Uma história de vida que inspira, pelo amor e dedicação ao filho, e ao mesmo tempo entristece por todos os fatos que a rodeiam. José Eduardo Fernandes da Silva é o pai do jovem Felipe Oliveira Fernandes, de 13 anos, que tem um diagnóstico de paralisia cerebral e precisa de cuidados diários e permanentes para sobreviver.
A Folha conversou com José Eduardo, que contou a história do problema que sua primeira esposa teve ainda na gestação, que culminaram em uma sequência de erros médicos. “A partir dos sexto mês, a minha esposa começou a ter fortes dores abdominais. Mesmo falando para a médica, não foram realizados exames, ou algo do tipo, quando ao oitavo mês ela gritava de dor e eu a levei para uma maternidade em Curitiba. Lá aconteceu uma sucessão de erros médicos, tanto com a minha esposa, como com o meu filho, que entrou em sofrimento. Ele era um bebê prematuro e deixaram de verificar os sinais vitais dele, atrasando o atendimento em 20 horas. Agiram como se tudo estivesse bem, mas não estava. Eu acompanhei o parto, meu filho estava sem líquido amniótico na bolsa gestacional, com o cordão umbilical enrolado do pescoço e havia ingerido fezes.”
Após o parto, a esposa de José teve uma hemorragia interna e depois de dois dias, ambos – mãe e filho – precisaram ser transferidos para hospitais especializados, com suporte de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “No mesmo tempo os dois foram transferidos para locais diferentes, meu filho ficou em um hospital de Curitiba e minha esposa veio para um hospital de Campo Largo. Eu a acompanhei na ambulância, enquanto um grande amigo meu ficou com meu filho no hospital. Foram dias intensos, em que eu me dividi para atender os dois. Lembro da última vez que vi o olhar e falei com a minha esposa quando estava lúcida, antes dela entrar em coma. Foi muito difícil. No dia seguinte, que era um sábado, eu sentia que estava perdendo ela. No domingo batizamos o Felipe na UTI e na segunda de madrugada a minha esposa faleceu”, relembra.

Desde então, a luta do pai foi viver em prol do filho. Precisou ficar dois meses com ele no hospital, quando recebeu o apoio necessário da empresa que trabalhava à época. “As expectativas da equipe médica não eram boas para o Felipe, mas eu disse que me dedicaria e aprenderia tudo para manter ele comigo e assim eu faço. Por cinco anos eu tive uma dedicação exclusiva para ele, aprendi tudo o que a equipe me ensinou, eu queria cuidar dele, precisava ficar perto dele. Cheguei a contratar cuidadoras para ele, porém, isso levou o dinheiro que eu tinha”, revela.
O pai conta que por mês gasta em torno de R$ 7.500 para manter todo o aparato necessário para que o filho tenha qualidade de vida. Quando precisa contratar cuidadoras esse valor chega entre R$ 12 e 13 mil. “Precisamos pagar terapia, remédios não fornecidos pelo governo, fraldas, às vezes precisa trocar ou realizar manutenção na cadeira de rodas, preciso ir buscar a dieta especial dele que só tem em Curitiba, entre outros custos. Precisei vender minha casa, não temos carro, tudo o que eu tinha investi no meu filho”, conta.
Há nove anos, José encontrou uma companheira, com quem se casou e auxilia nos cuidados com seu filho. “Ela me ajuda muito com ele, cuida dele para que eu trabalhe também, tem um carinho enorme por ele e é recíproco. É uma grande luta que vivemos”, diz.
Rifa da Caravan
Para auxiliar nas despesas da casa, José realiza rifas e as populares “vakinhas” que auxiliam a expandir mais a história de Felipe e formam uma grande corrente de solidariedade em prol da família. Os links estão disponíveis nas redes sociais da família, @pai_atipico_cwb.
Hoje está em andamento uma rifa de uma Caravan Comodoro 1980, a gasolina, no valor de R$ 49. Foram vendidos até o fechamento desta matéria – quarta-feira (02) – 1.072 bilhetes, estando disponíveis ainda 928 números. O sorteio será realizado assim que todos os números forem vendidos.
Também estão realizando uma Vakinha para comprar um veículo que ajudará na locomoção da família, com intenção de juntar pelo menos R$ 5.000. As doações podem ser feitas diretamente pela chave pix 288.060.568-75 ou pela vakinha 5407043@vakinha.com.br.