Domingo às 01 de Fevereiro de 2026 às 11:38:23
Policial

PC investiga suspeita de fraudes em programa de regularização fundiária que atuou em Campo Largo

N Madeiras busca por áreas com plantação de pinus e eucalipto para compra e extração
N Madeiras busca por áreas com plantação de pinus e eucalipto para compra e extração
PC investiga suspeita de fraudes em programa de regularização fundiária que atuou em Campo Largo

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) investiga um possível esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica ligado a uma empresa prestadora de serviços a um programa que vinha sendo executado no Paraná, voltada à regularização fundiária urbana de interesse social. A investigação, que envolve municípios como Campo Largo, Balsa Nova e outras cidades paranaenses, ganhou novos desdobramentos após uma operação deflagrada ainda na última sexta-feira (05).
A ação policial cumpriu seis mandados de busca e apreensão em diferentes endereços do estado. Foram encontrados cerca de R$ 710 mil em dinheiro vivo, além de US$ 7 mil, uma arma de fogo, munições, celulares, computadores e documentos. Um homem foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo e encaminhado ao sistema penitenciário. Todo o material apreendido será anexado ao inquérito.
A investigação teve início após uma denúncia anônima registrada em abril de 2025, que apontava possível direcionamento de contratações em favor da empresa sediada em Curitiba. Criada em 2020 e sem experiência prévia no setor, a empresa concentra cerca de 86% dos contratos firmados no âmbito do programa e, segundo o portal G1, responde por oito de cada dez acordos de cooperação com prefeituras participantes.
De acordo com a Polícia Civil, a empresa movimentou mais de R$ 6 milhões em dinheiro vivo nos últimos anos. As investigações indicam que os proprietários realizavam saques recorrentes acima de R$ 200 mil, muitos deles feitos por um dos sócios, e que parte desses valores era armazenada em mochilas. Documentos obtidos pela RPC apontam ao menos 21 irregularidades envolvendo as empresas e os empresários investigados.
A suspeita é de que a empresa responsável pelos contratos com prefeituras, subcontratava irregularmente outra empresa para execução dos serviços técnicos de regularização. Em pelo menos três ocasiões de 2025, os proprietários das duas empresas teriam se encontrado em uma agência bancária de Curitiba para realizar saques. Durante a operação de sexta-feira, policiais apreenderam R$ 400 mil que estavam com um deles; o valor havia sido retirado minutos antes da conta da empresa.
Para a polícia, o uso de grandes quantias em espécie pode indicar tentativa de dificultar o rastreamento das transações financeiras. As investigações agora buscam identificar se há envolvimento de agentes públicos no possível direcionamento das contratações. De acordo com a delegada, embora as prefeituras possam optar por executar o programa com equipes próprias, sem custo para as famílias. Porém, conforme informações do G1, o programa Moradia Legal também permite a contratação de empresas privadas para realizar o processo de documentação e nestes casos, cada família paga entre R$ 2 mil e R$ 3 mil – valores compatíveis com o mercado, segundo ela. “A família é responsável pelo pagamento direto para a empresa. O município não transfere recursos para a empresa, nem a empresa, por exemplo, paga algum tipo de valor para o tribunal. O pagamento é entre a família e a empresa, que assinou o termo de cooperação”, detalha a delegada.
“Queremos descobrir a participação de agentes públicos e se houve pagamento de propina para favorecer a empresa”, afirmou a delegada. Os empresários citados optaram por não se manifestar. O Tribunal de Justiça não é investigado no caso.
O programa Moradia Legal está suspenso desde outubro de 2025, por determinação da presidente do TJPR, desembargadora Lídia Maejima, após uma inspeção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontar irregularidades na formatação do projeto. Um grupo de trabalho já elaborou um relatório com propostas de readequação, que ainda deve ser votado pelo Órgão Especial do tribunal. Não há previsão de retomada.
Antes da paralisação das atividades, o Moradia Legal registrou entregas de documentação em várias cidades, inclusive em Campo Largo. Em novembro de 2024, o programa entregou 360 títulos de regularização fundiária para famílias de diferentes localidades do município, como Cercadinho e Ferraria, com cerimônia realizada na Vila Olímpica. 
A Polícia Civil segue analisando o material apreendido e apurando eventuais novos envolvidos.