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Mulher é condenada a quatro anos em regime semiaberto por sequestro de bebê; criança foi encontrada em Campo Largo

Mulher é condenada a quatro anos em regime semiaberto por sequestro de bebê; criança foi encontrada em Campo Largo

A Justiça do Paraná condenou a mulher responsável pelo sequestro da bebê Eloah Pietra Almeida dos Santos, que foi localizada em Campo Largo após cerca de 30 horas desaparecida. A sentença, publicada nesta quarta-feira (29), marca o desfecho judicial de um dos casos que mais mobilizaram forças de segurança e a população no início de 2025.

A ré foi condenada a 4 anos e 1 mês de reclusão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de subtração de incapaz. Ela foi absolvida da acusação de falsidade documental e poderá recorrer em liberdade. A decisão também fixou indenização mínima de cinco salários mínimos por danos morais à vítima.

O caso ganhou grande repercussão em janeiro, quando a criança, então com 1 ano e 6 meses, foi sequestrada em Curitiba e encontrada no dia seguinte em uma residência em Campo Largo.

 

Relembre o caso

O crime aconteceu na tarde de 23 de janeiro de 2025, no bairro Parolin, em Curitiba. Conforme as investigações, a mulher se passou por agente de saúde para se aproximar da família.

Ela informou à mãe da criança que havia uma denúncia envolvendo maus-tratos e que seriam necessários exames. Durante a abordagem, ofereceu um líquido à mulher, posteriormente identificado como contendo quetiapina, substância de efeito sedativo, e a convenceu a entrar em um veículo com a filha.

No momento em que a mãe desceu para ajustar a cadeirinha da criança, a suspeita acelerou o carro e fugiu com a bebê.

O desaparecimento gerou uma força-tarefa envolvendo Polícia Civil, Polícia Militar, Grupo Tigre, Sicride e apoio da Guarda Municipal de Campo Largo. O caso chegou a ser incluído no sistema Alerta Amber, ampliando a divulgação em redes sociais.

Com base em imagens e dados de inteligência, incluindo monitoramento da BR-277, as equipes localizaram o veículo utilizado no crime e identificaram o endereço em Campo Largo.

Na noite de 24 de janeiro, menos de 30 horas após o sequestro, Eloah foi resgatada em uma casa no município. A criança estava em um cômodo nos fundos da residência e foi encontrada em segurança.

O reencontro com a família ocorreu pouco depois, na sede do Grupo Tigre, em Curitiba.

 

Alterações na aparência e impactos na vítima

Durante o período em que esteve em poder da acusada, a criança teve o cabelo cortado, pintado e alisado, o que dificultou inicialmente sua identificação.

Segundo a sentença, Eloah apresentou, após o resgate, dificuldades para se alimentar, episódios de vômito, febre e mudanças de comportamento, como o hábito de roer unhas.

A magistrada considerou como agravante o uso de dissimulação para enganar a mãe e a vulnerabilidade da vítima.

 

Investigação apontou planejamento

Em depoimento, a acusada afirmou que agiu sozinha e que pretendia ficar com a criança para criá-la como filha. A investigação também revelou que ela apresentou uma carta falsa à polícia, tentando sustentar que a bebê teria sido entregue voluntariamente pela mãe, versão descartada por perícia.

Além disso, apurações indicaram que, um dia antes do crime, a acusada teria tentado abordar outra criança em Campo Largo.

A mulher foi presa em flagrante no dia do resgate e permaneceu detida por cerca de três meses. Posteriormente, foi colocada em liberdade, já que os crimes imputados possuem penas inferiores a quatro anos.

O Ministério Público denunciou a acusada por subtração de incapaz, com qualificadora de emboscada, e falsidade ideológica e o julgamento ocorreu em abril de 2025.

Com a sentença publicada agora, a Justiça reconheceu que a criança foi retirada da família por meio de fraude e abuso de vulnerabilidade.

A defesa da família considerou a punição insuficiente diante da gravidade do caso. Em nota, o advogado Leonardo Mestre Negri afirmou que a decisão será contestada, especialmente em relação à absolvição pelo crime de falsidade documental.

O caso também gerou repercussão institucional. As equipes de segurança envolvidas no resgate, incluindo agentes de Campo Largo, receberam menção honrosa na Assembleia Legislativa do Paraná pela atuação rápida na localização da criança.

 

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