Domingo às 01 de Fevereiro de 2026 às 08:24:52
Opinião

O equilíbrio necessário entre a garantia de direitos e a preservação da história da cidade

N Madeiras busca por áreas com plantação de pinus e eucalipto para compra e extração
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O equilíbrio necessário entre a garantia de  direitos e a preservação da história da cidade

A recente definição sobre a retomada das atividades da Porcelana Schmidt, que aconteceu na terça-feira (27) após a Assembleia Geral, não é apenas mais um capítulo de uma negociação trabalhista, mas sim um reflexo da tensão que envolve um dos maiores patrimônios de Campo Largo. A notícia divulgada pela Folha de Campo Largo gerou imensa repercussão e alcance em nossas redes, evidenciando que o destino da Schmidt não diz respeito apenas aos seus portões para dentro, mas mexe com o sentimento e a economia de toda a cidade.

A Folha tem acompanhado este processo com a cautela e a responsabilidade que o tema exige. Temos cumprido nosso papel de informar, divulgando os atrasos nos pagamentos que afligem as famílias - como aconteceu com a segunda parcela do 13º e salários pendentes - mas também abrindo espaço para que a empresa explique a complexidade de sua situação jurídica. A Schmidt, que atravessa um longo processo de Recuperação Judicial homologado em maio de 2025, sempre se colocou à disposição para esclarecimentos, detalhando como as travas judiciais e a burocracia dificultam o acesso ao próprio dinheiro que a empresa gera ou arrecada.

De qualquer forma, é fundamental reconhecer a legitimidade da angústia dos colaboradores. O lado dos funcionários é extremamente difícil: são centenas de famílias que contam com aquele dinheiro, que lhes é de direito pelo trabalho já prestado, para sua subsistência básica. A paralisação, que se estendeu por mais de um mês, foi o instrumento encontrado por eles para demonstrar essa urgência.

Por outro lado, o cenário exige um olhar macroeconômico. A continuidade da greve poderia levar a consequências ainda piores, como demissões em massa ou o encerramento definitivo das atividades, uma vez que a paralisação comprometeu ainda mais o fluxo de caixa necessário para pagar fornecedores essenciais como gás e energia. É um ciclo vicioso: sem produção, não há receita; sem receita, a dívida com os trabalhadores aumenta.

Mas há uma luz no fim do túnel que precisa ser considerada. O processo de Recuperação Judicial, que teve início em 2016, está avançando. As primeiras fases dos leilões de imóveis foram bem-sucedidas e milhões de reais depositados em juízo serão destinados prioritariamente aos trabalhadores. O que impede o pagamento imediato não é a falta de recursos, mas os trâmites burocráticos na Justiça. O dinheiro está previsto para começar a ser liberado pelo Judiciário no início deste ano.

Diante de tudo isso, existe uma preocupação genuína com a manutenção da empresa. A Porcelana Schmidt confunde-se com a identidade de Campo Largo, cidade reconhecida como a "Capital Nacional da Louça", título que carrega uma história industrial que precisa ser preservada. O acordo firmado para o retorno no dia 27, com um cronograma de pagamentos estabelecido, traz um respiro necessário. Com a volta da produção e a liberação dos recursos dos leilões, a empresa mantém seus compromissos com os trabalhadores e assegura que sua chaminé continue sendo um símbolo de progresso, e não de saudade.