Domingo às 01 de Fevereiro de 2026 às 01:03:16
Geral

Projeto Medicando Alegria transforma a rotina hospitalar infantil com teatro e afeto

Projeto Medicando Alegria transforma a rotina hospitalar infantil com teatro e afeto

Comemorado no dia 19 de setembro, o Dia Nacional do Teatro ganha um significado ainda mais especial quando olhado na perspectiva dos pacientes, familiares e colaboradores do Hospital Infantil Waldemar Monastier, em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. É nesse “palco”, considerado por muitos até mesmo inusitado, que inclui salas de espera, corredores e quartos do hospital, que atores por formação exercem, além da sua profissão, a vocação de acolher, humanizar e transformar o cotidiano de crianças e famílias por meio do humor, do afeto e da arte. Essa é a essência do Projeto Medicando Alegria, que, em sua terceira edição, segue promovendo leveza, esperança e conexão.
“A gente tenta trazer um pouco da nossa alegria, energia positiva, trazer um alívio para esses pais que muitas vezes estão aqui sem saber quando vão sair com os filhos. Histórias diferentes, algumas tristes, outras nem tanto, mas todas carregadas de fragilidade. Nos quartos, levamos música, procuramos conversar, saber das histórias de cada um, de onde vieram. As crianças vêm, abraçam, querem contato, beijar, pois muitas vezes estão carentes, fragilizadas, e a gente busca aliviar o dia delas com nossa alegria”, conta Edson Vanzo Junior, ator profissional há mais de 20 anos e que interpreta o personagem Tio Juca. 
Ele comenta que sempre via outros atores atuando em hospitais e se perguntava como seria trabalhar em um ambiente que é pesado, mas ainda assim conseguir fazer crianças sorrirem. O convite para fazer parte do projeto chegou ainda no final de 2024, quando ele então foi conhecer de perto. “Me apaixonei pelo trabalho, pela interação com as crianças e seus familiares. Desde o começo do ano estou com eles, entrosado com a equipe, levando nossa energia e alegria. Foi muito mais do que eu esperava; de fora parece uma coisa, entrar lá é outra energia, outra experiência”, conta. 
O desafio maior é sempre separar o pessoal do artista, principalmente ao entrar em quartos onde as situações são mais delicadas. Porém, Edson diz que é neste momento que o Tio Juca entra em cena para trazer a alegria e não deixar a emoção pessoal do ator falar mais alto. 
“Esse trabalho tem me preenchido muito. É como missão. Ver o olhar de agradecimento das mães e pais, ouvir um ‘Deus abençoe vocês’, não tem dinheiro que pague esse retorno. É um sentimento de gratidão real. E saber que ajudamos, ainda que um pouquinho, nesse momento difícil dessas famílias, é muito bom”, completa.

Alívio em meio às incertezas
Uma das beneficiadas pelo projeto e que compartilha uma história de superação é Luísa Rosa Felício, natural de Guaratuba, no litoral do Paraná. Ela é mãe de gêmeos, nascidos prematuramente, e os definiu como presentes divinos, já que ela tinha feito uma laqueadura há cinco anos e já não poderia mais engravidar. 
“Conheci o Projeto Medicando Alegria e posso dizer que foi um sopro de alegria em meio a tanto sofrimento. Eles trazem leveza, risos, distração, não só para as crianças, mas para a família inteira. Em dias difíceis, aquele momento é alívio. Meu marido interagiu com os artistas, ele gostou muito, ficou emocionado. O ambiente do hospital, que muitas vezes é triste e pesado, ganha cor e aconchego com esse trabalho. Hoje eu só posso agradecer pelo projeto, pela arte e esse cuidado”, ressaltou Luísa. 

O teatro que cura invisível aos olhos
Neste Dia Nacional do Teatro, o Medicando Alegria lembra que o ato de estar presente, seja por meio de fantasias, música, riso e presença, pode ser mais potente que qualquer cena planejada. O palco mudou, mas a arte permanece, não apenas entretendo, mas acolhendo, ressignificando, emocionando quem enfrenta batalhas diárias.
“O teatro sempre foi uma forma de tocar as pessoas, seja pelo riso, pela dor, pela empatia. No Medicando Alegria, a gente só trocou o palco pelo corredor do hospital, a luz do refletor pela luz natural das janelas, e a plateia que escolheu estar ali por quem não teve escolha. E para nós, é ali que a arte acontece todos os dias. No Dia Nacional do Teatro, a gente celebra os atores, os palhaços, os artistas que entendem que o seu ofício vai além do entretenimento. No nosso caso, ele vira cuidado. Um cuidado que não se mede em aplausos, mas em sorrisos e olhares. Esse trabalho é uma missão. É fazer arte onde mais se precisa de leveza”, completa o idealizador do projeto, Toto Lopes.
As apresentações acontecem sempre nas segundas, quartas e sextas-feiras, das 8h às 11h nos ambulatórios, leitos, enfermarias e corredores do Hospital Infantil Waldemar Monastier.
O projeto é realizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Caterpillar, Cimento Itambé e ON Petro Combustíveis, e conta com a realização da Toto Artes, Ministério da Cultura, Governo Federal – Brasil, União e Reconstrução.

Sobre o Projeto Medicando Alegria
O Medicando Alegria está em sua terceira edição e leva alegria, magia e acolhimento a pacientes e familiares do Hospital Infantil Waldemar Monastier (HIWM), em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Idealizado pelo artista Toto Lopes, o projeto utiliza arte, música, teatro, circo e contação de histórias, com a participação de mais de 20 profissionais. Empresas que atuam no regime de lucro real podem destinar parte do imposto de renda devido ao projeto e beneficiar milhares de famílias.