Domingo às 01 de Fevereiro de 2026 às 08:24:52
Opinião

Números revelam a urgência de proteger as mulheres

Números revelam a urgência de proteger as mulheres

Os dados divulgados pela Guarda Municipal de Campo Largo sobre atendimentos realizados em situações ligadas às mulheres em 2025 vão além de apenas números estatísticos. Eles revelam uma realidade cotidiana marcada pelo medo, pela insegurança e pela urgência de políticas públicas eficazes no enfrentamento da violência contra elas. Ao longo do último ano, foram 558 atendimentos relacionados à Lei Maria da Penha, o que representa uma média de 1,5 ocorrências por dia. Cada atendimento carrega uma história e a necessidade de uma resposta rápida e humanizada.
Além desses atendimentos, a GMCL registrou 95 denúncias diretas de violência doméstica e realizou 11 prisões de agressores, dados que reforçam a importância da atuação das forças de segurança no combate à violência de gênero. Ainda assim, os números evidenciam que o problema permanece estrutural e exige atenção permanente, ações preventivas e o fortalecimento da rede de proteção.
Campo Largo tem avançado na oferta de mecanismos voltados à segurança das mulheres. Um dos principais exemplos é o botão do pânico digital, disponível por meio do aplicativo 153 Cidadão. Atualmente, 62 mulheres com medidas protetivas ativas utilizam o recurso, que permite o envio imediato da localização da vítima à central de monitoramento da Guarda Municipal em situações de emergência. A ferramenta não apenas agiliza o atendimento, como também atua de forma preventiva, inibindo a ação do agressor diante da vigilância do poder público.
O acesso ao botão do pânico segue um protocolo definido, que envolve o registro da ocorrência na 3ª Delegacia Regional da Polícia Civil, a solicitação de medida protetiva e, após decisão judicial favorável, o cadastro junto à Guarda Municipal. No entanto, é fundamental destacar que todas as mulheres podem acionar a Guarda Municipal a qualquer momento, mesmo sem estarem cadastradas no programa, seja pelo aplicativo ou pelo telefone 153. 
Entretanto, o enfrentamento da violência doméstica não pode se restringir à esfera policial. Ele exige uma rede de apoio integrada, capaz de oferecer suporte psicológico, jurídico e social. Em Campo Largo, essa rede conta com serviços como o CREAS, a Delegacia da Mulher, a Polícia Militar, além de canais nacionais como o Disque 180, que funciona de forma gratuita, confidencial e, se necessário, anônima. 
Porém, a denúncia continua sendo o instrumento mais importante no combate à violência doméstica. O silêncio protege o agressor e prolonga o sofrimento da vítima. Denunciar é um ato de coragem, mas também de confiança nas instituições e de responsabilidade social. Quando a violência é comunicada, o poder público pode agir para proteger, acompanhar e evitar que situações ainda mais graves ocorram. Naturalizar agressões, ignorar sinais ou tratar a violência como um problema privado contribui para que continue de geração em geração. A mudança passa pela educação, pela informação e pela construção de uma cultura baseada no respeito.