Ele apitou 22 jogos na principal competição do futebol brasileiro, que possui 38 rodadas
O árbitro campo-larguense Lucas Paulo Torezin vive um dos momentos mais consistentes de sua carreira no futebol brasileiro. A temporada atual marcou o ano em que ele mais atuou na Série A do Campeonato Brasileiro, principal competição do futebol nacional e considerada um dos maiores objetivos da carreira do árbitro profissional.
A estreia de Torezin como árbitro principal na Série A ocorreu em 2024, resultado de um processo que envolveu anos de preparação, estudo e dedicação. “Foi a realização de um sonho e o alcance de um objetivo dentro da minha carreira. Nada acontece por acaso, é fruto de muito preparo e trabalho”, afirma.
No ano passado, ele atuou como árbitro principal em 10 partidas da Série A. Já em 2025, esse número mais que dobrou, chegando a 22 jogos, o que evidencia a consolidação de seu nome entre os profissionais que atuam na elite do futebol brasileiro. Na temporada, o árbitro eleito o melhor do ano foi o pernambucano Rodrigo José Pereira de Lima, que apitou apenas quatro partidas a mais que o campo-larguense.
O Campeonato Brasileiro da Série A conta com 38 rodadas, disputadas em dois turnos, com 19 jogos para cada equipe como mandante e 19 como visitante. A competição é realizada no sistema de pontos corridos, com início em abril e término em dezembro. Ao longo do Brasileirão, Torezin esteve à frente de partidas com placares expressivos, atuando como árbitro principal em partidas como Mirassol 4x1 Grêmio, Fortaleza 5x0 Juventude, Palmeiras 4x1 Internacional, Botafogo 0x3 Flamengo, Sport 1x5 Flamengo, Fluminense 6x0 São Paulo e Atlético Mineiro 5x0 Vasco.
Exigência técnica, visibilidade e responsabilidade
Segundo Torezin, a Série A apresenta características que impactam diretamente o trabalho da arbitragem. “É uma competição com nível técnico mais alto, com jogos mais rápidos, mais dribles, passes e ataques mais promissores. Isso exige muito do árbitro, inclusive fisicamente, porque precisamos ser mais velozes e, ao mesmo tempo, manter total atenção para a tomada de decisões”, explica.
Ele também destaca que a visibilidade e a repercussão são significativamente maiores para jogos da primeira divisão do Brasileirão, uma vez que o público está mais atento ao que acontece, mas entende que isso faz parte do contexto da competição.
Para o árbitro, o Campeonato Brasileiro é considerado um dos mais difíceis do mundo, por ser muito equilibrado, em que não dá para cravar um campeão já nas primeiras rodadas e tudo é decidido nos detalhes. Ele descreve que essa é uma competição muito disputada, bem desenhada e que é comentada em todo o país e até fora dele.
A presença da torcida nos estádios é considerada positiva também para a arbitragem. “Jogar com torcida é tão bom para o árbitro quanto é para o jogador. A pressão existe, mas faz parte do futebol”, afirma.
Em relação às críticas externas, ele destaca a importância de manter o equilíbrio emocional. “Procuro me blindar para que isso não atinja o lado pessoal. É normal que existam avaliações da imprensa e de influenciadores. No entanto, as análises mais relevantes para o meu desenvolvimento profissional vêm da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O que levamos como principal referência são essas devolutivas, que fazem análises dos jogos, das tomadas de decisão e nos repassam esse material para leitura e evolução”, explica.
Para Torezin, a postura do árbitro dentro de campo deve ser pautada pela regularidade e discrição. “O jogo mais importante é sempre o próximo. Busco manter a regularidade ao longo da partida, agir com ética e passar despercebido, sendo alguém que traz equilíbrio e justiça ao jogo”, afirma.
Com experiência também como árbitro de vídeo (VAR), ele avalia que a ferramenta se consolidou no futebol e tende a se expandir para outras competições. “O VAR veio para ficar. Antes, às vezes o árbitro cometia um erro e não conseguia corrigir ao longo do jogo. Hoje, isso é possível, o que ajuda a trazer mais justiça”, observa.
Segundo ele, ter a experiência de atuar no VAR contribui diretamente para o seu próprio desempenho em campo, quando é o árbitro principal. “Essa vivência permite entender melhor os ângulos das câmeras e rever os lances com mais precisão, porque conhecemos o plano de câmeras, por exemplo”, completa.
Campo-larguense raiz
Orgulhoso de suas origens, Torezin faz questão de destacar sua ligação com Campo Largo. “Tenho muito orgulho de ter nascido e crescido em Campo Largo e sempre faço questão de dizer que sou da cidade. Algumas pessoas comentam que pararam para assistir ao jogo porque eu estava apitando e que estavam torcendo pelo árbitro. Isso é algo muito especial.”
Ciente da responsabilidade que carrega, ele reforça o compromisso com a ética e a seriedade. Torezin ingressou na CBF em 2016, mas atua na arbitragem desde 2001, construindo sua trajetória de forma gradual.
Ao final, ele faz um agradecimento à família. “Agradeço a Deus, aos meus pais e à minha esposa Aline, além das minhas filhas Lívia e Luiza, pelo apoio e por compreenderem a rotina intensa de viagens e jogos”, conclui.
Foto: Arquivo pessoal