A igreja é um marco histórico da cidade e tem sua história profundamente ligada à fundação de Campo Largo.
A Igreja Matriz Nossa Senhora da Piedade, em Campo Largo, se prepara para completar 200 anos no dia 02 de fevereiro de 2026. Em comemoração à data especial, a Paróquia realizou uma pesquisa histórica para resgatar e registrar detalhes sobre alguns dos principais elementos e símbolos da igreja, que fazem parte da memória religiosa e cultural do município.

A igreja é um marco histórico da cidade e tem sua história profundamente ligada à fundação de Campo Largo. A primeira igreja foi inaugurada em 1826 e a paróquia foi criada em 1841. A imagem de Nossa Senhora da Piedade, padroeira da cidade, chegou ao município em 1816, vinda da Bahia, e foi guardada na casa de moradores até a conclusão da primeira igreja. A construção da igreja atual, em estilo neogótico com influências polonesas e italianas, ocorreu entre 1918 e 1934, com decoração interna marcada por vitrais, pinturas e retábulos em madeira. A data de 02 de fevereiro, quando foi inaugurada a igreja, tornou-se feriado municipal em homenagem à padroeira.
Gruta de Nossa Senhora de Lourdes
A história da devoção à Nossa Senhora de Lourdes remete às aparições da Virgem Maria para Bernadete Soubirous, em 1858, na gruta de Massabielle, em Lourdes, França. Durante 18 aparições, Maria pediu oração e penitência, revelou seu nome como “Imaculada Conceição” e indicou o local de uma fonte de água com propriedades curativas.
Em Campo Largo, a gruta dedicada à Nossa Senhora de Lourdes foi construída em 1958, com imagens doadas pelas irmandades e com materiais e mão de obra doados pelo Sr. Frederico Schmidt. A gruta foi abençoada em 21 de dezembro de 1958.

O órgão histórico
O órgão da Matriz foi construído em 1892, em Paris, pela oficina de Aristides Cavaillé-Coll, um dos mais renomados construtores de órgãos do mundo. O instrumento chegou à Catedral de Curitiba em 1902 e foi vendido para a Matriz de Campo Largo em 1956, sendo instalado e inaugurado no dia 12 de junho de 1956, em missa solene celebrada por Dom Manuel da Silveira D’Elboux.
O órgão é considerado um dos mais valiosos do Paraná e do Sul do Brasil. Possui 444 tubos, oito registros, dois manuais de 56 teclas e pedaleira de 20 teclas, com transmissão totalmente mecânica. Em 2010, recebeu manutenção do Mestre Organeiro Georg Jann, com apoio de Frei Lauro Both e Jaime Floriani Filho, sob orientação do organista Gino Zanlorenzi.

Imagem de Nossa Senhora da Piedade
A imagem da padroeira, trazida da Bahia em 1816, esteve inicialmente na casa do Tenente Joaquim Lopes Cascais e foi transferida para a primeira igreja em 1827, após o início da construção em 1821 e sua conclusão em 1826. A devoção à padroeira é parte importante da história do município, que se desenvolveu ao redor da igreja e da comunidade religiosa.
Vitrais artísticos
Os vitrais da Igreja Matriz são um dos principais destaques. Substituíram as antigas janelas de madeira na década de 1940 e foram produzidos em 1946 pelos vitralistas Filinto Jorge Eisembach e os irmãos Alfredo e Werner Friede, com apoio do Estúdio Arte Decorativa, de Curitiba. A montagem foi feita com liga de chumbo e estanho, e as imagens retratam Jesus, Nossa Senhora e outros santos.
Em 2014, 20 vitrais históricos foram restaurados por iniciativa do Conselho Administrativo e Econômico Paroquial (CAEP), pelo estúdio do artista Adroaldo Renato Lenzi, reconhecido nacionalmente por trabalhos em painéis e mosaicos. Cada vitral conta a história de famílias e empresas de Campo Largo, já que a comunidade patrocinou sua instalação, concluída em 1949.
Pintura interna
A pintura interna da Matriz foi executada pelo artista Anacleto Garbaccio, italiano natural de Piemonte e formado na Escola de Belas Artes de Turim. O trabalho foi realizado em 1941, quando ele e seu irmão Carlo residiram em Campo Largo por 18 meses para decorar todo o interior da igreja.
As pinturas incluem painéis murais, forros e ornamentos com diferentes técnicas, como estêncil, trompe-l’oeil e motivos florais, além de 15 quadros no teto representando os mistérios do Rosário. Em 1974, foram feitos retoques e correções nas pinturas do presbitério.
Pia batismal
A pia batismal da igreja representa simbolicamente o batismo, que marca a purificação do pecado original e o renascimento espiritual em Cristo. Muitas pias têm formato octogonal, que remete ao “oitavo dia” da criação e à ressurreição.

Altares e mobiliário
O altar-mor é feito em imbuia entalhada, com lápide em granito e sacrário, desenhado por Gerd Claassen e executado pela Corrêa Cia Guetter. Os nichos e altares laterais foram desenhados e trabalhados pelo escultor Pedro Faganoli, e a construção foi inaugurada em 1941, ano do centenário da freguesia. A sagração do altar ocorreu em 01 de fevereiro de 1941.
O púlpito, também em imbuia, era utilizado para sermões, mas hoje está em desuso, devido às mudanças litúrgicas do Concílio Vaticano II. Em 1931 havia 16 bancos de pinho e 26 em imbuia; atualmente, o templo conta com 84 bancos.
Nas colunas internas, é possível observar cruzes de dedicação, embora a igreja não tenha sido formalmente dedicada, conforme registros do livro tombo, apenas a benção na capela-mor e do altar.
Sinos e relógio
A Matriz possui duas torres. Na torre esquerda, havia três sinos doados por membros da comunidade: a Colônia Polonesa, o Sr. João Skrsypiec e o Sr. João Meister, cada um com 12 estrelas gravadas. Os sinos foram abençoados em 02 de fevereiro de 1931. A torre também abriga um relógio que aciona os sinos em horários determinados.
Ao longo dos anos, os sinos passaram por manutenção e reformas, com destaque para uma grande reforma em 2009 e a substituição dos sinos em 2021, cuja inauguração ocorreu na noite de Natal.