O projeto Cata Arte iniciou a sua segunda fase em Campo Largo, marcando um novo momento de crescimento técnico e criativo dos participantes. Depois de uma primeira fase voltada à criação de quadros, agora os cerca de 70 catadores envolvidos estão se aprofundando no uso de ferramentas como furadeiras, máquina de solda e serra tico-tico, produzindo obras de arte ainda mais elaboradas, com acabamento e concepção artística aprimorados.
A proposta do projeto é transformar resíduos que seriam descartados em objetos de arte e decoração, agregando valor ao material e à vida profissional e financeira dos recicladores, que têm sua criatividade e potencial revelados ao longo do processo, unindo a arte, sustentabilidade, capacitação profissional e inclusão social.
Essa transformação é sentida diretamente por quem vive o dia a dia das cooperativas. Alice Almeida, há dois anos na Associação Unidos da Reciclagem (ASSUR), descreve o projeto como uma virada de chave. “Foi uma luz no fim do túnel para nós. Queremos continuar a fazer aquilo que estamos fazendo, naquilo que aprendemos. É um aprendizado novo a cada dia.” Já Janete Perpétuo, que atua na associação há dez anos, destaca a mudança de visão em relação aos materiais. “Tinha muita coisa boa, mas nós não tínhamos essa noção de fazer algo melhor ou diferente com eles, o que aconteceu depois do projeto.”
Toto Lopes, idealizador do projeto, explica que os artistas já estão aprendendo a aguçar o olhar para identificar os materiais que têm potencial para serem transformados ao fazer a seleção e já criam abajures, esculturas e peças impressionantes. “Essa equipe que montamos aqui no projeto é sensacional, mostra que aqui tem união, que conseguem construir coisas juntos, que um ajuda e ensina o outro; é um processo colaborativo, que é uma das nossas metas como projeto, mostrando o ser humano que vocês são e o potencial que vocês têm. Nesse projeto eu coloquei muito carinho e fico orgulhoso em ver tudo o que vocês já fizeram.”
Lançado oficialmente em abril no Casarão do Parque Newton Puppi, o projeto realiza 24 encontros em cada cooperativa e associação participante, com oficinas também abertas aos familiares dos catadores. Os materiais utilizados vão desde restos de tecidos até peças metálicas que, embora não tenham valor comercial para reciclagem, ganham nova vida por meio da arte.
Incentivo à reciclagem e transformação social
Atualmente, o Brasil recicla apenas 4% dos 82 milhões de toneladas de resíduos gerados anualmente, segundo a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema). A proposta é mostrar que parte desses materiais pode ser reutilizada com criatividade, chegando a ter valor até 500% superior ao original.
Além das oficinas, o projeto promove uma exposição itinerante em escolas públicas, incentivando o olhar consciente desde a infância sobre consumo, lixo e reaproveitamento. O encerramento do Cata Arte está marcado para acontecer no mês de setembro de 2025, com uma grande mostra no City Center Outlet Premium, onde as peças produzidas serão apresentadas ao público.
O Cata Arte também está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, entre eles a erradicação da pobreza, ao ampliar oportunidades de geração de renda; o trabalho decente e crescimento econômico, promovendo empreendedorismo e inovação social; o incentivo às cidades e comunidades sustentáveis, reduzindo o impacto ambiental por meio da reutilização e o consumo e produção responsáveis, valorizando a reciclagem criativa.
O projeto é produzido pela Toto Artes, com apoio da Ligga Telecom, Copel e Prefeitura Municipal de Campo Largo e realizado pelo Programa de Fomento e Incentivo à Cultura do Paraná (PROFICE), da Secretaria da Cultura do Estado do Paraná.



Fotos: Lucas Rachinski