Aos 34 anos, a advogada Helena Rosa retornou a Campo Largo com um objetivo que vai além da saudade. Ela quer reunir memórias para escrever um livro sobre sua trajetória, marcada por desafios, superação e recomeços. Morando há oito anos em São Paulo, Helena busca reencontrar pessoas e histórias que fizeram parte de sua caminhada.
Com deficiência visual, ela ganhou destaque ainda na adolescência no atletismo, conquistando títulos estaduais, regionais e o campeonato brasileiro. Sua história teve repercussão na imprensa local e, em 2008, ela recebeu o Troféu Imprensa como Atleta do Ano.
A trajetória começou em meio a dificuldades. Helena viveu parte da infância em um abrigo para menores em situação de risco após sofrer abuso. Ela deixou a casa da família aos 14 anos e, pouco depois, encontrou no esporte um caminho de transformação. Segundo ela, ter uma atividade que exigisse compromisso e disciplina foi fundamental naquele período.
Com orientação da técnica Luciane Sedreski e do guia Valdir Batista, passou a competir em diferentes níveis e a participar de competições fora do estado. O esporte, segundo Helena, foi uma ferramenta de resiliência e contribuiu para que ela enfrentasse os desafios vividos na infância e adolescência. “O esporte foi um agente disciplinador. Ter algo que exigisse compromisso e disciplina ajudou muito na minha adolescência. Eu vim de uma família disfuncional e morei em um abrigo para menores em situação de risco, após sofrer abuso na infância, então o esporte me ajudou muito a não pensar em tudo o que eu tinha vivido, servindo como uma ferramenta de resiliência e me ajudando a superar meus limites.”
Paralelamente, desenvolveu o interesse pela leitura. No Colégio Estadual Sagrada Família, chegou a realizar palestras sobre os livros que lia em braile e também atuava na organização da biblioteca da escola. “Sempre falo para estudar e fazer muito esporte, porque são coisas capazes de transformar a nossa vida e promover crescimento social, cultural e profissional”, destaca.
Agora, ao retornar a Campo Largo, Helena pretende reunir relatos, fotos e lembranças que irão compor o livro. A cidade, segundo ela, terá espaço especial na obra por fazer parte de sua história e de sua construção pessoal.
Moradores que conviveram com Helena podem contribuir com o projeto enviando materiais por meio das redes sociais, no perfil @helenarosa.ofc, no Instagram e no TikTok. “Não chegamos a lugar algum sozinhos, somos uma construção de todas as pessoas que passaram pela nossa vida”, finaliza.