Domingo às 01 de Fevereiro de 2026 às 08:29:02
Saúde

Infarto pode atingir pessoas cada vez mais jovens e exige atenção aos sinais de alerta

Infarto pode atingir pessoas cada vez mais jovens e exige atenção aos sinais de alerta

Embora o Infarto Agudo do Miocárdio seja mais comum em pessoas acima dos 40 anos, a doença tem sido registrada com frequência crescente entre indivíduos mais jovens. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) revelam que, entre pessoas com menos de 39 anos, as internações por infarto mais que dobraram nos últimos 15 anos, divulgados em outubro de 2025. O médico cardiologista Maurício Dallagrana, em entrevista à Folha de Campo Largo, faz o alerta ao explicar que diversos fatores, além da idade, podem contribuir para o surgimento do problema.
Segundo o especialista, o infarto ocorre, na maioria dos casos, devido à obstrução de uma das artérias do coração, geralmente causada pelo acúmulo de placas de gordura, conhecidas como ateromas. No entanto, essa não é a única causa possível. Também podem estar relacionadas à formação de coágulos, espasmos ou alterações nas paredes das artérias, que, em alguns casos, estão presentes desde o nascimento.
“Normalmente, o infarto ocorre em pessoas acima de 40 anos, porém tem sido observado em indivíduos mais jovens, seja pela carga genética ou pela presença de doenças inflamatórias ou infecciosas. Entre elas, destacam-se a artrite reumatoide, o lúpus eritematoso sistêmico, a psoríase, a infecção pelo HIV e até mesmo a Covid-19. Também aumentam a chance de infarto a presença de fatores de risco não tratados, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo, tabagismo, etilismo, ansiedade e depressão, ainda mais quando associados ao uso de testosterona e outros hormônios para fins estéticos, cigarros eletrônicos, energéticos e drogas ilícitas”, ressalta.

Sintomas e busca por atendimento imediato
Segundo o Dr. Maurício, a incidência de infarto aumenta em períodos mais frios do ano e no início da manhã. No entanto, ele alerta que sintomas em qualquer época, horário e faixa etária devem ser valorizados.
“Não apenas aquela dor clássica no peito, que se irradia para o braço esquerdo. Não raramente, o infarto pode se manifestar de forma isolada com falta de ar, fadiga excessiva, dores nas costas, no pescoço, na mandíbula, nos dentes ou no estômago, além de sudorese fria, palpitações, náuseas, tonturas ou vômitos inexplicados”, alerta.
Ao apresentar esses sintomas, a recomendação médica é procurar imediatamente um serviço de emergência. No local, são realizados exames para identificar a possível ocorrência de um infarto, como eletrocardiograma, exames laboratoriais e de imagem, que permitem confirmar ou descartar o diagnóstico.
O cardiologista reforça ainda que o paciente permanece sob monitoramento médico, pois, em casos raros, podem ocorrer arritmias e até parada cardíaca, situações que exigem identificação e tratamento imediatos.
“Quando o infarto é confirmado, devem ser instituídas rapidamente medidas que visem a desobstrução das artérias, seja por meio de medicamentos ou pelo encaminhamento para um hospital para a realização de cateterismo cardíaco. Confirmada a obstrução, o tratamento é feito por meio da angioplastia, a fim de restabelecer o fluxo sanguíneo interrompido”, explica.

Procedimentos pós-infarto e mudança de vida
De acordo com o cardiologista, após a fase mais aguda e hospitalar, iniciam-se os cuidados para definir a causa do infarto e prevenir novos eventos semelhantes.
“Medidas não medicamentosas, como a prática de exercícios regulares por, no mínimo, três horas semanais, divididas entre três e cinco dias, sempre orientadas por um profissional de saúde; a adoção de uma dieta saudável, visando o controle do peso; a cessação do tabagismo, do etilismo, do uso de drogas ilícitas e hormônios; a redução do estresse e da ansiedade; além do uso regular e contínuo de medicamentos, associado a consultas médicas frequentes para ajustes da medicação e realização de exames complementares de monitoramento, são algumas das estratégias adotadas”, ressalta.
O Dr. Maurício acrescenta que, para diminuir a chance de um infarto, inclusive em idades mais precoces, é fundamental manter hábitos saudáveis e realizar acompanhamento médico regular. Caso alterações sejam diagnosticadas, mesmo em fases iniciais da vida, o tratamento adequado deve ser instituído.
“Por ser um dos principais fatores de risco para o infarto, o colesterol deve ser dosado e, se alterado, tratado em pacientes entre 9 e 11 anos e, posteriormente, entre 17 e 21 anos. Em casos de histórico familiar de doença cardíaca precoce, obesidade ou doenças associadas, como hipertensão arterial ou diabetes mellitus, as avaliações devem ser feitas ainda mais cedo, entre 2 e 8 anos de idade”, conclui.