Inspiração e transformação são palavras que podem muito bem andar juntas e provocar mudanças significativas quando colocadas em prática. Nesta semana, tivemos a oportunidade de acompanhar o lançamento oficial de um projeto que vem sendo até mesmo um divisor de águas na vida de muitas pessoas, o Cata Arte, promovido pelo artista campo-larguense Toto Lopes. A iniciativa pode ser vista como uma ponte que leva o que antes era descartado - o lixo reciclável - e que nas mãos de quem tem visão e talento é capaz de se tornar algo a ser bastante valorizado, por intermédio da arte. Estes aproximadamente 70 recicladores, que são os trabalhadores que desempenham um papel essencial, mas muitas vezes são tratados de maneira invisível pela sociedade — agora também passam a ser reconhecidos como artistas, utilizando como sua matéria-prima aquilo que a comunidade considera lixo. Essa iniciativa é um convite à reflexão sobre como enxergamos o mundo, as pessoas e os recursos ao nosso redor.
Ao parar para pensarmos sobre o que está sendo feito, percebemos que tudo vai além de reciclagem, mas envolve a valorização do ser humano. Infelizmente, o nosso país é marcado por desigualdades, o que vem sendo cada vez mais evidente com o constante aumento dos preços, onde mesmo para ter o mínimo, gasta-se altos valores diariamente. Por meio desta transformação de resíduos, os novos artistas poderão ter uma nova fonte de renda, que pode ser considerada muito valiosa. Muitas vezes, esse trabalho criativo resultará em lapidar talentos que por muitos anos ficaram escondidos ou foram renunciados pelas faltas de oportunidade e recursos. Assim, cada peça produzida pelos participantes do Cata Arte carrega uma história única, trazendo consigo a identidade do artista, seu olhar e a sua resistência.
Não podemos deixar de considerar aqui também os benefícios para o meio ambiente que tal ação também impacta, ao estimular a reutilização de materiais que seriam descartados de forma inadequada. Há um apelo para o consumo consciente e a diminuição do volume de lixo, pauta essa que tem ganhado cada vez mais espaço não só no poder público, mas também em organizações não governamentais e até mesmo em espaços religiosos.
Estamos entrando na última semana da Campanha da Fraternidade deste ano, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), escolheu como tema central a ecologia integral, e vem reforçando a necessidade de cuidar da Criação divina como um compromisso coletivo. Todos compartilhamos o mesmo espaço, o que nos impute uma responsabilidade coletiva quando a questão é a preservação do meio ambiente e os espaços comuns que compartilhamos.
Vivemos hoje um tempo de "urgência ambiental", onde devemos lembrar que pequenas ações podem gerar grandes impactos. Seja em projetos como este, onde o "lixo vira luxo", nas atitudes diárias de consumo consciente e, principalmente, na separação e destinação correta do lixo que produzimos.
Opinião
Sustentabilidade e valorização humana em pauta