é semelhante ao adulto, com adaptações na força, utilizando apenas uma mão.
“Caso o DEA esteja disponível, ele deve ser utilizado o quanto antes. O próprio equipamento orienta, por comandos de voz, como posicionar as pás no tórax da vítima e indica se e quando o choque é necessário. Durante a aplicação do choque, ninguém deve tocar na pessoa. Após o procedimento, as compressões devem ser retomadas imediatamente, conforme orientação do aparelho”, frisa o cabo Gilberto.
As manobras de RCP devem continuar sem interrupção até a chegada da equipe de emergência. Se possível, é importante ter uma noção de quanto tempo que o procedimento está sendo realizado, pois essa informação auxilia os profissionais no atendimento avançado.
“O mais importante é não ficar paralisado. Identificar os sintomas, chamar ajuda e iniciar as manobras pode fazer toda a diferença. A resposta rápida da população salva vidas”, reforça o cabo Gilberto.