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Operação Resgate investiga suspeitas de desvios de recursos em ONG de proteção animal de Campo Largo

Operação investiga suspeitas de desvios de recursos em ONG de proteção animal de Campo Largo; locais vistoriados não apresentaram indícios de maus-tratos aos animais

Operação Resgate investiga suspeitas de desvios de recursos em ONG de proteção animal de Campo Largo

O Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Campo Largo e com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta quinta-feira (17) a Operação Resgate, que investiga possíveis irregularidades envolvendo dirigentes de uma organização não governamental voltada à proteção animal no município.

De acordo com informações divulgadas pelo MPPR nesta sexta-feira (18), a investigação apura, em tese, possíveis crimes de organização criminosa, peculato-desvio, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular. A principal investigada é a diretora executiva responsável pelo Instituto SOS 4 Patas e candidata a deputada estadual pelo partido Missão.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em endereços relacionados à entidade em Campo Largo e Curitiba. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 1,6 milhão e a suspensão imediata das atividades de captação de recursos por meio de sorteios, bingos e rifas.

Segundo o MPPR, a ONG atua no resgate de animais em situação de abandono e maus-tratos e obtém recursos por meio de doações particulares e da realização de sorteios, rifas e festivais de prêmios. A investigação aponta que a diretoria e o conselho fiscal da entidade teriam sido ocupados por integrantes de um mesmo núcleo familiar. Ainda conforme o Ministério Público, os investigadores apuram se parte dos recursos arrecadados teria sido sistematicamente direcionada para contas pessoais da diretora executiva. A estimativa apresentada pelo órgão é de que aproximadamente R$ 1,6 milhão tenha sido depositado e retido diretamente nessas contas.

A apuração também envolve uma possível confusão patrimonial entre os recursos da organização e despesas pessoais, além de suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de repasses a terceiros e de possíveis fraudes em sorteios promovidos pela entidade. As informações integram uma investigação em andamento e, portanto, não representam conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos investigados. O processo tramita sob segredo de Justiça.

A Operação Resgate está em fase de investigação. O material apreendido durante as buscas deverá ser analisado pelo Gaeco e pelo Ministério Público para esclarecer a movimentação e a destinação dos recursos investigados. Como o processo tramita em segredo de Justiça, detalhes adicionais da apuração ainda não foram divulgados oficialmente. 

 

Buscas e situação dos animais

Durante o cumprimento dos mandados, foram recolhidos celulares, documentos e outros materiais considerados relevantes para a investigação, que deverão ser analisados pelas equipes responsáveis pelo caso. Segundo informações publicadas pela imprensa, as diligências também ocorreram em locais utilizados para abrigar animais resgatados pelo Instituto SOS 4 Patas. Em um dos endereços, relacionado ao Instituto, estavam aproximadamente 230 cães, em um ambiente que estava organizado e os animais estavam separados conforme idade e condições de saúde. Também havia uma estrutura destinada a animais com deficiência. 

Em outro endereço, estavam mais de 110 animais resgatados pelo Instituto. Conforme os registros das diligências divulgados pela imprensa, não foram constatados indícios de maus-tratos e os animais aparentavam estar bem cuidados. Os registros das buscas, portanto, não apontaram, nessa etapa da operação, indícios de maus-tratos nos locais vistoriados. Essa constatação é distinta da investigação financeira conduzida pelo MPPR, que trata da possível destinação irregular de recursos da organização.

 

Manifestação do Instituto

Após a operação, o Instituto SOS 4 Patas publicou uma manifestação em suas redes sociais. No texto, a entidade afirmou que realiza um trabalho sério, pensado no bem-estar animal, que, durante a fiscalização, foram encontrados animais saudáveis e mantidos em locais adequados, separados de acordo com idade e necessidades específicas, incluindo animais com deficiência.

O Instituto também informou que a diretora executiva está temporariamente afastada das atividades presenciais em razão de sua agenda eleitoral, mas afirmou que a equipe continua responsável pela alimentação, limpeza, tratamentos veterinários, resgates e adoções. A entidade declarou ainda enfrentar dificuldades financeiras, citando redução nas doações e acúmulo de dívidas. Segundo os números publicados pelo próprio Instituto, a organização realizou 3.648 resgates entre 2021 e 2026 e contabilizou 1.965 adoções no mesmo período.

Em 2026, o Instituto informou ter realizado 536 resgates até setembro e 300 adoções. Também declarou manter 642 animais sob sua responsabilidade, sendo 581 cães, 35 gatos, 21 aves e cinco equinos, distribuídos entre hotéis, chácara, lares temporários e internações. Disse ainda que pretende ampliar a busca por adoções e lares temporários e afirmou que, caso não consiga encontrar famílias para todos os animais, pretende comunicar formalmente os municípios de origem para que assumam a responsabilidade pelos animais provenientes de seus territórios.

 

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