Domingo às 01 de Fevereiro de 2026 às 11:37:00
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Natal convida à partilha, ao perdão e ao cuidado com as relações humanas

Natal convida à partilha, ao perdão e ao cuidado com as relações humanas

Para o Natal, o pároco da Igreja Matriz Nossa Senhora da Piedade, no Centro, padre Luciano Tokarski, conversou com a Folha de Campo Largo sobre o significado da data, os desafios da vida contemporânea e os caminhos possíveis para fortalecer as relações humanas, familiares e comunitárias. 
Em uma reflexão sensível e equilibrada, ele destaca o Natal como um tempo que convida à proximidade, à partilha e à transformação interior, valores que dialogam com pessoas de todas as religiões. Segundo o padre Luciano, o Natal ocupa um lugar central dentro do cristianismo, ao lado da Páscoa, por representar um dos grandes marcos da fé. “As duas maiores festas para nós, quanto cristãos, são o Natal e a Páscoa, porque nelas celebramos os dois grandes pilares da nossa fé, a encarnação e a ressurreição de Cristo, que dão sentido à caminhada cristã.”
Ele explica que o Natal celebra o Deus que escolheu partilhar a condição humana, aproximando-se das pessoas em suas realidades mais concretas. “No Natal, nós celebramos o Deus que se fez carne, que entrou na nossa história, que assumiu as nossas fragilidades, as nossas dores e limitações, e justamente por isso é capaz de nos salvar”, destacou.
Segundo o pároco, o espírito natalino se manifesta de forma muito clara nas atitudes de solidariedade e cuidado com o próximo, tão presentes nessa época do ano. Para ele, o Natal é um tempo em que o coração humano se move de maneira diferente, se torna mais sensível e mais atento às necessidades do outro, seja por meio de gestos simples ou de grandes ações de caridade, por isso, reforça que o sentido da data está diretamente ligado à capacidade de partilhar, perdoar e recomeçar relações.
“Natal é tempo de pedir perdão, de dar perdão, de partilhar aquilo que temos e, principalmente, de reconstruir vínculos que foram enfraquecidos ao longo do tempo”, afirmou.

Menos coisas e mais pessoas
Ao recordar que Jesus nasceu em uma família simples, padre Luciano chama atenção para o contraste com a lógica do consumo excessivo presente na sociedade atual. “O grande risco da vida moderna é nos tornarmos dependentes das coisas, do consumo e da aparência, a ponto de isso nos sufocar, nos oprimir e até diminuir a nossa dignidade como pessoas”, alertou.
Segundo ele, o Natal convida a um olhar mais equilibrado sobre a vida e sobre aquilo que realmente importa, por isso, pontua que as coisas mais profundas do ser humano não estão fora, não estão naquilo que se mostra, mas naquilo que mora dentro de cada pessoa e que sustenta as escolhas diárias.
Relembra que Jesus viveu profundamente inserido na comunidade e construiu relações baseadas na proximidade e no acolhimento, se conectando com as pessoas e conversando diariamente com elas. “Jesus não curava à distância, Ele se aproximava, tocava, olhava nos olhos e devolvia dignidade às pessoas, mostrando que só a proximidade é capaz de curar feridas. Esse pode ser encarado como um dos ensinamentos centrais do Natal. É o tempo de romper distâncias, de se aproximar novamente e de permitir que processos de cura comecem dentro das famílias e da comunidade”, disse.
Dentro deste mesmo raciocínio, o sacerdote também reflete sobre a importância de discernir as relações ao longo da caminhada humana. “O ser humano não precisa de muitos amigos, mas de amizades verdadeiras, capazes de permanecer mesmo diante das imperfeições e dos desafios da vida”, afirmou.
Segundo ele, aceitar que algumas relações são passageiras faz parte do amadurecimento. Faz parte da vida compreender que nem todas as pessoas permanecerão para sempre e que isso não é fracasso, mas sabedoria.

Um tempo que educa e forma famílias
O padre Luciano destaca que o Natal também tem uma dimensão educativa importante, especialmente para crianças e jovens, ao despertar questionamentos e reflexões. “O nascimento de Jesus educa, molda, ordena e transmite princípios, ajudando desde cedo a formar valores que acompanham a pessoa por toda a vida. Quando a família apresenta o verdadeiro significado da data às novas gerações é como se abrisse um caminho para formar cidadãos mais conscientes e solidários. O Natal não é apenas uma data bonita ou iluminada, mas um acontecimento que transforma a vida e convida à reflexão sobre quem somos e como nos relacionamos”, afirmou.
Ao refletir sobre a Sagrada Família, o pároco ressalta que a convivência entre Maria, José e Jesus oferece lições importantes para as famílias de hoje, pois demonstra que o afeto dos pais é insubstituível, uma vez que é responsável por educar, curar, proteger e dar segurança para que os filhos enfrentem a vida com mais maturidade.
Segundo ele, mesmo famílias já formadas podem encontrar caminhos de transformação. “As mudanças mais profundas não acontecem apenas pela nossa força, mas quando abrimos espaço para o tempo, para o diálogo e para o agir de Deus na nossa história”, destacou.
Por isso, ao falar sobre educação, padre Luciano aponta três pilares essenciais para as famílias na atualidade, que são estudar para compreender o mundo em que os filhos vivem, cultivar uma relação com Deus e manter proximidade afetiva são atitudes fundamentais para educar bem e por isso, ele alerta para o risco de substituir presença por bens materiais. “Nada substitui o relacionamento entre pais e filhos, porque nenhuma conta bancária cheia consegue preencher um coração que se sente vazio”, afirmou.

Caminhos para aprofundar a espiritualidade
Para aqueles que desejam se aproximar mais da história de Jesus, padre Luciano indica a leitura dos Evangelhos como um caminho acessível e transformador. “Quem deseja aprofundar a fé ou simplesmente conhecer melhor Jesus pode começar pelos primeiros capítulos do Evangelho de Lucas, que apresentam com muita sensibilidade a sua infância e o contexto do seu nascimento”, orientou.
“Quem acredita na encarnação de Jesus não pode permanecer na tristeza, porque a alegria que nasce do Natal é um verdadeiro remédio para a alma. Por isso, desejo que 2026 seja um ano de mais proximidade, reconciliação e cuidado. Que o Natal renove nossas forças e que a alegria ilumine os caminhos das famílias campolarguenses ao longo do próximo ano”, concluiu.